
Há um bairro onde faço a leitura da luz em que boa parte das casas não tem quintal e as pessoas colocam as suas roupas pra secar na rua.
Certo dia, fui marcar a luz numa dessas casas e havia um varal cheio de roupas bem em cima do relógio. Marquei a leitura e quando caminhava para casa seguinte, ouvi uma mulher chamar:
- Moço! Moço! Você tá levando a minha roupa!
Percebi que havia algo enroscado no meu boné. Olhei: era uma minúscula calcinha pink!
Não sei por que mas, a minha vontade de rir sumiu assim que o "gigantesco" marido da moça saiu lá fora pra ver o que tava acontecendo.
Mas, pior aconteceu com um colega meu, o Claudio.
Claudio chegou numa casa pra fazer a leitura da luz. Nessa casa, há um muro com um buraco de onde é possível ver o relógio de luz e tirar a leitura.
Nesse dia, porém, havia um varal com um monte de roupa cobrindo o relógio.
Claudio pensou em enfiar a mão pelo buraco e afastar a roupa. Mas, teve medo de que do outro lado houvesse um cachorro esperando pra dar o "bote".
Tocou a campainha da casa. Uma voz lá de dentro gritou:
- Quem é?
- Leitura da luz!
- Ué!? E não dá pra você ver de fora?
- Dá. Mas, hoje tem um monte de roupa na frente do relógio.
Havia muita roupa mesmo. Tanto, que nem a própria mulher conseguia encontrar o relógio.
- Moço, onde que tá o relógio?
E Claudio falou com a boca no buraco:
- Aqui no canto senhora!
- Aqui?
- Isso! Agora é só a senhora levantar a saia.
Nesse dia, Claudio não conseguiu fazer a leitura. Mas, também, como é que ele ia saber que a mulher do outro lado era crente?