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sábado, 19 de dezembro de 2009

Varal


Há um bairro onde faço a leitura da luz em que boa parte das casas não tem quintal e as pessoas colocam as suas roupas pra secar na rua.



Certo dia, fui marcar a luz numa dessas casas e havia um varal cheio de roupas bem em cima do relógio. Marquei a leitura e quando caminhava para casa seguinte, ouvi uma mulher chamar:



- Moço! Moço! Você tá levando a minha roupa!



Percebi que havia algo enroscado no meu boné. Olhei: era uma minúscula calcinha pink!



Não sei por que mas, a minha vontade de rir sumiu assim que o "gigantesco" marido da moça saiu lá fora pra ver o que tava acontecendo.



Mas, pior aconteceu com um colega meu, o Claudio.



Claudio chegou numa casa pra fazer a leitura da luz. Nessa casa, há um muro com um buraco de onde é possível ver o relógio de luz e tirar a leitura.



Nesse dia, porém, havia um varal com um monte de roupa cobrindo o relógio.



Claudio pensou em enfiar a mão pelo buraco e afastar a roupa. Mas, teve medo de que do outro lado houvesse um cachorro esperando pra dar o "bote".



Tocou a campainha da casa. Uma voz lá de dentro gritou:



- Quem é?



- Leitura da luz!



- Ué!? E não dá pra você ver de fora?



- Dá. Mas, hoje tem um monte de roupa na frente do relógio.



Havia muita roupa mesmo. Tanto, que nem a própria mulher conseguia encontrar o relógio.



- Moço, onde que tá o relógio?



E Claudio falou com a boca no buraco:



- Aqui no canto senhora!



- Aqui?



- Isso! Agora é só a senhora levantar a saia.



Nesse dia, Claudio não conseguiu fazer a leitura. Mas, também, como é que ele ia saber que a mulher do outro lado era crente?