Jeferson, um garoto de 14 anos, caminha pela rua quando é abordado por dois policiais:
- Mão na cabeça, moleque! Encosta na parede e abre bem as pernas.
Enquanto um policial faz a revista, o outro começa o interrogatório:
- Tá indo pra onde?
Sem demonstrar medo, o garoto responde com a voz firme:
- Pra casa da minha avó.
- E tá vindo de onde?
- Fui buscar uns bagulhos.
- BAGULHOS? – o policial anda em direção a Jeferson e quase o espreme na parede. Com o rosto a alguns centímetros de distância do garoto, ele pergunta: - Que bagulhos?
E o garoto, que apesar de magricela não tem medo de encarar ninguém, responde:
- Farinha e erva.
O policial fica irado com a petulância daquele menino:
- Você tá de brincadeira comigo?
- Não.
- CALA A BOCA!!! Cadê os “bagulhos” que você foi buscar?
- ...
- RESPONDE!!!
- O senhor não me mandou calar a boca?
O policial dá um tapa na cara de Jeferson que derruba a sacola com a farinha e a erva dentro da boca de lobo. O garoto só não apanha mais porque o outro policial, que até então estava quieto, impede o seu companheiro nervoso de prosseguir:
- Calma, Lopes.
- Que calma?! Você não tá vendo que este moleque é folgado? Vem falar na minha cara que foi buscar “farinha” e “erva”? Tá pensando o que? Que eu tô aqui de brincadeira? Ah, mas, ele vai ter o que merece.
Os policiais colocam o garoto na viatura e o levam pra delegacia. Só Deus sabe o que se passa por lá...
Enquanto isso, dona Benedita, a avó de Jeferson, espia a rua da janela:
- Mas, onde será que esse menino se meteu? Já faz mais de uma hora que mandei ele buscar farinha e erva-doce pra eu fazer um bolo de fubá e ele não voltou até agora. O moleque folgado viu!?
