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quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Nem Morto!"



Dias atrás, um colega de trabalho chamado Vitor foi fazer leitura de luz numa cidade vizinha à Atibaia.

Chegando ao cemitério da cidade, descobriu que havia um relógio de energia elétrica dentro da sala de velórios, que estava fechada. O jeito seria entrar pelo portão do cemitério que ficava do outro lado do quarteirão.

Mas, quando Vitor já caminhava em direção ao seu destino, alguém com uma voz muito estanha o chamou:

- Ei, moço!

- Ai! (primeiro susto)

- Você vai marcar a leitura da luz aqui na sala de velórios?

- Vou sim. (virando-se e encarando a mulher) – Ai! (segundo susto)

- Eu abro pra você.

A sinistra mulher sacou do bolso um molho de chaves e abriu a porta. Em seguida, perguntou:

- Você vai tirar a leitura da minha casa também?

Se ele nunca havia visto aquela mulher na vida, como ele poderia saber onde ela morava? As pessoas andam assistindo muito “O Astro”... Além disso, com aquela aparência, era bem provável que ela morasse nas profundezas do inferno.

- Mas... Onde a senhora mora?

- Na Rua Belo Horizonte.

- Eu marquei luz lá ontem.

- Ué? Mas, você não entrou na minha casa. Eu tava lá. Tenho certeza! Eu tô de férias.

- Bom, provavelmente o relógio de energia da sua casa fica do lado de fora.

- Ah, mas na minha casa tem muitos outros relógios. Tem na sala, na cozinha, no QUARTO...

Foi nesse momento que Vitor pensou: “Mas, antes tivesse dado a volta, atravessado todo o cemitério e cruzado com uma alma penada...” Terminou a leitura e agradeceu:

- Obrigado, senhora!

- Moço, você é quem vai tirar leitura aqui sempre?

- Acho que sim.

- Ai, que bom! Aqui nessa cidade só tem homem feio. Como é o seu nome?

- Vitor.

- O meu é Adélia. Prazer! Sou coveira.

E quando ele já estava a certa distância do local, ela completou:

- Volte sempre aqui, viu!

E Vitor respondeu mentalmente: “Nem morto!”


sábado, 9 de maio de 2009

Gripe Suína


Depois de terminar mais um dia de trabalho, dessa vez numa cidade vizinha, estava eu voltando pra casa, num ônibus lotado, com o sol queimando a minha cara e sentindo um terrível cheiro de porco suado no ar.

Pra completar, atrás de mim, duas mulheres, muito provavelmente inspiradas pelo “aroma do ambiente”, conversavam animadamente o assunto da moda:

MULHER 1: - Menina, cê viu o negócio do porco?

MULHER 2: - Ah, quer dizer que deu porco? Nem conferi o jogo do bicho ainda...

MULHER 1:- Não, tô falando da gripe suína. Aquela que veio do México.

MULHER 2: -Ah! Nossa, tá feia a coisa, não!?

MULHER 1:- Ontem eu vi no jornal que tem mais de três mil com a doença no mundo, em vinte e nove países.

MULHER 2: - Será que chega no Brasil?

MULHER 1: - Cê não viu? Já chegou. Aqui já tem uns quatro casos.

MULHER 2: - Credo! Aqui em Perdões?

MULHER 1: - Não!

MULHER 2: - Ah, em Atibaia?

MULHER 1: - Não, no Brasil, coisinha!

MULHER 2: - Ahhhhhh!


No Brasil é assim. Sempre que um assunto está em voga, tem pessoas que sabem tudo sobre o mesmo, inclusive números, como é o caso da mulher 1. E há também aqueles que, por mais que sejam bombardeados diariamente pelo noticiário e pelos comentários a sua volta, estão “viajando na maionese”, como a mulher 2.

Mas, como a vida é realmente cheia de surpresas, o melhor da conversa veio a seguir:

MULHER 1: - Agora todo cuidado é pouco. A gente tem que evitar ir pra São Paulo e outros lugares que tem gente contaminada. Também tem que ficar longe de multidão e lavar bem as mãos, disse o médico na televisão.

MULHER 2: E o meu marido querendo assar um porco no rolete, domingo! Cê acha, coisa!?

MULHER 1: Ah, mas não tem problema não. Pode assar carne sim,...

“Ainda bem que essa é bem informada.” – pensei. “Agora ela vai explicar pra outra que comer a carne do porco não faz mal e...”

MULHER 1: ... desde que não seja carne de porco!

Como não poderia ignorar uma mulher tão “bem” informada, depois desse dia, tomo todo o cuidado possível. Por isso, enquanto esse surto de gripe suína, ou gripe mexicana não acabar, declaro aqui neste blog que NÃO CUMPRIMENTO PALMEIRENSES NEM ASSISTO MAIS O CHAVES!

E TENHO DITO!