Numa certa tarde de inverno, a alguns anos atrás, fui ao casamento de uma amiga.
Tudo corria bem, pois eu comia bem os salgados que eram servidos quentinhos e saborosos.
Só que mais tarde...
Fui umas 385 vezes no banheiro durante a madrugada. Piriri dos bravos! Houve um momento que já não tinha mais nada pra sair de dentro de mim, além da minha alma. Mais um pouco de força e era perigoso eu desencarnar.
No dia seguinte, fui prestar um concurso público logo de manhã.
Em concurso, é assim, quando você quer ir ao banheiro, um fiscal tem que te acompanhar. Agora, imagina você com “aquela” dor de barriga, tendo que usar o banheiro com uma pessoa te esperando na porta e ainda meio que te vigiando pra ver se você não vai colar.
Colar da onde? Será que eles acham que a gente vai comer a cola em casa pra depois pegá-la de volta no vaso sanitário da escola que a gente vai prestar o concurso?
Pra começar teria que ser uma cola feita em papel plastificado pra não molhar.
Bom, o fato é que naquela manhã, pra prevenir, eu nem quis saber de comer nada.
Entrei na sala. Sentei. Tudo parecia bem. Comecei a prova. Língua Portuguesa = beleza! Na hora da Matemática, comecei bem. Mas, quando chegou nos exercícios que tenho mais dificuldade, figuras geométricas, minha barriga começou a se manifestar.
Agora, me diz como calcular a maldita área da base do cacete da pirâmide com a barriga roncando feito um porco vivo no rolete?
Pensei em pedir pra sair, mas, mesmo com a desenteria de volta, eu teria dificuldade de “me concentrar” com aquele fiscal com a feição do cantor Wando na porta do banheiro me vigiando.
Aguentei firme. Me concentrei. A rouquidão parou. Mais tarde, olhando o gabarito, percebi que errei 3 questões de besteira. Bom, mas, é que de alguma forma eu tinha que fazer merda naquela hora.
Antes disso, já recuperado, fui pra parte da prova sobre conhecimentos gerais.
Duas questões me revoltaram profundamente:
1 – Quem foi a miss Atibaia de 1968? (ou algo assim);
Meu Deus do céu! Que diferença isso ia fazer na minha vida?
O pior é que fez, porque eu não sabia a resposta e como chutei errado, errei a questão.
2 – Em que equipe corre o piloto Rubinho Barrichello.
Ahhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Minha vontade era dar esse grito. Mas, como ainda havia o risco de cagar nas calças, me controlei.
Talvez, todo mundo que leia essa postagem (e também quem não leia) saiba essa resposta.
O problema é que eu ODEIO Fórmula 1. Eu chutei e errei a maldita questão!
A parte de Informática foi a mais difícil. Tinha coisa lá que acho que nem os caras da Microsoft sabiam a resposta.
Resumindo: a parte que eu mais acertei na prova foi Língua Portuguesa (todas, modéstia à parte). Só que a parte que valia mais era Informática (que eu devo ter acertado uma).
Não passei. É lógico!
O mais engraçado é que o cargo exigia que a pessoa soubesse escrever bem cartas, relatórios etc.
Segundo uma amiga que trabalha lá dentro da empresa: os caras que passaram sabiam muito de informática. Em compensação, escrevem tão mal que um dia, pra decifrar o que eles haviam escrito, usaram um decodificador de senhas da NASA. E não é que o aparelho deu pau!
Outro dia, tivemos uma reunião no trabalho e o cara que fez a palestra disse:
“- O leiturista além de ter boa visão, deve se comunicar bem com o cliente. Lógico, também não precisa ser formado em Letras, mas é preciso ser claro nas informações.”
Quase cheguei em casa e rasguei o diploma...
Ano que vem, pretendo dar aulas de Língua Portuguesa. Mas, do jeito que as coisas andam, é capaz da escola exigir alguma coisa que não tem no meu currículo, tipo um curso de corte e costura, tiro ao alvo ou sobrevivência na selva.
Se bem que esse último seria bem útil numa sala de aula nos dias de hoje...

