Ultimamente, o tempo anda muito seco em todo o Brasil.
Aqui em Atibaia não é diferente. E eu, que trabalho na rua, sinto bastante os efeitos desse clima desértico.
O vento já não é constituído apenas de ar, agora também contém uma espécie de areia fina. O que me garante uma esfoliação fácial diária.
Na última quarta-feira, em especial, o nível de umidade do ar estava tão baixa que dei um espirro e saiu um tijolo.
Já tô pensando em abrir uma olaria.
Nesse mesmo dia, eu estava fazendo leitura de luz num setor com mais de 600 leituras.
Tirando o ar seco, o calor infernal, o fato de ser 3 horas da tarde e eu ainda não ter almoçado e a sede terrível que eu estava sentindo, tudo parecia bem.
Até que um sujeito engraçadinho parou do meu lado e perguntou o seguinte:
- Você tá marcando direito ou tá “chutando” a leitura?
Virei pra ele com a expressão mais sinistra que pude fazer e com toda a calma do mundo respondi:
- Se fosse pra “chutar” a leitura eu ficaria em casa, sentado no sofá porque é mais confortável!
O homem deu um sorriso tão amarelo que a cor se expandiu por todo o seu rosto como uma icterícia. Depois, virou as costas e foi embora calado.
Fiquei muito feliz! Afinal, até aquele dia eu nunca havia mandado alguém pra puta que o pariu com tanta categoria!
O bom de escrever é que a gente desenvolve a capacidade de falar o que quer nas entrelinhas.
E o bom de ser leiturista de luz é que a gente desenvolve a capacidade de ser tão paciente e tolerante quanto um monge budista.
OU NÃO!!!