AS AVENTURAS DE UM LEITURISTA DE LUZ (E OUTRAS HISTÓRIAS) SOB UM PONTO DE VISTA BEM HUMORADO.
sábado, 20 de novembro de 2010
Enganos Telefônicos
sábado, 19 de dezembro de 2009
Varal

Certo dia, fui marcar a luz numa dessas casas e havia um varal cheio de roupas bem em cima do relógio. Marquei a leitura e quando caminhava para casa seguinte, ouvi uma mulher chamar:
- Moço! Moço! Você tá levando a minha roupa!
Percebi que havia algo enroscado no meu boné. Olhei: era uma minúscula calcinha pink!
Não sei por que mas, a minha vontade de rir sumiu assim que o "gigantesco" marido da moça saiu lá fora pra ver o que tava acontecendo.
Mas, pior aconteceu com um colega meu, o Claudio.
Claudio chegou numa casa pra fazer a leitura da luz. Nessa casa, há um muro com um buraco de onde é possível ver o relógio de luz e tirar a leitura.
Nesse dia, porém, havia um varal com um monte de roupa cobrindo o relógio.
Claudio pensou em enfiar a mão pelo buraco e afastar a roupa. Mas, teve medo de que do outro lado houvesse um cachorro esperando pra dar o "bote".
Tocou a campainha da casa. Uma voz lá de dentro gritou:
- Quem é?
- Leitura da luz!
- Ué!? E não dá pra você ver de fora?
- Dá. Mas, hoje tem um monte de roupa na frente do relógio.
Havia muita roupa mesmo. Tanto, que nem a própria mulher conseguia encontrar o relógio.
- Moço, onde que tá o relógio?
E Claudio falou com a boca no buraco:
- Aqui no canto senhora!
- Aqui?
- Isso! Agora é só a senhora levantar a saia.
Nesse dia, Claudio não conseguiu fazer a leitura. Mas, também, como é que ele ia saber que a mulher do outro lado era crente?
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Leiturista?

Outro dia me perguntaram por que o meu blog se chama "P S: O Leiturista".
sábado, 10 de outubro de 2009
As pedras no caminho do leiturista de luz
Certa vez, estava fazendo a leitura dentro de um condomínio. Quando cheguei próximo a uma das casas, a porta da sala estava aberta e lá dentro havia uma senhora loira apenas de calcinha e sutiã.
Antes que ela me visse, comecei a andar de ré.
Foi a primeira e única vez que fiz o “Moonwalker”, aquele passinho famoso do Michael Jackson.
Aí, quando estava numa distância segura, gritei:
- Leitura da luz!
A filha da mulher (linda por sinal) apareceu e disse:
- Só um minutinho!
Pensei: “Será que ela vai tirar a roupa também?”
Infelizmente, não! Ela apenas fechou a porta pra que eu pudesse me aproximar.
Até hoje eu fico pensando o que aquela senhora fazia ali naqueles trajes. Seria ela a Copélia?
Mas, constrangedor mesmo foi o seguinte caso: fui fazer a leitura em duas casas que ficavam no mesmo terreno, uma na frente e a outra no fundo. Fiz a leitura da primeira casa. Perguntei pra moradora se havia alguém na casa do fundo e ela respondeu:
- O portão tá aberto, pode entrar.
Entrei. O relógio de luz ficava ao lado da porta da sala, que estava aberta. Quando me aproximei dele, foi inevitável não ver aquela cena: um casalzinho estava dando um “puta amasso” no tapetinho da sala!
Dessa vez não deu pra escapar. A moça me viu e eu comecei a me desculpar desesperadamente:
- Desculpa... Não sabia que tinha gente aqui... A moça da casa da frente me mandou entrar e...
Ela não respondeu nada. Em compensação, deu uma bufada de boi bravo que me fez calar a boca na hora!
Fiz a leitura e saí dali o mais rápido que pude. De longe se ouvia a bronca que a menina dava na vizinha.
Constrangimentos a parte, com certeza a maior pedra no caminho do leiturista de luz são os cachorros ferozes.
Porém, há outros tipos de animais que podem ser tão perigosos quanto. Na zona rural, por exemplo, os leituristas podem encontrar abelha, aranha, cobra, chupa-cabra, lobisomem (no caso de se trabalhar em Joanópolis) e, claro, gente que age como cavalo.
No Mato Grosso, onde fica o Pantanal, nas áreas mais afastadas os caras fazem leitura de jipe, pois há o perigo de se cruzar com uma onça no meio do caminho.
Aqui mesmo, em Atibaia, já cruzei com animais de várias espécies.
Outro dia, fazendo leitura num bairro chamado Alvinópolis II, encontrei um tucano na porta de uma casa. E o filho da mãe ainda tentou me dar uma bicada!
Na Vila São José, estava parado na frente de uma casa, esperando ser atendido, quando vi dois pequenos jatos d’água passando bem na frente dos meus olhos. Eram dois macaquinhos que estavam no muro fazendo xixi!
Falando nisso, uma vez, estava fazendo leitura na frente de uma casa quando um cachorro que estava do lado de dentro se aproximou do portão. Dei um passo para trás e a dona da casa disse:
- Pode se aproximar! Ele é mansinho!
Encostei no portão pra ver a leitura. O cãozinho começou a me cheirar e percebi que, de fato, ele era manso.
Nesse dia, fazia um calor infernal. Eu, que normalmente já sou muito calorento, estava prestes a derreter. Pedi um copo d’água pra dona da casa e fiquei esperando ali, em frente ao portão.
Mas, apesar do sol intenso e da calça grossa que uso como uniforme, achei muito estranho quando minhas pernas começaram a “suar muito e repentinamente”. Então, resolvi olhar pra baixo.
Tarde demais! O cachorro havia mijado nos meus pés!
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Cachorro Quente


- Você lembra daquele Poodle que tinha aqui?
- Lembro.
- Então, ele morreu. (chorando).
- Nossa! Morreu de quê?
- O meu Pit Bull matou ele. (chorando ainda mais)
- Que horror!
- E agora, ele teve que ser sacrificado. (chorando quase desesperadamente)
- É uma raça muito violenta, mesmo.
- Mas, eu vou arrumar outro. (enxugando as lágrimas)
- Se a senhora quiser, eu tenho um conhecido que está doando filhotes de Poodles.
- Que Poodle, o que! Eu vou arrumar é outro Pit Bull! (olhos secos de ódio)
Só espero que ela não arrume outro Poodle, também.
A história abaixo, também é real, e aconteceu com um colega da cidade de Guarujá (litoral de São Paulo).
O leiturista bateu numa casa e uma mulher apareceu assustada e chorando.
- Senhora, o que aconteceu?
- Meu Poodle!
- O que é que tem ele?
- Um gavião desceu no meu quintal, pegou ele e levou embora.
Depois de ler essas duas histórias verídicas, você, leitor, deve ter chegado a conclusão de que os cães da raça Poodle, definitivamente, são muito azarados.
Mas, não se engane!
A verdade é que os Poodles são sim muito saborosos. E, graças a isso, ainda não foram incluídos no indigesto cardápio do programa No Limite, que inclui: olhos de cabra, peixe vivo e ovos galados.
sábado, 15 de agosto de 2009
Quem tem medo do leiturista mau?

Dias atrás, fui fazer a leitura da luz num prédio com 6 apartamentos e que tem os relógios de energia elétrica do lado de dentro. Como não há porteiro, quem sempre abre o portão automático pra eu entrar é a moradora do apartamento número 1.
Por azar, nesse dia, ela não estava. Então, fui obrigado a tentar a sorte tocando os outros números na sequência.
Número 2: toquei 3 vezes. Ninguém atendeu.
Número 3: no primeiro toque, uma voz de mulher:
- Pois não?
- Bom dia, vim fazer a leitura de luz.
(Silêncio)
- A senhora pode abrir o portão pra mim? É que a moradora do apartamento 1, que é quem sempre abre, não está.
(Silêncio)
- Senhora?
(Barulho de interfone desligando)
Esperei por 5 minutos. Nem sinal da mulher. Toquei o interfone novamente. Sem sucesso.
Parti pro número seguinte.
Número 4: 3 toques. Ninguém.
Número 5: 1 toque e outra mulher atende:
- Oi.
- Bom dia. Eu vim fazer a leitura da luz. A senhora pode fazer a gentileza de abrir o portão pra mim?
- Olha, moço. Eu tô no meio do banho. Você não pode apertar outro número?
Sempre que uma pessoa não quer abrir a porta pra eu entrar, ela inventa desculpas esfarrapadas. E a pior de todas é aquela:
“- Ai, moço. Meu marido saiu, levou a chave e eu tô trancada aqui até ele voltar.”
Dá vontade de falar:
“- Meu Deus, que tragédia!”
“- Ué? Tragédia por quê”
“- Sua casa está pegando fogo!”
Queria ver se ela não encontrava a chave na hora.
Voltando a história.
Número 6: silêncio.
Decidi continuar minha leitura nas outras casas. Quando terminei, 2 horas depois, voltei ao “bendito” prédio.
Pulei o apartamento 3 e toquei todos os outros números, sem sucesso. Toquei o número 3. Dessa vez, a mulher não atendeu, mas olhou pela janela. Levantei os braços mostrando o aparelho de leitura na minha mão. Esperei uma resposta. Sem retorno.
Comecei a pensar se aquela mulher realmente existia ou era apenas uma alucinação provocada pelo calor (do sol e da raiva). Sem contar a possibilidade de estar tendo contado com uma alma penada que não estava autorizada a abrir o portão do prédio pra mim.
Quando a gente não consegue fazer leitura, o cliente recebe uma carta pedindo que da próxima vez, deixe acesso livre ao relógio de luz. Aí, muitos desses clientes tem a cara de pau de pegar o telefone e ligar pro nosso 0800 dizendo:
“- Ah, mas o leiturista não passou na minha casa!”
Sabe aquela frase: “Cliente tem sempre razão?”. Ela só perde em imbecibilidade praquela outra: “Dinheiro não traz felicidade”.
Pra não levar “broncas” posteriores, decidi infernizar aquela mulher até ela me atender.
Juro! Toquei o interfone dela 10 vezes! Mas, não adiantou nada.
Fiquei pensando numa coisa mais radical. Não sabia se colocava um palito no interfone pra ele tocar até explodir ou se jogava uma granada de mão na janela dela pra explodir o prédio inteiro, mesmo. Como não tinha palito (e muito menos uma granada) soltei um grito cujo abalo provocado deve ter alcançado pelo menos 8 graus na Escala Richter:
- LEITURA DA LUZZZZZZZZZZZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Na mesma hora, o pipoqueiro que descia a rua e passava atrás de mim disse:

- O Campeão, tem interfone aí!
Minha fúria era tamanha que eu seria capaz de estourar todo o milho de pipoca dele só com o olhar. E outra: por que as pessoas insistem em me chamar de “Campeão”? Campeão de quê, cacete! Só se for campeão de paciência!
Fui embora sem conseguir fazer a leitura nesse prédio. E sabe por quê?
Porque, hoje em dia, as pessoas vivem com medo. E pra piorar, ficam vendo esses programinhas "maravilhosos" que passam à tarde tipo “Brasil Urgente”, “Cidade Alerta”. Aí, num determinado dia, assitem uma reportagem do tipo: “Em São Paulo, um bandido vestido com uniforme do Correio, assaltou uma casa.”
E o povo fica pensando que todo mundo que usa uniforme, é bandido.
Tá certo que muita gente acha que o valor da conta de luz é um “roubo”. Mas me chamar de ladrão porque sou eu que marco esse valor, aí já é demais.
Primeiro porque eu apenas copio o número que está no relógio de luz. O aparelho engole a leitura e faz a conta sozinho, como uma calculadora.
Segundo e principal. O dinheiro arrecadado com as contas, com TODA A CERTEZA NÃO VEM PARAR NO MEU BOLSO!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
ATENÇÃO: Ninguém presta atenção! 2
Ontem, assisti o comecinho do Jornal da Globo e fiquei surpreso com a notícia de que um leiturista da luz foi mantido em cárcere privado por mais de 30 horas em São Paulo.O leiturista executava a leitura de luz numa casa quando foi convidado a entrar e tomar um café. Mas, no lugar do café, ele foi ameaçado com uma arma, amarrado e torturado com choques elétricos. Depois, o seqüestrador o obrigou a fingir que era um assaltante de bancos e o filmou segurando talões de cheques, cartões e uma arma. Em seguida, ligou para uma vizinha e disse que ele era a vítima do seqüestro.
Depois de ouvir dois tiros, os vizinhos chamaram a polícia. O morador manteve a sua versão de que era vítima, mas a polícia aprendeu a arma, o aparelho de choque e o vídeo que o incriminaram.
Tá.
Juro que o que vou contar abaixo é verdade!
Hoje de manhã, fui fazer a leitura da luz num bairro aqui da minha cidade. Cheguei numa casa, bati palmas no portão e a moça de sempre (faço leitura lá há 4 anos) me atendeu.
- Oi, moço.
- Bom dia. É a leitura da luz.
Ela olhou pra alguém que eu não conseguia ver e deu uma risadinha. Depois, veio em minha direção com um sorriso meio nervoso e perguntou:
- Moço, você é leiturista mesmo?
- Claro. Por quê?
- É que eu acabei de ver no jornal que um cara vestido de leiturista seqüestrou um morador em São Paulo e...
- Peraí, moça. Não é bem assim. Quem foi seqüestrado foi o leiturista...
Tive que explicar a história toda pra moça.
Depois, quando eu falo que ninguém presta atenção nas coisas, eu sou o chato!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
ATENÇÃO: Ninguém presta atenção!

Segunda-feira. 8 da manhã. Mais uma jornada semanal de leituras de luz está começando. Logo na primeira casa do roteiro, é preciso entrar. O padrão de energia elétrica fica do lado de dentro. Como não há campainha, bato palmas e solto o velho bordão:
- Leitura da luz!
Uma mulher responde da janela:
- Já vai!
Ela aparece, anos-luz depois. Pra não perder o costume, vou logo dizendo:
- Bom dia, senhora. Vim fazer a leitura da luz.
Ela abre o portão e responde:
- Bom dia! Pode entrar.
Em seguida, ela se abaixa para limpar o hidrômetro e diz:
- Nossa! Que sujeira! Como vocês conseguem enxergar a leitura da água desse jeito?
- Não é leitura da água, senhora. É leitura da luz.
- Ah, tá.
Lá de dentro, o marido da mulher se manifesta:
- Que que tá acontecendo aí, Bem?
- O moço veio medir a água.
- Não é água, senhora. É luz!
Termino a leitura e agradeço a mulher. Ela entra e quando estou indo embora, aparece o marido com uns 10 quilos de envelopes nas mãos.
- Ei, grande! Dá uma chegadinha aqui.
- Pois não!
- Já falei pro outro carteiro e vou falar pra você, também: esse João da Silva - mostrando o nome marcado num dos envelopes - é o cara que morava aqui antes de mim. Agora, que ele se mudou, não quero mais que vocês fiquem entregando estas porcarias na minha casa!
- Mas, senhor...
- Ah, não quero saber! Isso é um problema de vocês. Toma! Leva essas merdas de volta pro correio.
- SENHOR!
O homem se assusta.
- Eu não sou carteiro. Sou o leiturista da luz!
- Ah, tá. Mas, você também não fala nada!
O homem finalmente entra. Quando me viro pra seguir o meu caminho, aparece uma mulher correndo desesperada:
- Moço! Por favor, não me multa!
- O quê?
- Eu sei que nesse lugar é proibido estacionar, mas é que eu só parei por causa de uma emergência, tive que ir correndo até à farmácia comprar um absorvente e...
- Moça! Calma! Eu não sou guarda de trânsito. Sou o marcador da luz!
- Ai, desculpa moço. Que vergonha! Desculpa! Ai! Desculpa...
Deixo ela meio que falando sozinha. Quando vou continuar as leituras, uma garota que está chegando à primeira casa me chama:
- Moço!
- Ooooooooooi! - já sem paciência.
- É você que veio consertar a Internet?
"Não! Eu sou um homem bomba disfarçado que veio explodir sua casa a mando do Bin Laden, de preferência abraçado a você!"
- Não, mocinha! Eu sou o marcador de luz!
-Ah, tá.
O dia todo segue com acontecimentos desse tipo. Depois da útima leitura, dou um suspiro profundo e pegunto aos Céus:
- Meu Deus, por que as pessoas nuncam prestam atenção em nada? Por que nuncam ouvem as outras? Por que há tantos enganos nessa vida?
De repente, surge por de trás de uma árvore um homem careca, barrigudo e com uma roupa muito estranha. Ele começa a explicar todas as minhas perguntas. Imediatamente, eu o reconheço, só não entendo a sua presença ali.
Depois que ele pára de filosofar, eu não resisto e pergunto:
- Desculpa! O senhor não é o Pandite, aquele sacerdote indiano da novela das 8?
- Tic!
- E o que o senhor faz por aqui?
- Are-baba! Aqui não é o caminho das Índias?
- Não. É Avenida Lucas Nogueira Garcês. Atibaia!
- Puta que o pariu! Entrei na história errada!
Tô falando que ninguém presta atenção !
sábado, 20 de junho de 2009
Estranhos Recados
Dias atrás, fui fazer a leitura da luz de duas casas que ficam em cima de uma academia.Quando cheguei à porta de entrada dessas casas, que fica ao lado da academia, havia dois recados.
O primeiro: “Senhores leituristas de água e luz, para fazer a leitura, favor pegar a chave da porta na academia ao lado. Obrigado.”
E com a mesma letra, o segundo dizia assim: “Senhor carteiro, a campainha não funciona. Para entregar correspondências, favor subir as escadas. A porta está aberta. Obrigado.”
Aí eu fiquei pensando: “O que é a tecnologia, não!”
Aquela porta deve ter um sensor de identificação de última geração. Quando chega o carteiro, ela abre pra que ele entre e entregue suas correspondências. Quando é o leiturista, ela trava e o “bestão” tem que pedir a chave na academia ao lado.
Mas, sabe de uma coisa? Acho que aquela porta devia estar com defeito, porque quando eu girei a maçaneta ela abriu. Ou seja, ela me confundiu com o carteiro.
“Até a porta, meu Deus!”
O pior aconteceu na cidade de Perdões.
Estava fazendo leitura em uma rua, quando quatro garotas de uns 15 anos mais ou menos se aproximaram falando alto, rindo, e me chamando de tio.
- O tio, cê vai marcar a luz dessa rua toda?
- Vou!
- Cê pode fazer um favor pra gente?
- Depende. Que favor?
- É só entregar uma cartinha naquela casa amarela, pro João.
- Em nome de quem?
- Ele sabe de quem é.
Cheguei a tal casa, enfiei a mão pelo vão do portão, abri a tampa do relógio de luz, marquei, fechei a tampa e quando estava colocando a carta na caixinha do correio, uma mulher apareceu à janela.
- Oi – eu disse. – É aqui que mora o João.
- É! – respondeu a mulher.
- É uma carta pra ele.
- Mas você não é medidor de luz?
- Sou. Foi uma menina que pediu pra eu entregar.
Fui embora e quando olhei pra trás, a mulher estava com a carta na mão, no meio da rua, parecendo procurar pelas meninas que já haviam sumido.
No mês seguinte, quando cheguei para marcar a luz, havia um cadeado na porta do relógio de energia.
Toquei a campainha, bati, chamei. A casa parecia vazia.
No mês seguinte a mesma coisa.
No terceiro mês, quando eu batia palma em mais uma tentativa de ser atendido, uma mulher que passava na rua, me disse:
- Moço, aí não mora mais ninguém, já faz um tempo.
- Aé? E a senhora sabe quem é o proprietário da casa?
- Ah, é o seu João do açougue da rua de baixo. Mas, o açougue tá fechado, o seu João tá internado.
- Ele tá doente?
- Depressão. Ele ficou muito mal depois que a mulher foi embora.
- Sério?
- Sério! Você acredita que uma vadia mandou uma carta de amor pra ele e a mulher dele pegou? E ele ainda teve a cara de pau de dizer que não tinha uma amante. Velho sem vergonha!
Nesse momento, saiu um rapazinho da casa ao lado e a mulher o cumprimentou:
- Oi João, você tá bom?
Foi então que eu percebi que a casa que eu entreguei a cartinha, não era “bem” amarela, era caqui. Amarela era a casa vizinha, de onde saiu o rapaz também chamado João.
E depois eu ainda reclamo quando o pessoal confunde o meu uniforme de leiturista (caqui) com o do pessoal do correio (amarelo).
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Perfumarias
Adoro perfumes. Mas, definitivamente, não tenho sorte com perfumarias.Certa vez, precisava comprar um presente para dar de Natal. Já era 23 de dezembro e eu ainda não havia me decidido.
Nesse dia, terminei meu trabalho próximo a uma perfumaria famosa aqui da cidade. Aproveitei o “milagre” de estar quase vazia e entrei.
Num canto, quatro vendedoras mais maquiadas que os integrantes da Banda Kiss, conversavam.
Observei as prateleiras. Olhei alguns kits. Experimentei fragrâncias.
Já estava tendo uma crise aguda de rinite alérgica e elas continuavam agindo como se eu não estivesse ali.
“Caramba! Será que eu tô fedendo?”
Claro que não. Isso seria um ótimo motivo para ser atendido. Mas, qual seria o problema, então?
De repente, vi meu reflexo num espelho: eu estava usando uniforme!
Provavelmente, aquelas meninas pensam que quem usa uniforme não tem dinheiro pra comprar perfume. Elas tem razão. Segundo um Correio Braziliense de 2002, um piloto de avião no topo da carreira chega a ganhar um salário mensal de apenas R$ 24 mil... E eles usam uniforme!
Eu estava indignado com tanto preconceito.
Pensei em chamar uma delas e começar a falar em Inglês. Mas não o fiz.
Primeiro, porque não gosto de humilhar ninguém.
Segundo, porque não sei falar Inglês.
Pensei em outras alternativas como pegar um perfume e sair sem pagar, anunciar um assalto, acender um famoso “peido de velha” atrás do balcão. Tudo pra ver se chamava a atenção.
Mas nada precisou ser feito. Atrás de mim, ouvi uma voz me chamando:
- Paulo?
Virei e vi que era uma velha amiga que não encontrava havia tempos. Percebi que usava o uniforme da loja. Depois do abraço e um pouco de conversa ela perguntou:
- Posso te ajudar?
- Só se você for a gerente.
- Eu sou.
Aí eu fui à forra:
- Então, é que estou aqui faz pelo menos 20 minutos e pude perceber que a perfumaria está carente de vendedores. Posso deixar um currículo?
Minha amiga entendendo minha ironia disse:
- Infelizmente nós não estamos contratando no momento. Mas, é uma coisa pra se pensar.
Nisso, as meninas já haviam se ligado. Uma delas veio até nós e se dispôs a me ajudar.
- Você quer olhar algum perfume?
- Não, obrigado. Eu já enjoei de olhar. Agora vou levar.
E com um sorriso no rosto, peguei o kit mais caro. Não por vingança, mas porque a pessoa que o ganhou merecia.
As garotas, além de não receberem a comissão do meu presente, tomaram uma dura da minha amiga, mais tarde.
E a loja, uma semana depois foi assaltada. Segundo consta nos jornais, por "bandidos bem vestidos".
------------------------------------------------------------------------------------------------
Situação estranha aconteceu também numa outra perfumaria bastante conhecida do centro da cidade.
Um sobrinho meu, sabendo que eu trabalharia num determinado dia próximo a essa perfumaria, pediu que lhe comprasse um desodorante.
Vou chamar o desodorante de Desodorante X.
Nesse dia, após o trabalho, entrei nessa loja de perfumes e, como estava com certa pressa de ir embora, fui direto ao assunto:
- Boa tarde! Eu quero levar um desodorante desse aqui. - e apontei o Desodorante X.
- Mas, o senhor não quer experimentar primeiro?
Bom, aí eu tive certeza de que quando estou de uniforme, além de ficar com cara de pobre, fico com cara de burro. A vendedora deve ter pensado que escolhi aquele desodorante porque “achei a embalagem bonitinha”.
- Não precisa, eu já conheço. Além disso, não é pra mim, é pro meu sobrinho.
- É desse daqui mesmo?
- É. Desodorante X não é esse?
- É, só que desse aqui não tem mais. Só essa amostra.
Era só o que faltava.
- Vou ligar pra ele.
Peguei o celular e liguei pro meu sobrinho. Ele disse que eu poderia comprar o Desodorante Y, ou o Desodorante Z no lugar do X.
- Tem Desodorante Y?
- Vendi o último antes de você chegar.
- E o Desodorante Z?
- Ele vai chegar hoje, lá pelas 5 e meia.
Já era 4 e meia da tarde, mas eu não podia esperar.
- Vou fazer o seguinte, volto aqui amanhã cedo.
- Amanhã estará fechado pra balanço.
- Depois de amanhã, sábado.
- Fecharemos pra uma pequena reforma.
- E quando abre de novo?
- No sábado seguinte.
Uma semana depois eu estava lá.
- Olá! Desodorante X, tem?
- Continua faltando. E o Desodorante Y, também.
- Só falta você me dizer que o Desodorante Z acabou.
- Não, saiu de linha.
Depois dessa, se eu fosse meu sobrinho, juro que faria igual a Ana Maria Braga: nunca mais usava desodorantes.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
PASSAT
Ser colega de trabalho de verdadeiras lendas vivas é um dos maiores privilégios que o trabalho como leiturista de luz pode oferecer.Hoje, com a sua prévia permissão, vou falar sobre uma dessas lendas. Seu nome, ou melhor, codinome é Passat.
Passat é, quanto ao aspecto físico, o que podemos chamar de “irmão caçula da Bruxa do Mar”, do Popeye.
Mas, como ele não é verde, há quem o considere mais parecido com o “Mestre dos Magos”, da Caverna do Dragão, embora um pouco mais alto.
Pra descomplicar: Passat tem olhos azuis, é cabeludo, branco como cera e narigudo como... como... bem, não consigo encontrar um modelo de comparação entre os humanos. Talvez entre os animais.
Sim! Passat é trombudo como um elefante africano, é isso!
E foi justamente por causa da tromba que a empresa quase deixou de contratá-lo. Alegavam que ele traria muitos prejuízos, já que teria que usar um tubo de protetor solar por dia naquele narigão.
Contudo, ele acabou sendo contratado por conta de outro aspecto.
Passat é, como toda lenda, um ser tocado por Deus, dotado de um super poder que não é inerente as nós, simples mortais. Esse poder é a super velocidade.
Quando nós, os leituristas, ainda entregávamos as contas de luz, Passat era sempre o primeiro a terminar.
Na verdade, antes de sabermos que ele possuía esse dom supremo, não conseguíamos entender como ele conseguia entregar as contas antes mesmo delas chegarem até nós, em malotes fechados vindos do correio.
Quando ainda era criança, um amigo e eu sempre discutíamos sobre quem ganharia uma corrida: Flash ou Super-man.
Quanta ingenuidade infantil! Logicamente nenhum deles e sim o Passat!
Dias atrás, aconteceu algo surpreendente. Eram quase 6 da tarde, todos já haviam terminado a leitura, menos um: Passat. Nosso encarregado, então, pegou o telefone e ligou para ele:
- Alô! Passat?
- Sou eu.
- O que aconteceu que você ainda não chegou?
- Tô enroscado numa cerca de arame farpado!
Ninguém foi até o local para ajudá-lo. Nem para ter certeza se aquela história era verdadeira.
Contudo, tenho pra mim que uma simples cerca de arame não seria capaz de detê-lo.
É mais provável que ele tenha sido barrado pela teia de uma aranha gigante.
Você, leitor, pode até pensar que estou louco por escrever isso. Mas, é por que ainda não conheceu os meus companheiros de trabalho. Pois, uma vez que você os conhece, nem a novelinha dos Mutantes da Record parece tão absurda!
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Aceita um cafezinho?

Às vezes, rola até alguma coisa pra comer.
Um dia, entrei numa pequena chácara para fazer leitura e, na hora de sair, um senhor disse pra eu pegar umas mexericas.
Peguei duas e agradeci.
- Pegue mais! – disse ele.
- Obrigado, essas aqui já dão!
- Que isso, rapai! Pegue mais lá! - falando alto - Peraí que eu pego procê!
Ele então pegou uma sacola enorme das Casas Bahia e começou a encher.
- Senhor, já tá bom.
- Pode levá qui tem bastante.
Eu já estava desesperado. E o homem continuava enchendo o saco.
- Senhor, como eu vou carregar tudo isso?
O velho parou. E me olhando com uma cara de poucos amigos disse:
- Ah, intão dexa aqui.
- Tá certo. Quando eu terminar as leituras, à tarde, volto pra pegar.
- Dexa essas qui tá na sua mão, tamém.
“Ué, mas essas eu posso carregar.”
Pra não contrariar mais aquele senhor, resolvi obedecê-lo. Larguei as duas mexericas ali e continuei o meu trabalho.
Mais tarde, terminado o expediente, cumpri o combinado. E voltei à pequena chácara.
Bati.
- Que cê qué? - disse o senhor, atendendo a porta.
- Oi, eu sou o rapaz que marca a luz. O senhor disse pra eu voltar pra pegar as mexericas.
- Qui mexerica? Num lembro.
- Mas... as mexericas que o senhor apanhou e colocou numa sacola pra mim, hoje de manhã.
- Ah! Na sacola das Casas Bahia? - perguntou sorrindo.
- Isso mesmo. - respondi sorrindo, também.
- Cê num quis, dei pro leiturista da água, qui passo despois.
Dei muita risada. Mas quando vi que ele falava sério, fiquei constrangido.
“Meu Deus, como pode ser tão ignorante e irônico?”
Inconformado, virei às costas e fui embora. De repente, ouvi ele dizendo:
- Ei moço!
- Sim!
- Tóma!
E me fez uma “banana” com o braço!
Não entendi nada. Mas, pelo menos, não fui embora sem levar uma “fruta” pra casa.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Falando em fruta.
Havia uma casa onde, toda vez que eu ia marcar a luz, um senhor educado e simpático, me oferecia café.
Eu nunca aceitava.
Esse senhor também tinha o hábito de sempre me contar alguma coisa da sua vida. E eu, por educação, ouvia. O que atrasava um pouco o meu serviço.
Um dia, contou que veio de São Paulo há um ano e morava sozinho.
Outro dia, disse que adorava dar presentes e que dinheiro não era problema já que havia se aposentado muito bem.
Certa vez, disse que se sentia muito solitário, pois seus amigos não moravam aqui e que eu era muito especial por ouvi-lo.
Durante quase um ano, uma vez por mês foi assim: ele oferecia café, eu recusava. Contava um pedaço de sua vida e eu, pacientemente, ouvia. Tudo isso sempre falando com muita, mas muita educação e simpatia. E fazendo um biquinho pra falar que era muito engraçado.
Num dia muito frio de inverno, ele me ofereceu café e eu resolvi aceitar. Com um sorriso mais largo que o do Coringa ele então, me convidou pra entrar.
- Não, não. Eu espero aqui mesmo. - disse a ele.
- Imagina! Um minuto que você entrar não vai fazer diferença. Faço questão!
Entrei.
Não posso dizer que aquele foi o pior café da minha vida, porque estava muito bom.
O problema foi o “acompanhamento”.
Depois de me contar coisas de sua vida íntima ele olhou de um jeito malicioso pra mim e disse:
- Aceita rosquinha?
- Nã... não! - a voz até falhou. – Já tô de saída.
O homem correu feito uma gazela e parou com os braços e pernas abertos diante da porta dizendo:
- Você não vai embora sem antes provar da minha rosquinha.
Santo arrependimento!
Em 10 segundos, pensei numas duzentas alternativas:
1 - esmurrar aquele homem;
2 - dar uma de Jack Chan, sair correndo e saltar pela janela;
3 - gritar socorro;
4 - chorar;
5 - ...
Olhando fixamente pra ele de punhos cerrados, eu disse:
- Eu não comeria a sua rosquinha nem que fosse a última rosca de todo o mundo!
O homem, então, deixou-se cair chorando copiosamente sobre uma poltrona.
E eu saí dali o mais rápido que pude.
Dias depois, fiquei sabendo que aquele sujeito era um ex-confeiteiro e cozinheiro famoso, especialista em roscas. O homem havia ficado deprimido e falido, desde que nunca mais conseguira vender uma rosquinha sequer, após uma pessoa famosa ter morrido engasgada com uma delas, num evento finíssimo em Brasília.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Espiando pelo buraco
Por conta disso, acabo conhecendo vários lugares e pessoas. E passando por situações muito inusitadas.
Um dia, cheguei numa casa cujo padrão de energia elétrica ficava do lado de dentro. No muro, havia um furo com um cano, por onde eu deveria fazer a leitura.
Acontece, porém, que quando olhei no cano, havia do outro lado, um olho me olhando! Tomei um baita susto. Era uma criança. Pedi licença umas três vezes, mas ela nem saiu, nem piscou.
“Será que é empalhada?” – pensei.
Bati na porta pra ver se algum adulto me atendia e conseguia tirar o curioso dali.
Sem sucesso.
Então, não tive escolha senão usar de todo o meu conhecimento em psicologia infantil (adquirido graças a compra do Box com 3 DVDs da primeira temporada da Super Nany) para formular a frase que finalmente convenceria aquela singela criança a sair da frente do relógio e me deixar trabalhar:
- Ô moleque, sai daí se não vou enfiar o dedo no teu olho !!!
Nada como falar com jeitinho.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
A casa era antiga e o seu padrão ficava dentro da sala.
Bati no portão.
Nada.
Bati outra vez. Percebi que, através de um pequeno buraco no portão, alguém me espiava. Resolvi dizer:
- Bom dia! Você que está aí do outro lado do portão, pode abri-lo para eu possa entrar e fazer a leitura da luz?
Vagarosamente a porta se abriu e uma mulher de cabelos desgrenhados disse:
- Pensei que cê era da polícia.
Como usamos uniforme, é muito comum as pessoas nos confundirem com outras pessoas que também usam uniforme e trabalham na rua, como policiais, entregadores do correio, leituristas da água, guardas municipais, prostitutas, ah, quer dizer... digo... Mas isso é outra história que conto depois. Voltemos a casa da despenteada.
Passei pelo portão e uns 15 cães latiram e pularam em cima de mim.
- Pode entrá, mano. Us cachorro bravo tão preso lá nu fundo... A parada que se qué fica na sala...
Quando entrei na sala entendi o medo da polícia e a lerdeza no falar da descabelada. Havia um cheiro e uma fumaça branca no ar que não me deixavam dúvidas.
“Será que eu morri?”
Não!
Mas posso jurar que depois de algum tempo dentro daquele ambiente de “paz”, comecei a ouvir, embora não tivesse nenhum som ligado por perto, os primeiros acordes da música “Is This Love?”, do Bob Marley.
sábado, 9 de maio de 2009
Gripe Suína

Pra completar, atrás de mim, duas mulheres, muito provavelmente inspiradas pelo “aroma do ambiente”, conversavam animadamente o assunto da moda:
MULHER 1: - Menina, cê viu o negócio do porco?
MULHER 2: - Ah, quer dizer que deu porco? Nem conferi o jogo do bicho ainda...
MULHER 1:- Não, tô falando da gripe suína. Aquela que veio do México.
MULHER 2: -Ah! Nossa, tá feia a coisa, não!?
MULHER 1:- Ontem eu vi no jornal que tem mais de três mil com a doença no mundo, em vinte e nove países.
MULHER 2: - Será que chega no Brasil?
MULHER 1: - Cê não viu? Já chegou. Aqui já tem uns quatro casos.
MULHER 2: - Credo! Aqui em Perdões?
MULHER 1: - Não!
MULHER 2: - Ah, em Atibaia?
MULHER 1: - Não, no Brasil, coisinha!
MULHER 2: - Ahhhhhh!
No Brasil é assim. Sempre que um assunto está em voga, tem pessoas que sabem tudo sobre o mesmo, inclusive números, como é o caso da mulher 1. E há também aqueles que, por mais que sejam bombardeados diariamente pelo noticiário e pelos comentários a sua volta, estão “viajando na maionese”, como a mulher 2.
Mas, como a vida é realmente cheia de surpresas, o melhor da conversa veio a seguir:
MULHER 1: - Agora todo cuidado é pouco. A gente tem que evitar ir pra São Paulo e outros lugares que tem gente contaminada. Também tem que ficar longe de multidão e lavar bem as mãos, disse o médico na televisão.
MULHER 2: E o meu marido querendo assar um porco no rolete, domingo! Cê acha, coisa!?
MULHER 1: Ah, mas não tem problema não. Pode assar carne sim,...
“Ainda bem que essa é bem informada.” – pensei. “Agora ela vai explicar pra outra que comer a carne do porco não faz mal e...”
MULHER 1: ... desde que não seja carne de porco!
Como não poderia ignorar uma mulher tão “bem” informada, depois desse dia, tomo todo o cuidado possível. Por isso, enquanto esse surto de gripe suína, ou gripe mexicana não acabar, declaro aqui neste blog que NÃO CUMPRIMENTO PALMEIRENSES NEM ASSISTO MAIS O CHAVES!
E TENHO DITO!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Preconceito

Não os cães vira-latas que andam em bando. Mas os furiosos cachorros de raça cujos donos insistem em deixar soltos.
Como é de costume, ao chegar para fazer a leitura numa casa que tem o padrão de energia do lado de dentro, batemos palmas e gritamos:
- Leitura da luz!
- Pode entrar senhor, o portão tá aberto.
- Sim, mas o cachorro está solto.
-Ah, ele não morde!
Só mastiga, imagino.
- Desculpe, mas se a senhora não prendê-lo, eu não entro!
Depois de repetir umas 15 vezes que o cão é bonzinho, obediente e tudo o mais que uma mãe pode desejar de um filho, ela finalmente desiste e prende o animal.
Mas, quando estou entrando na casa, ela recomeça:
- Senhor, quando você vir marcar a luz, pode entrar sossegado porque meus cachorros não mordem e...
Putz, de novo! 16 vezes, agora... Peraí, ela disse "meus" cachorros?
Quando olho para baixo, percebo uma fêmea albina de Pit Bull me cheirando. Cheira os pés. Cheira as mãos. Cheira o... ai, aí não. Acabei de casar, coitada da minha esposa...
- Maia, vem já com a mamãe!
E a Maia, vai. Graças a Deus! Ou a alguma entidade indiana, sei lá.
E eu vou em seguida. Ou pelo menos tento. Minhas pernas parecem feitas de gelatina.
Por educação, tento dizer obrigado (embora a vontade fosse dizer um palavrão), mas a minha voz não sai.
As mãos tremem tanto que é possível tirar um samba de partido alto no pandeiro.
Vagarosamente, começo a caminhar em direção à saída, pensando inconformado: "Caramba, prendeu o Mastin Napolitano, mas deixou solto o Pit Bull."
E quando falta um passo para sair da casa, completo o pensamento, aliviado: "ainda bem que era apenas um filhote".
Nesse exato momento, porém, eis que surge às minhas costas um terrível ser!
E ele morde, com gosto, o meu calcanhar!
É, definitivamente não se deve ter preconceito nem com os animais. Pois, o terrível ser era um Poodle Toy.
