1 – Cães soltos. (Não os vira-latas da rua, mas os cachorros de raça que escapam pra rua);
2 – Prédios ou condomínios sem porteiro ou zelador.
Vou comentar a desgraça número 2.
Dias atrás, fui fazer a leitura da luz num prédio que fica numa rua muito movimentada. Como não havia interfone, nem porteiro, tive que ficar gritando, batendo palmas e agitando os braços no meio da rua (como se estivesse atrás do trio da Ivete Sangalo) pra ver se alguém me via por uma das janelas.
No terceiro andar, apareceu um rapaz com cara de chapado falando mole:
- Que que ééééééé?
- Eu preciso entrar para fazer a leitura da luz!
- Tá.
Do seu apartamento, ele acionou um botão que abriu o portão automático e eu entrei. Só que, mais a frente, a porta de vidro que dava acesso aos relógios de energia estava trancada. Tive que bater palmas de novo. O chapado reapareceu:
- Que que ééééééé?
- É que a porta de vidro tá fechada.
- Ah, cara... então... chama outra pessoa. Eu tô dormindo!
Como assim ele tava dormindo? Então eu era o que, um sonho, um pesadelo, uma alucinação dele?
Virei as costas para ir embora, quando ouvi a porta de vidro destravar atrás de mim. Era uma mulher que saía. Fui até ela e disse:
- Bom dia! Posso aproveitar pra fazer a leitura de luz?
- Claro, claro! Fica à vontade!
A moça saiu enquanto eu fazia as leituras. E quando eu fui sair do prédio, surpresa: ela havia trancado o portão automático!
Tive que recorrer ao chapadão, outra vez!
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É importante comentar que, nem sempre, a presença de um porteiro, zelador ou caseiro é uma solução.
Às vezes, é até pior!
Imagina a situação:
Chego numa chácara para fazer a leitura. Ela é tão grande que o portão de entrada fica em Atibaia, mas, a casa mesmo (de onde virá a pessoa para me atender) fica quase no Amapá!
Se houvesse um interfone, aconteceria a seguinte situação:
- Quem é?
- Leitura da luz.
- Pode entrar que os cachorros estão presos.
Simples!
Mas, não há interfone. Só campainha. De modo que eu tenho que ficar esperando a pessoa vir me atender.
Pra “ajudar”, o caseiro é um senhor que aparenta ter pelo menos uns 300 anos. Eu toco a campainha e, graças a Deus, ele escuta. Vagarosamente ele vem em minha direção.
Pra passar o tempo enquanto espero, começo a rabiscar umas folhas que trago no bolso.
Quando o caseiro finalmente chega, já passa de 2012, o mundo já acabou e recomeçou e eu estou com 3 livros muito maiores do que O Senhor Dos Anéis nas mãos, prontinhos para serem publicados. Ele pergunta:
- O que é?
- Eu vim fazer a leitura da luz, senhor.
- Ahhhh! Espera só um pouquinho que eu vou buscar a chave.
Começo a pensar se aquele tiozinho não é o Ivo Holanda disfarçado tirando uma comigo.
Espero muuuuuuuuuuito. Quando ele volta, já estou mais velho do que ele. O caseiro olha pra mim e pergunta:
- Ué? Cadê o menino que veio tirar a leitura?
- Sou eu mesmo! – respondo.
Ele olha pra mim, me examina, depois “dá com os ombros” e diz:
- Então tá!
Ele pega o chaveiro com 800 chaves. Ainda bem que ele sabe de cor de onde é cada uma. Quando ele puxa a corrente do portão pra pegar o cadeado, ela sai na sua mão e ele diz:
- Ah! Já tava aberto!
