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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cartas, e-mails e afins

Certo dia, quando eu era criança, encontrei uma cartinha que havia sido colocada por debaixo da porta da minha casa. Era a "Corrente de Santa Edwiges".

Lembro de algumas coisas que estavam escritas nela.

"A original desta carta está na capela de Santa Edwiges, na Inglaterra e suas cópias rodam o mundo inteiro. Ela veio lhe trazer muita sorte, porém, é preciso fazer 20 cópias (não lembro se valia xerocar) e mandar para 20 pessoas nas próximas 96 horas!"

Pra convencer o leitor a participar da corrente, na carta contava-se histórias de pessoas que haviam ganhado muito dinheiro repentinamente, pouco tempo depois de terem enviado as 20 cópias.

Mas, se ainda assim a pessoa não ficasse convencida, no final da carta havia o relato dos casos das pessoas que ousaram não mandar as cópias: uma perdeu o filho no 6º dia, outro viu sua empresa falir e perdeu tudo o que tinha.

Na época, fiquei muito confuso sobre o que fazer: escrever as 20 cartas ou não?

Pensei tanto, mas tanto, que o prazo de 96 horas acabou passando.

Resultado: Meu filho não morreu no 6º dia, nem a minha empresa faliu.

Talvez seja porque, aos 7 anos, eu não tinha filhos nem trabalhava.

Dias atrás, recebi um fermento de um tal de "Bolo do padre Marcelo".

Não é querer ser chato, mas, havia tanto erro de Português e a letra era tão ilegível, que eu cheguei a pensar em procurar o Consulado do Egito, pra ver se alguém conseguia decifrar aquele hieróglifo.




Confesso que não sou nada ligado a religiosidades, porém, sou bastante ligado a comida. Esse bolo era pra ser feito em 3 dias (tempo do fermento se multiplicar). Aí, deveria ser dividido em 3 partes iguais. Duas partes deveriam ser passadas pra frente junto com a cópia da receita e a terceira parte ficava pra gente fazer o bolo.

O bolo ficou tão bom, mas tão bom, que resolvi ficar com as 2 outras partes do fermento pra fazer mais bolos!

Quer dizer, corrente chegou em mim, parou!

Principalmente se for corrente vinda por e-mail.

Dias atrás, recebi uma que dizia assim: "Se você tiver tempo para Deus, leia!"


Quer dizer que se eu não quiser ler eu sou um herege?

A pessoa que cria esses e-mails usa a mesma técnica da promoção do Estadão: o jornal oferece ao leitor a oportunidade de escolher quanto ele quer pagar no primeiro mês de assinatura. Só, que o cara da propaganda pergunta assim: "Qual é o valor do conhecimento?"

Quer dizer, se você quiser pagar R$1, 00 pelo primeiro mês de assinatura do jornal, você pode. Só que vai estar afirmando que o valor do seu conhecimento vale um realzinho de merda! Ou seja, você é um burro!

Eu dou muito valor ao meu conhecimento, e ao meu bolso também! Por isso, quando quero ler jornal, eu não compro, vou à biblioteca pública e leio de graça!

Voltando ao e-mail...

Eu acho que o título da mensagem do e-mail que recebi já começou errada. Ao invés de ser: "Se você tiver tempo para Deus, leia!", deveria ser: "Se você tiver tempo para Deus, desligue essa bosta de computador e vá rezar!"

Ou "Vá fazer uma boa ação!"

Sei lá!

Bom, pra terminar, quero dizer uma coisa: você leitor(a), querendo ou não, agora faz parte de uma corrente! Funciona assim:

Quanto mais você comentar as minhas postagens e indicar o blog para outras pessoas, mais sorte em tudo na sua vida você vai ter a partir de hoje!


Agora, se você não comentar, nem indicar...













terça-feira, 7 de julho de 2009

Uma historinha de merda

Há uma teoria que diz que pisar no cocô é sinal de sorte.

Tenho alguns argumentos que confirmam isso.

Meu primo, quando era criança, não apenas pisou como submergiu na bosta do porco. Anos depois, ele teve a sorte de se casar com uma mulher linda e rica.

Os atores de teatro, antes de entrar em cena, sempre dizem uns aos outros: “merda”, para dar sorte.

A essa altura do texto, o leitor pode estar se perguntando: “mas, se a merda é praticamente um amuleto de sorte, porque as pessoas, quando não estão numa fase boa da vida, costumam dizer que “estão na merda”?

Simples. Porque nem toda merda traz o mesmo grau de sorte.

Trabalhando na rua a minha chance de pisar na bosta é muito maior do que a de quem trabalha em local fechado. Tanto, que já consegui a façanha de repetir esse ato por 10 dias seguidos!

Penso que merecia, pelo menos, ter meu nome gravado no Guinnes Book, o livro dos recordes. Mas, não. O máximo de sorte que alcancei nesse período foi encontrar uma moeda de 5 centavos que, por azar, estava colada na calçada, com Super-bonder.

Depois disso, concluí que a bosta do porco traz muito mais sorte que a bosta do cachorro.

E a merda do gato?

Tenho uma vizinha que tem um gato preto. Dias desses, ela caiu dentro de casa e quebrou a perna. Culpa do gato preto? Lógico, afinal, se ele não tivesse cagado no chão da cozinha, minha vizinha não teria escorregado.

Mas, agora, chega de falar tanta bosta e vamos falar sério: Se você quer ter sorte de verdade, visite a Índia, encontre uma vaca e dê um mergulho no seu estrume.

Se o porco que é o responsável pela gripe suína pode trazer tanta sorte, imagine um animal que é sagrado, como a vaca!