AS AVENTURAS DE UM LEITURISTA DE LUZ (E OUTRAS HISTÓRIAS) SOB UM PONTO DE VISTA BEM HUMORADO.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Quando frases inocentes se tornam perigosas
quarta-feira, 27 de julho de 2011
"Nem Morto!"
sábado, 23 de abril de 2011
O Bêbado e O Leiturista
sábado, 16 de outubro de 2010
Ave! Que mico!
sábado, 7 de agosto de 2010
Quer pagar quanto?
sábado, 31 de julho de 2010
A desgraça número 3
terça-feira, 20 de julho de 2010
Sem Noção - 3
sábado, 27 de março de 2010
Estranhos
Segunda-feira parecia ser mais um dia comum na minha jornada de leiturista de luz.
Parecia!
Alguns dos seres mais estranhos de Atibaia resolveram sair de suas tocas pra falar comigo.
Parei em frente a uma casa que ficava no fundo de um terreno e estava quase encoberta pelo mato. Tirei alguns galhos e folhas da frente do relógio de luz e quando anotava a leitura, percebi, com o canto dos olhos, uma movimentação suspeita atrás de uma moita.
Olhei pro lado e vi um homem que aparentemente era velho, mas não muito, uns 115 anos no máximo. Ele vestia uma blusa com touca e era muito branco. Tomei um baita susto! Não porque ele se parecia com o Mun-há antes de se transformar, mas porque estava fazendo um calor de no mínimo 40 graus!
- Eu estou segurando esta foice, mas não se assuste! Eu percebo quando uma pessoa é boa e quando é ruim. – ele disse.
Espera aí! Um ser de touca preta com uma foice na mão surge, de repente, na minha frente e ele ainda quer que eu não me assuste?
E pra piorar, olha o que ele me disse:
- Meu vizinho da esquina era um homem muito bom. Esses dias, ele foi morto na porta de casa com 3 tiros! Quer dizer, não adianta ser bom, porque quando chega a sua hora, você não escapa!
- Preciso ir. O senhor não me leve a mal, mas, ainda tenho 500 leituras pra fazer hoje.
- Ainda é 1 e 15h. Tem razão. Ainda não está na sua hora!
Um casa depois, um homem baixinho e troncudo atendeu a porta.
- O que você quer?
- Boa tarde! Vim fazer a leitura da luz, senhor.
- Como? Você já veio no sábado!
- Não, senhor. A leitura está marcada pra hoje. Acho que quem veio no sábado foi o pessoal da inspeção que usa o uniforme igual ao nosso e...
Ficamos uns 20 minutos naquilo. E o homem foi tão convincente nos seus argumentos de que eu havia estado ali no último sábado, que eu comecei a ficar confuso:
“Meu Deus, será que eu vim aqui no sábado e depois morri de repente? Vai ver é por isso que eu não estou lembrando! Bem que eu achei que conhecia aquele tiozinho da foice de algum lugar! Não, não é nada disso! Deve ser este Sol que está me fazendo ter alucinações!”
- O senhor tem a conta do mês passado aí?
- Tenho. Vou pegar.
Se bem que quem atendeu a porta foi a esposa do cara.
E o FEIO mora ali perto...
No final do setor encontrei a pessoa mais esquisita de todas. Era uma mulher que falava muito enrolado e rápido, de modo que eu só conseguia entender algumas palavras. O que quase gerou uma confusão.
No momento em que eu fazia a leitura em sua casa, ela saiu da casa da vizinha e perguntou se eu gostava de pão caseiro. Respondi que sim. E, então, ela começou a abaixar o decote da blusa até quase um peito pular pra fora.
- Senhora! Pelo amor de Deus! – disse virando o rosto envergonhado.
Ela então ergueu a blusa pra me mostrar a barriga e fez a única pergunta que eu entendi claramente:
- O senhor é casado?
Não havia mais dúvidas: o povo daquele bairro, vizinho do Imperial, estava me confundindo com o FEIO.
De repente, olhei para os seus braços e percebi que estavam com a pele toda queimada.
Um homem, provavelmente o seu marido, apareceu na janela e disse:
- Rosana! O óleo já está fervendo!
Um quadra depois, acabei ouvindo sem querer a conversa de duas mulheres e descobri toda a verdade.
MULHER 1: - Você ficou sabendo, coisa?
MULHER 2: - O quê? Me conta!
MULHER 1: - A Rosana, aquela mulherzinha da rua debaixo que faz pão caseiro...
MULHER 2: - O que tem ela?
MULHER 1: - Ela tava fazendo o recheio do pão doce e o fogão dela explodiu. Queimou tudo o peito e a barriga dela!
MULHER 2: - Que horror!
Horror foi essa segunda feira: 694 leituras, calor insuportável e uma dúzia de pessoas estranhas.
Ninguém merece!
sábado, 19 de dezembro de 2009
Varal

Certo dia, fui marcar a luz numa dessas casas e havia um varal cheio de roupas bem em cima do relógio. Marquei a leitura e quando caminhava para casa seguinte, ouvi uma mulher chamar:
- Moço! Moço! Você tá levando a minha roupa!
Percebi que havia algo enroscado no meu boné. Olhei: era uma minúscula calcinha pink!
Não sei por que mas, a minha vontade de rir sumiu assim que o "gigantesco" marido da moça saiu lá fora pra ver o que tava acontecendo.
Mas, pior aconteceu com um colega meu, o Claudio.
Claudio chegou numa casa pra fazer a leitura da luz. Nessa casa, há um muro com um buraco de onde é possível ver o relógio de luz e tirar a leitura.
Nesse dia, porém, havia um varal com um monte de roupa cobrindo o relógio.
Claudio pensou em enfiar a mão pelo buraco e afastar a roupa. Mas, teve medo de que do outro lado houvesse um cachorro esperando pra dar o "bote".
Tocou a campainha da casa. Uma voz lá de dentro gritou:
- Quem é?
- Leitura da luz!
- Ué!? E não dá pra você ver de fora?
- Dá. Mas, hoje tem um monte de roupa na frente do relógio.
Havia muita roupa mesmo. Tanto, que nem a própria mulher conseguia encontrar o relógio.
- Moço, onde que tá o relógio?
E Claudio falou com a boca no buraco:
- Aqui no canto senhora!
- Aqui?
- Isso! Agora é só a senhora levantar a saia.
Nesse dia, Claudio não conseguiu fazer a leitura. Mas, também, como é que ele ia saber que a mulher do outro lado era crente?
quinta-feira, 9 de julho de 2009
ATENÇÃO: Ninguém presta atenção!

Segunda-feira. 8 da manhã. Mais uma jornada semanal de leituras de luz está começando. Logo na primeira casa do roteiro, é preciso entrar. O padrão de energia elétrica fica do lado de dentro. Como não há campainha, bato palmas e solto o velho bordão:
- Leitura da luz!
Uma mulher responde da janela:
- Já vai!
Ela aparece, anos-luz depois. Pra não perder o costume, vou logo dizendo:
- Bom dia, senhora. Vim fazer a leitura da luz.
Ela abre o portão e responde:
- Bom dia! Pode entrar.
Em seguida, ela se abaixa para limpar o hidrômetro e diz:
- Nossa! Que sujeira! Como vocês conseguem enxergar a leitura da água desse jeito?
- Não é leitura da água, senhora. É leitura da luz.
- Ah, tá.
Lá de dentro, o marido da mulher se manifesta:
- Que que tá acontecendo aí, Bem?
- O moço veio medir a água.
- Não é água, senhora. É luz!
Termino a leitura e agradeço a mulher. Ela entra e quando estou indo embora, aparece o marido com uns 10 quilos de envelopes nas mãos.
- Ei, grande! Dá uma chegadinha aqui.
- Pois não!
- Já falei pro outro carteiro e vou falar pra você, também: esse João da Silva - mostrando o nome marcado num dos envelopes - é o cara que morava aqui antes de mim. Agora, que ele se mudou, não quero mais que vocês fiquem entregando estas porcarias na minha casa!
- Mas, senhor...
- Ah, não quero saber! Isso é um problema de vocês. Toma! Leva essas merdas de volta pro correio.
- SENHOR!
O homem se assusta.
- Eu não sou carteiro. Sou o leiturista da luz!
- Ah, tá. Mas, você também não fala nada!
O homem finalmente entra. Quando me viro pra seguir o meu caminho, aparece uma mulher correndo desesperada:
- Moço! Por favor, não me multa!
- O quê?
- Eu sei que nesse lugar é proibido estacionar, mas é que eu só parei por causa de uma emergência, tive que ir correndo até à farmácia comprar um absorvente e...
- Moça! Calma! Eu não sou guarda de trânsito. Sou o marcador da luz!
- Ai, desculpa moço. Que vergonha! Desculpa! Ai! Desculpa...
Deixo ela meio que falando sozinha. Quando vou continuar as leituras, uma garota que está chegando à primeira casa me chama:
- Moço!
- Ooooooooooi! - já sem paciência.
- É você que veio consertar a Internet?
"Não! Eu sou um homem bomba disfarçado que veio explodir sua casa a mando do Bin Laden, de preferência abraçado a você!"
- Não, mocinha! Eu sou o marcador de luz!
-Ah, tá.
O dia todo segue com acontecimentos desse tipo. Depois da útima leitura, dou um suspiro profundo e pegunto aos Céus:
- Meu Deus, por que as pessoas nuncam prestam atenção em nada? Por que nuncam ouvem as outras? Por que há tantos enganos nessa vida?
De repente, surge por de trás de uma árvore um homem careca, barrigudo e com uma roupa muito estranha. Ele começa a explicar todas as minhas perguntas. Imediatamente, eu o reconheço, só não entendo a sua presença ali.
Depois que ele pára de filosofar, eu não resisto e pergunto:
- Desculpa! O senhor não é o Pandite, aquele sacerdote indiano da novela das 8?
- Tic!
- E o que o senhor faz por aqui?
- Are-baba! Aqui não é o caminho das Índias?
- Não. É Avenida Lucas Nogueira Garcês. Atibaia!
- Puta que o pariu! Entrei na história errada!
Tô falando que ninguém presta atenção !
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Preconceito

Não os cães vira-latas que andam em bando. Mas os furiosos cachorros de raça cujos donos insistem em deixar soltos.
Como é de costume, ao chegar para fazer a leitura numa casa que tem o padrão de energia do lado de dentro, batemos palmas e gritamos:
- Leitura da luz!
- Pode entrar senhor, o portão tá aberto.
- Sim, mas o cachorro está solto.
-Ah, ele não morde!
Só mastiga, imagino.
- Desculpe, mas se a senhora não prendê-lo, eu não entro!
Depois de repetir umas 15 vezes que o cão é bonzinho, obediente e tudo o mais que uma mãe pode desejar de um filho, ela finalmente desiste e prende o animal.
Mas, quando estou entrando na casa, ela recomeça:
- Senhor, quando você vir marcar a luz, pode entrar sossegado porque meus cachorros não mordem e...
Putz, de novo! 16 vezes, agora... Peraí, ela disse "meus" cachorros?
Quando olho para baixo, percebo uma fêmea albina de Pit Bull me cheirando. Cheira os pés. Cheira as mãos. Cheira o... ai, aí não. Acabei de casar, coitada da minha esposa...
- Maia, vem já com a mamãe!
E a Maia, vai. Graças a Deus! Ou a alguma entidade indiana, sei lá.
E eu vou em seguida. Ou pelo menos tento. Minhas pernas parecem feitas de gelatina.
Por educação, tento dizer obrigado (embora a vontade fosse dizer um palavrão), mas a minha voz não sai.
As mãos tremem tanto que é possível tirar um samba de partido alto no pandeiro.
Vagarosamente, começo a caminhar em direção à saída, pensando inconformado: "Caramba, prendeu o Mastin Napolitano, mas deixou solto o Pit Bull."
E quando falta um passo para sair da casa, completo o pensamento, aliviado: "ainda bem que era apenas um filhote".
Nesse exato momento, porém, eis que surge às minhas costas um terrível ser!
E ele morde, com gosto, o meu calcanhar!
É, definitivamente não se deve ter preconceito nem com os animais. Pois, o terrível ser era um Poodle Toy.







