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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Leiturista?



Outro dia me perguntaram por que o meu blog se chama "P S: O Leiturista".


"P S" são as iniciais do meu nome: Paulo Sergio.


"O Leiturista" é o nome da minha profissão atual: leiturista de luz.


Como todos já devem saber, trabalho na rua e uso uniforme. Mas, o que talvez não saibam é que sempre sou confundido com profissionais de outras áres.


Começando com o leiturista de água.


Às vezes, calha do leiturista de água passar no mesmo dia que a gente, só que um pouco mais cedo. Aí, quando tocamos a campainha de algumas casas, começa a confusão:


- Quem é?


- Leiturista da luz.


- Já passou hoje.


- Impossível, senhora.


- Já passou hoje sim! Até deixou a conta!


- Então, quem passou foi o leiturista da água. Eu estou fazendo a leitura da luz.


Silêncio eterno...


O portão automático se abre. Eu entro, tiro a leitura e quando estou saindo a mulher pergunta:


- E a conta?


- A conta não sai na hora, senhora.


- Como não? Mudou o sistema? Sempre saiu!


- A conta que sai na hora é a de água, senhora. A conta de luz só vem daqui a uma semana. E quem entrega é o carteiro.


A mulher faz aquela baita cara de desconfiada e diz:


- Sei!


Provavelmente ela pensa que eu não entreguei a conta pra ela porque não quis.


Só não sei o que eu ganharia com isso.

Aí, pra completar a confusão, a senhora entra e o seu marido pergunta:


- Quem era?


- O leiturista da água.


- De novo? Mas, já passou! Ei, moço!


As pessoas desconfiam de tudo, mesmo.


Outro dia, parei ao lado de um carro estacionado pra amarrar o meu sapato, quando uma mulher gritou da janela:


- Ei! Você chamou pelo menos?


- Como, senhora?


- Você por um acaso me chamou aqui em casa, antes de multar o meu carro?


- Não, senhora, eu não...


- Pois, devia! Eu moro aqui faz 35 anos e só parei o carro aí 2 minutos pra pegar um documento que esqueci e...


- Senhora! Só uma explicação: eu sou leiturista de luz, portanto, não vou multar o seu carro.


A mulher ficou muda. Depois de "3 anos" analisando meu uniforme, ela perguntou:


- Mas, você sabe se eu posso estacionar aí?


Se ela que mora na rua há 35 anos não sabe, porque é que eu, um leiturista, iria saber?


Aliás, acontece um negócio muito engraçado com a gente. As pessoas sempre acham que a culpa da conta delas vir alta é nossa. Ou seja, elas acham que nós não sabemos fazer leitura direito.


Por outro lado, elas acreditam que a gente sabe de coisas que nem Freud poderia explicar.


Na quarta-feira de manhã, mal saí na rua pra fazer leitura e já vieram me perguntar por que rolou o "apagão" na terça-feira à noite.

E eu é que ia saber?


Outro dia foi engraçado. Passei na porta de um campo de futebol onde estavam vários garotos uniformizados. Um deles, de uniforme verde, virou pra mim e perguntou:


- Vai ter jogo?


- Você tá perguntando pra mim?


- Tô! Vai ter jogo ou não vai?


- Sei lá!


Continuei andando e ouvindo a conversa dos moleques. O goleiro chegou pro garoto de verde e disse:


- Você é tonto?! Por que você perguntou pra ele se ia ter jogo?


- Ah, pensei que ele fosse o juiz.


Jamais imaginei ser confundido com juiz de futebol.


Pelo menos não xingaram a minha mãe!


Agora, o mais comum mesmo é ser confundido com guarda municipal.


Todas as vezes que paro próximo a uma avenida ou rua movimentada, as pessoas dos carros que passam por mim colocam rapidamente o cinto de segurança.


Acho até que merecia receber um pagamento do governo por contribuir indiretamente com a segurança no trânsito.


quinta-feira, 18 de junho de 2009

"VISITE ATIBAIA E GANHE UMA MULTA"

Na minha cidade, é muito comum encontrar carros adesivados com o título dessa história.

E é fácil entender o motivo.

Dias atrás, um amigo meu tomou uma multa quando passava numa avenida cuja velocidade máxima permitida é 30 km/h.

Detalhe: ele andava a 20km/h.

O motivo da multa? Um motoqueiro, que além de ultrapassá-lo pelo lado direito, ainda estava em alta velocidade.

Resultado: na foto do radar não apareceu a moto, só o carro do meu amigo, que pagou a multa e perdeu uns pontinhos na carteira.

- Da próxima vez, passo por cima do motoqueiro. - ele disse.

- E vai preso por homicídio doloso.

- Melhor do que levar outra multa!

Percebeu o tamanho da revolta?

Outro que ficou revoltado foi o pai de um outro amigo meu.

Domingo passado, ele foi à feira e, sistematicamente, como faz há 22 anos, deixou o carro na vaguinha de sempre. Quando voltou, a surpresa: multa por estacionar em local impróprio.

Quer dizer, "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

Ou melhor, se correr leva multa, se ficar leva também.

E há quem esteja tomando medidas extremas para escapar de uma multa.

Seu Milton leiteiro, por exemplo. Depois de mais de 50 anos na mesma profissão, entregando garrafas de leite diariamente, de casa em casa, numa carroça velha, decidiu abandoná-la.

Não a profissão, a carroça. Seu Milton agora entrega o leite a pé.

E quando algum cliente lhe pergunta sobre a carroça, ele explica:

- Ih, larguei mão, por causa dessas tar de murta. Sabe como é, né? O Pé de Pano (seu cavalo) é muito ligero, mió evita.

Ligeiro? O coitado do animal é tão velho, que deve ter sido adquirido no dia em que Deus distribuiu as primeiras amostras grátis de cavalo.

E se a situação chegou a esse ponto por aqui, há lugares em que está ainda pior.

Segundo li num jornal outro dia, enquanto Atibaia possui “apenas” 5 radares (3 fixos e 2 móveis) uma das nossas cidades vizinhas possui mais de 30.

Ouvi dizer que nessa cidade, a população está começando a surtar em consequência das multas.

Carros estão sendo abandonados nas ruas ou trancados dentro de garagens ou galpões. As pessoas, agora, só andam a pé.

E mesmo estando a pé, ninguém mais corre. Mesmo que isso lhe custe o emprego, por chegar atrasado, ou a vida, por se negar a sair correndo de um Pit Bull solto e faminto.

O conhecido lago da cidade, antes freqüentado por praticantes de cooper, está as moscas.

E os carteiros estão querendo entrar em greve, já que não conseguem mais entregar todas as correspondências diárias andando a “passo de noiva”, como eles mesmos dizem.

Tenho um primo que mudou-se pra essa cidade, recentemente, e ainda não surtou. Ele me contou, que a revolta com as multas lá está tão grande, que esses dias, um rapaz foi preso enquanto dava marretadas num radar móvel.

Já na delegacia:

DELEGADO: - Por que o senhor estava destruindo o radar?

RAPAZ: - Meu carro, tá cheio de multa, tá cheio de multa, meu carro, tá cheio de multa...

DELEGADO: - Como é o seu nome?

RAPAZ: - Tarso Cadore.

Nem preciso dizer mais nada, preciso?