Na sala de aula, cada aluno tinha a sua pasta com material escolar (lápis de cor, tesoura sem ponta, massinha etc.) que ficava em cima de um armário que só a professora alcançava.
- Professora, a senhora pode, por favor, pegar a minha pasta de material?
E ela "singelamente" respondeu:
- NÃO! chegou atrasado vai ficar sem material!
Comecei a pedir lápis emprestados aos colegas. E ela disse:
- Sem emprestar!
Minha última opção era pegar a "caixinha dos pobres".
A "caixinha dos pobres" era o nome de uma caixa de sapatos que ficava em cima da mesa da professora e continha material escolar para aqueles alunos que não tinham condições financeiras de ter o seu próprio material.
O problema é que quase todos os lápis da caixinha não tinham ponta e o giz de cera era tão velho que certamente foi usado por aqueles homens das cavernas que faziam pinturas rupestres.
Quando fui pegar a caixinha, a professora me impediu:
- Não! Não quero que pegue a caixinha, também!
Eu tinha apenas 6 anos de idade e já sabia que aquilo que a professora estava fazendo comigo não tinha a menor lógica (embora ainda não soubesse o que era lógica).
- Mas, professora, se eu não posso pegar o meu material e nem emprestar de ninguém como vou fazer o meu desenho?
E ela respondeu:
- Se vira!
Senti vontade de me virar e lançar um bumerangue no pescoço dela!
Só depois de "curtir" o meu desespero por mais uns 10 minutos é que ela resolveu pegar o meu material.
Pior do que ter sido humilhado pela professora foi ninguém ter acreditado nessa minha história na época. Só deixei de passar por mentiroso quando essa professora foi afastada no fim do mesmo ano para se submeter a um rigorosíssimo tratamento psiquiátrico!
Mas, nem só as professoras psicopatas fizeram parte da minha formação escolar.
No cursinho, curiosamente tive duas professoras com nome de carro: Mercedes, professora de Espanhol e Clio, a melhor professora de Literatura que tive na vida!
Esse fato curisoso se estendeu para o meu estágio da faculdade. Uma das professoras de quem assisti aula, se chamava Karen. E seu apelido era KA (outro nome de carro).
Depois da faculdade, fiz um pouco de aula de canto. Minha professora não tinha nome de carro. Em compensação, seu carro tinha nome de mulher e de cantora: Elba!
Até na ficção esse negócio de professora com nome de carro já aconteceu. Lembro que na novela "Mulheres Apaixonadas" havia uma professora vivida pela atriz Vera Holtz que se chamava Santana.

Santana era alcoólatra e passou a novela toda lutando contra o vício. Só nos últimos capítulos é que ela conseguiu iniciar um tratamento sério capaz de livrá-la da bebida.
Fosse hoje em dia, nem precisaria fazer tanto esforço. Bastava fazer uma conversão do seu motor para GNV (Gás Natural Veicular) e Santana teria se livrado do álcool de uma vez por todas!
Falando em novela, que lembra TV, lembrei de uma professora que tive na 6ª série que era a cara da Marge Simpson.
Essa professora, com a desculpa de dar aulas para muitas turmas, nunca sabia o nome de ninguém. E foi graças a essa sua péssima memória que eu me fodi!
Certa vez, a nossa turma estava fazendo tanta bagunça na aula dela que o diretor da escola apareceu na porta e disse:
- Professora, manda pra fora todos os alunos que estiverem fazendo bagunça! AGORA!
Lá da frente, ela começou a apontar:
- Vai você... você... você também...
Eu sentava na última carteira da segunda fileira perto da porta. Nunca fui de fazer bagunça. Apenas conversava e dava risada da zoeira alheia. Quando ela apontou mais ou menos na minha direção, imediatamente, o Pequeno rapazinho que sentava na minha frente se levantou.
Mas, ela disse:
- Você, não. O de trás!
Levantei perguntando indignado:
- Eu, professora? Eu?
Saí dali pisando duro rumo à diretoria.
Detalhe: nenhum dos bagunceiros da turma foi pra diretoria, o que causou um grande espanto nos outros professores.
Ah, e só mais uma coisa:
Adivinha quem era o Pequeno rapazinho que sentava na minha frente...