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sábado, 21 de novembro de 2009

Aniversário de Criança - 2


Horácio e Wilma, um casal de amigos da minha esposa, poderiam perfeitamente alugar um salão para fazer o aniversário de 9 anos da filha caçula Angélica.



Mas, como enriqueceram a pouco tempo, sentem uma enorme necessidade de exibir a casa nova que compraram. E é por isso que a festa ocorre lá.



Na entrada, há um segurança pegando os convites. Minha esposa, depois de procurar um pouco, diz:



- Caramba! Acho que deixei na outra bolsa.



- Ai, que pena! - respondo fingindo decepção. - Então, o jeito é ir embora, né?



Mas, não dá tempo. Lá de dentro, Wilma avista minha esposa e grita:



- Daaaaaaaaaaani, queriiiiiiiida!



- Oi, Wilma!



Trocam beijinhos. Wilma pergunta:



- Tá tudo bem aí?



- Ai, Wilma, esqueci o convite.



- Imagina! - e virando-se pro segurança, diz:
- Essa daqui é VIP, meu filho, não precisa de convite.



Elas entram abraçadas. Sigo atrás, mas, sou barrado pelo porteiro troglodita.



- Seu convite, senhor.



- Mas, eu estou com ela!



- Sem convite não entra, senhor.



- Então, que se dane!



- O que disse, senhor?



- Eu disse: Dani! Oh, Daaaaaaaaaaaaaani! - gritando.



Elas olham pra trás, Wilma pergunta:



- Quem é ele?



- Meu marido.



- Nossa! Ô segurança, pode deixar ele entrar!



Ajeito minha roupa e entro puto! Mas, como desgraça pouca é bobagem, uns garotos que jogam futebol na sala, acertam uma bolada bem no meio do meu nariz!



Wilma grita:



- Vinícius, bola aqui dentro, não! Vai quebrar meus vasos chineses!



Vinícius é um filho que Wilma teve antes de se casar com Horácio. Dizem as más línguas, que Wilma engravidou após um tremendo porre num suspeitíssimo baile de carnaval e que, por isso, nem ela sabe quem é o pai do garoto.



Meu nariz arde tanto que sai até lágrimas dos meus olhos. Minha esposa pergunta:



- Você tá bem? Quer molhar rosto?



- Quero molhar a garganta! Garçom!!!



O garçom vem e pego uma Long Neck geladassa! Parece que a festa finalmente vai começar.



Tomo um gole. Gosto estranho. Tomo mais um gole. Resolvo ler o rótulo da garrafa que diz: "Zero por cento de álcool".



"Ir para uma festa e tomar cerveja sem álcool é como ir à pizzaria e comer pizza vegetariana;

É como ir numa churrascaria rodízio e só comer salada;

É como pegar a suíte master do motel e comer uma boneca inflável..."



- Paulo! Vamos!



Minha mulher me desperta do devaneio.



A casa é enorme: tem 3 andares e tantas escadarias que é possível pagar uma promessa por dia.



Segundo Wilma, o melhor da festa "está" nos fundos.



Nos fundos há uma churrasqueira apagada, uma piscina enorme enfeitada com flores e um bando de gente conversando assuntos interessantíssimos!



Um grupo de mulheres debate temas como: o salão que faz a melhor escova, o modelo do vestido que a Taís Araújo usou no último capítulo da novela, a cor do sapato que vão usar no próximo Reveillon...



Já um grupo de homens, grandes empresários, travam uma discussão ferrenha para ver quem tem o carro com a maior potência e desempenho nas pistas.



O mais estranho é a ausência das crianças numa festa de criança.



Ouço Wilma comentar:



- Contratei uma moça que se veste de palhaço para entreter as crianças. Estão lá na quadra de esportes.



Resolvo ir dar uma olhada na palhaça. Ela tenta de todas as formas chamar a atenção da criançada.



Primeiro, distribui folhas, lápis e giz de cera para elas desenharem. Mas, as crianças, lideradas por Vinícius, resolvem amassar as folhas pra brincar de guerra de bolinhas.



Em seguida, ela começa a encher aquelas bexigas em forma de salsicha e a modelá-las fazendo diversos objetos e animais. Mas, o Vinícius acha mais legal estourar as bexigas.



Depois disso, ela tenta fazer um teatrinho de fantoches. No começo, as crianças até que prestam atenção. Só que o Vinícius vai lá, arranca o boneco da mão da palhaça e estraga tudo!



Começo a desconfiar que sei de quem Vinícius é filho: filho do capeta!



De repente, a palhaça se levanta com uma cara de poucos amigos, pega a sua bolsa e retira de dentro uma corda!



"Meu Deus! Ela vai amordaçar o Vinícius!"



Mas, a palhaça diz:



- Quem quer pular corda?



"Que pena!"



Wilma aparece e chama todo mundo pra dançar. Eu, que adoro dançar, sou o primeiro a chegar onde está o som. Mas, a música que toca é da Xuxa. Mais precisamente, aquela que diz: "Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé..." E cuja coreografia consiste em colocar as nossas mãos na parte do corpo cantada na música.



O foda é que sempre tem aquelas tias cinquentonas, recém separadas, que não fazem exercícios físicos há anos, mas que querem mostar que continuam arrebentando nas pistas. Aí, resolvem fazer a coreografia da música, só que na hora do "...joelho e pé, joelho e pé..." suas mão não chegam nem na canela. Aí, elas forçam e dão um mau jeito na coluna.



Começo a pensar que se o mundo realmente for acabar em 2012, a tal festa já é o começo do fim!



Alguém grita:



- Uma menina caiu na piscina!



Todo mundo corre, mas, ninguém faz nada. Arranco os sapatos e pulo na água. Pego a menina e ela reclama:



- Me larga!



- Mas, eu tô te salvando!



- Me larga, eu sei nadar!



A menina é a aniversariante, Angélica, que de angelical não tem nada! Pois, além de me xingar, ainda me acerta um chute nos "países baixos".



Saio da piscina encharcado, com o saco cheio e, agora, dolorido. Wilma me oferece roupas de Horácio, mas, como ele é ainda menor que o Pequeno Pônei, elas não servem em mim.



O jeito é pegar um uniforme de garçom.



Já com o uniforme de garçom, passo próximo ao grupo de empresários e um deles pede:



- Ô Campeão, pega um uisquezinho pra mim!



A festa está "tão boa" que sinto vontade de chorar! Resolvo ir pra cozinha e me esconder lá. Como estou de uniforme não sou barrado na entrada.



Um dos garçons olha pra mim e diz:



- Ei, folgado, vai ficar parado aí?



- Mas, eu não sou garçom. Eu sou o cara que entrou na piscina e pegou o uniforme emprestado.


- Ah, é mesmo!



- Escuta, você não tem nada de salgado pra comer aí? Não aguento mais comer docinho, já tô até com azia!



- Só um instante!



O garçom vai e volta com uma bandeja repleta de escargot!



- Credo, cara! Eu não vou comer lesma! Me arranja qualquer coisa "normal" aí, uma bolacha Cream Cracker que seja!



- Olha, eu também não gosto de comida chique, por isso, trouxe um lanchinho de casa!



- Ah é? E o que é?



- Pão com mortadela!



- Hummmmmmmmmmmmm! Eu topo!



- Eu vendo!



- Dou 10!



- 20!



- 15!



- Fechado!



O garçom vai buscar o lanche. Quando vou pegar minha carteira no bolso, descubro que ela ficou na calça molhada.



Saio dali o mais rápido que posso. Volto pra festa e já estão servindo o bolo. "Graças a Deus!"

Mais um pouco e já poderia ir embora.



Vinícius e outros garotos da idade dele (12, 13 anos) passam correndo. Entram na casa e sobem as escadas. Minha intuição diz que devo segui-los.



Ouço atrás da porta do quarto de Vinícius, os garotos cochichando e rindo muito. Depois de um tempo, Vinícius diz:



- Vamos descer!



Eu me escondo num banheiro ao lado. Depois que eles descem, entro no quarto e me deparo com uma verdadeira relíquia: a Playboy da Xuxa!



Começo a vislumbrar quanto dinheiro poderia ganhar leiloando aquela raridade na Internet.



Mas, logo em seguida, desanimo. Imaginando quanto poderia perder caso a Xuxa me processasse.



Pelo menos eu mataria a minha curiosidade. Quando vou abrir a revista, minha esposa aparece:



- Vamos embora!



-Ai, que susto! Por quê?



- Quebrou o salto do meu sapato. Vamos sair antes que alguém perceba!



- Justo agora!



Pego minhas roupas e saímos "à francesa". Já na rua, estendo o braço, grito "Táxi!" e imediatamente um táxi amarelo aparece. (Como nos filmes americanos).



Dentro do táxi, me sinto finalmente salvo! Mas, o motorista muda o trajeto e começa a seguir por um caminho escuro, vazio e sinistro.

- Ei, o senhor está indo pra direção errada!



Ele não diz nada. Pára o táxi e desliga os faróis.



Meu coração bate mais alto que a bateria da Beija-Flor!



O taxista desce do carro e desaparece. Resolvo descer também enquanto Dani fica no carro.



Não se vê muita coisa. De repente, surge uma luz no céu. Um disco redondo e enorme se aproxima e para sobre o táxi.



O óvni projeta uma luz azul e o carro, juntamente com a minha esposa são abduzidos!



- Nãããããããããoooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



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- Paulo, o que foi? Acorda!



- Hã?!



- Você teve um pesadelo?



- Hã?! Você não vai acreditar!



- Depois você conta. Agora, levanta e vai trocar de roupa pra gente ir logo?



- Ir aonde?



- Almoçar na casa do meu cunhado.



- Nããããããããããããoooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


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Essa é uma histórica fictícia, qualquer semelhança com pessoas e situações reais é mera coincidência.
Ou não!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Aniversário de Criança


Você acaba de pisar na festa e o aniversariante pergunta:

- Oi, tio Paulo. Cadê meu presente?

- Seu presente? Era muito grande pra trazer na mão. Ele vai chegar de helicóptero!

- Ohhhhhhhh! - as crianças admiradas respondem em coro.

Sua mulher te belisca e cochicha:

- Pra que mentir pro coitado?

- Coitado nada! Moleque sem educação! Onde já se viu cobrar presente?!

A falta de grana pra comprar presente era só um dos motivos pra você não querer ir aquela festa.

Depois de vocês, chega uma tia-avó do garoto que é “podre” de rica. Ela entrega um embrulho pra ele e diz: - É só uma lembrancinha, hein!

Ele abre, faz aquela cara de bunda e agradece. Mas, só porque a mãe mandou.

- Tá vendo? – você fala pra esposa – Melhor não dar nada do que dar um par de meias. Eu mesmo quando era criança odiava ganhar meias! Se bem que esse moleque merece!

- Shiiiiiiiiiuuuuuuuuuu!!!!!!!! – sua esposa te manda calar a boca sutilmente porque a amiga dela, a mãe do aniversariante está se aproximando.

- Oi gente, tudo bem? Vamos entrar lá na sala!

Você vai, tentando se esquivar das 638 crianças que correm a sua volta. Mas, é justamente daquela menorzinha, que ainda está aprendendo a andar, que é mais difícil de desviar. Ela ginga tanto na sua frente que você fica tonto, pisa num carrinho de brinquedo e cai de costas no chão. As crianças rolam de rir. Algumas gritam: “faz de novo!” Pra disfarçar sua vergonha e aproveitar a deixa você resolve dar uma de mágico: faz aquele velho truque de tirar moedas da orelha dos outros.

Ninguém ri.

Cansado de pagar mico, você entra na casa. Uma mulher vem com uma bandeja e te pergunta:

- O senhor quer beber alguma coisa?

- Veneno!

- Como?

- Cerveja, tem?

- Não!

Então, você pega um copo acreditando ser Fanta Uva. Mas, logo descobre que é Ki-Suco. E está quente!

Sua mulher encontra as amigas e engata num daqueles papos intermináveis. Você sai lá fora, onde tá rolando o churrasco e pensa: “já que tô aqui, vou aproveitar pra comer bastante!” O cheiro é muito bom. Você pega um naco de carne e morde com gosto. Você quase ouve o boi mugir. A carne está crua e dura feito pedra. Pra piorar, um fiapo enrosca nos dentes. Você passa a língua e percebe que está faltando algo. “Meu pivô!”

De repente, começa uma briga ao lado da churrasqueira. Todo mundo bate, todo mundo apanha. Você não conhece ninguém, nem gosta de briga, mas entra no meio do bolo. É preciso salvar seu dente postiço. Depois de algum tempo, a turma do deixa disso consegue apaziguar os ânimos. Os dois bêbados que começaram a briga se abraçam e choram pedindo desculpas e a festa continua como se nada tivesse acontecido. Você só não entende uma coisa: como aqueles caras ficaram bêbados tomando Ki-Suco quente? Não importa, você ainda não encontrou o seu dente.

Uma criança com uma zarabatana pega algo no chão e usa como munição para atingir os coleguinhas. “Nããããããão!” Tarde demais, seu pivô voa e cai no meio do bolo.

Você olha pra um lado. Olha pro outro. Aproveita que ninguém tá vendo e se aproxima do bolo que tá em cima da geladeira. Você vai pegar o seu dente, mas desembesta a rir quando percebe que ele está encaixado bem em cima de um dos dentes do Bob Esponja desenhado no bolo. Sua risada chama a atenção do aniversariante que quer saber o que é.

- Nada! – você diz escondendo a boca com a mão.

- Tio, que cê tá escondendo aí?

- Nada! Já falei.

- Deixa eu ver!

- Não! –
você descobre a boca.

- Hahahahahahaha!!!!!!!! O tio Paulo é banguela! Hahahahaha!!!!

As outras crianças aparecem e começam a cantar:

- Tio Paulo é banguela! Tio Paulo é banguela! Tio Paulo é...

Sem pensar mais, você mete a mão no bolo, pega o seu dente e o encaixa na boca. Um segundo depois, aparece a mãe do garoto.

- O que tá acontecendo aqui?

- Eles estavam mexendo no bolo, olha só como ficou! –
você diz apontando o bolo.

- Ahhhhhhh! Não acredito, Guilherme! Tenha a dó, viu!!!

- Mas, mãe, foi ele que...

- Chega! Vai brincar lá fora. E ano que vem não vai ter festa, ouviu?

“Tomara” – você pensa. Não tendo mais o que fazer ali, você resolve chamar a sua esposa pra ir embora. “Mas, nem cantou o parabéns!”- ela diz. Quando ela vai pegar a bolsa, antes de se despedir das amigas, o celular dela toca. “Atende pra mim” – ela pede.

- Alô!

- Alô, Paulo?

- Isso. Quem tá falando.

- Oloco! Cê não sabe? É o seu cunhado querido!

“Puta que o pariu!”

Ele continua:

- Viu, vocês estão em casa? A gente tava pensando em dar uma passadinha aí.

- Não, não estamos não. Na verdade a gente tá num aniversário.

- Aé? De quem? Vocês vão demorar pra voltar?

- Do filho de uma amiga da Dani. Olha, a gente vai demorar pra voltar sim, porque acabamos de chegar.

- Aé? Se você quiser eu vou buscar vocês!

- Não, obrigado!

- Onde é?

- Não precisa! Obrigado!

- Eu vou buscar. Onde é?

- Quixeramobim!

- Nossa! Onde fica isso?

- Ceará!


Sua esposa aparece e pergunta:

- Quem era?

- Dona Dulce, nossa vizinha.

- O que ela queria?

- Disse que a nossa rua foi interditada porque ouve um surto de lagartixas.

- Ai, credo, sério?
(sua esposa tem pavor de lagartixas).

- Sério, acho que vamos ter que dormir aqui.

- Aqui? Ah, não. É chato.

- Mas, não dá pra voltar pra casa hoje. Onde, então?

- Ah, já sei! Na casa da minha irmã.
(esposa do mala!)

Moral da história: quanto mais você reclama de uma coisa, mais essa coisa te persegue, seja essa coisa aniversário de criança, carne crua ou cunhado mala!