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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ônibus Lotado

(sugestão de Larysse, Luciana, Suzi, Edlaine e Mariana: ônibus lotado)




Toda vez que eu pego ônibus, lembro daquele comercial da moto Dafra em que o Wagner Moura diz:

- Chega de depender dos outros!

E a galera grita:    

- Chega!

E eu sempre grito junto.

Ninguém merece depender de ônibus!

Aqui em Atibaia, tem um ônibus circular com sentido ao bairro do Alvinópolis. Nunca vi um ônibus pra dar tanta volta antes de chegar ao seu destino! Quando a gente desce, chega a pensar que está com crise de labirintite!

A secretaria de turismo daqui poderia até aproveitar e fazer uma promoção pra alavancar o turismo local:

“Você já imaginou dar a volta ao Mundo por apenas R$2,25?

Agora, isso já é possível!

Venha para Atibaia, pegue o ônibus circular para o Alvinópolis e boa viagem!”

Sabe aquele dia que você acorda de amanhã com um baita embrulho no estômago?

Pode ter certeza que vai acontecer o seguinte: o ônibus vai lotar e vai chover. Os vidros serão fechados. De repente, um tiozinho praticamente brotará do chão em meio à multidão carregando um isopor do tamanho de uma geladeira. Ele vai abrir a tampa e vai ser lançado ao ar um cheiro inconfundível de espetinho de lingüiça!

Tá certo que cheiro de carne é bom, mas, não às 7 da manhã e ainda por cima naquele dia em que a gente não quer nem ouvir falar em comida. Quanto mais, cheirar!

E depois que a chuva parar e o ônibus esvaziar, não se iluda que as coisas vão melhorar. Um cara vai entrar, sentar na sua frente vestindo uma regata, com os sovacos tão peludos que fariam alguns se lembrarem da Playboy da Vera Fischer. E quando o vento soprar, o cheiro do homem virá até você.

Sabe aquela mistura de suor com aquele desodorante comprado no supermercado. (Aquele mesmo, não posso citar o nome. Bom, cada um que axe, digo, ache o que quiser!) Então, é esse cheiro que virá até você e te fará descer 8 pontos antes e ir caminhando na garoa.

Claro que também tem gente cheirosa nos ônibus. Só que cheirosa demais! A pessoa deve lavar o cabelo, a roupa, fazer gargarejo, tudo com o seu perfume predileto. Quando essa pessoa desce do ônibus, a galera que ficou está tão chapada que começa a ver coisas sem nexo, como duendes verdes passando por baixo da catraca, as moedas da cobradora virando Fritopã e o ET passando voando de bicicleta com o padre Quevedo na garupa.

Acho que em todo ônibus sempre rolam 2 coisas: pessoas conversando muito alto e gente falando no celular mais alto ainda.

Uma vez, tinha duas mulheres na minha frente disputando pra ver quem tinha a vida mais desgraçada!

NEIDE: - Ih, Suélen, lavei 3 varal de roupa ontem!

SUÉLEN: - Eu lavei 5 ontem e mais 3 hoje! Tô morrendo de dor nas costas!

NEIDE: - Dor nas costas? Você não sabe a dor que EU tenho nas costas. Dói desde o pescoço até o ossinho da bunda, lá embaixo!

SUÉLEN: - Ih, Neide. A minha dor começa na coluna e vai pros braços. Formiga tudo!

NEIDE: - E a minha, então? Dói as costas e o nervo ciático. A perna incha e dá câimbra nos dedo do pé!

SUÉLEN: - E eu então? Outro dia chegou a travar o meu pescoço! Os braço ficaram largado, sem força. Aí atacou uma dor de cabeça de rachar mamona! Não conseguia nem pensar, menina! E você pensa que aquele viado do meu marido me ajudou? Não. Tava lá de férias, sentado no sofá e nem pra lavar uma louça pra gente serve o traste! Olha, eu não sei porque eu casei, viu!? Homem é tudo igual! Tudo a mesma merda!

Nesse momento, aparece uma menina conhecida da dona Suélen.

MENINA: - Oi, dona Suélen, tudo bem com a senhora?

SUÉLEN: - Oi, filha. Tá boa? Já casou?

O velho lance da “generosidade” que já falei aqui.

Mulher no celular:

- Alô? Oi? É ela. Fala mais alto! Quê? Isso! Não menina, tô indo agora pega o resultado dos exame. Num sei! Desconfio só, mas, num sei. Pode ser também. Quê? Eu sei que ela tava com corrimento vaginal...

Tipo assim, além de falar alto, a pessoa fala coisas que não são muito agradáveis de se ouvir. Totalmente sem noção! As senhoras ficam horrorizadas e fazem o sinal da cruz. Os homens olham desconfiados. Algumas pessoas sentem medo. Ela vai falando, ou melhor, berrando ao telefone até que de repente ela grita:

... ô motorista, pára aí que eu vou descer. Não ouviu o meu sinal, não? Mal educado!

Sem noção, mesmo!

Outra coisa que me enfurece dentro do ônibus: os famosos DJs de ônibus, como bem citou a Edlaine.

DJs de ônibus são aqueles moleques que vem da ou vão pra escola e ficam ouvindo músicas no celular ou MP alguma coisa, sem fone e no último volume.

No ápice da minha revolta, juro que consigo visualizar eu fazendo eles engolirem o celular.

E depois o povo quer que eu ainda vá dar aula! É um dia na aula e 25 anos na cadeia. Certeza!

Outra coisa irritante são aquelas meninas na faixa dos 14 anos que viajam de pé, na frente dos bancos, sem deixar espaço pros mais velhos sentarem. E elas vão gritando a viagem toda, umas com as outras, com os meninos, com quem passa na rua.

E tem gente que fala assim: - Ai, os motoristas de ônibus são tudo estressadinho!

Estressadinho?

Vai lá dirigir o ônibus e aguentar aquela molecada todos os dias. Com uma semana de trabalho acho que essa pessoa jogaria o ônibus no precipício.

Sabe de uma coisa: nada como andar a pé! Faz bem pra saúde física e mental. Portanto, é assim que vou seguir: a pé!

Mas, só até eu comprar a minha moto. Tá?