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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dança de Salão e Afins

(sugestão da Isabela: dança)





Houve uma época em que passei por um longo período de abstinência afetivo-amorosa-sexual.

Ou, vulgarmente falando:

Tava a um tempão sem pegar ninguém!

Minha sorte começou a mudar quando, em meados de 1998, dois professores de dança de salão da cidade,  Alex Moreno e Marcio Brajon, me chamaram para fazer suas aulas de graça.

Por que de graça?

Porque ambos eram meus amigos e enfrentavam o mesmo problema em seus respectivos cursos: muitas mulheres para poucos homens.

Tudo bem que eu não era uma solução definitiva para a questão, mas, já era um homem a mais no curso.

Modéstia a parte, eu levava bastante jeito pra coisa. E foi nessa época que eu percebi o quanto uma mulher aprecia um homem que sabe dançar.

Nas aulas, na hora de formar casais, algumas meninas só faltavam brigar para dançar comigo. E antes que alguém pense: “Também, era o único homem!”, eu digo que havia outro cara sim, chamado Rogério (nome fictício).

E o Rogério também dançava muito bem. Só que as meninas continuavam preferindo dançar comigo. Só havia uma explicação para isso: não era por causa da dança que eu era o preferido.

Minha auto-estima foi às alturas! Não tinha tido tantas mulheres aos meus pés. E quando eu já estava me sentindo o verdadeiro galã da novela das 8, a verdade veio à tona. Uma das meninas chegou pra mim e disse:

- Ah, Deus me livre dançar com o Rogério!

- Por quê? – perguntei – Ele não dança bem?

- Dançar ele dança. O duro é aguentar o mau-hálito dele!

E eu me achando...

O tempo foi passando e num belo dia, o Márcio me promoveu a monitor da sua turma. Enquanto ele dava aula eu assessorava o pessoal com mais dificuldade.

Foi uma experiência muito enriquecedora. Tudo ia muito bem até aparecer uma certa aluna. Essa aluna, como posso dizer? Bem...

- Pense na pessoa mais antipática que você conhece;

- Pegue o mau-humor crônico do João Gilberto;

- Imagine um caranguejo com labirintite bêbado.

- Agora, junte tudo isso numa pessoa com o olhar mais diabólico do que o Jack Nicholson.

Pronto! Era essa a aluna que eu tinha que monitorar.

Aquilo que inicialmente era uma dádiva dos Deuses, a dança, passou a ser pra mim uma tortura. Quando eu estava prestes a cometer uma loucura, não sei se suicídio ou assassinato, o Márcio veio com a notícia redentora:

- Fulana disse que não vem mais.

Naquele momento, fiquei tão feliz, mas, tão feliz, que devo ter sido o primeiro homem da história a ter orgasmos múltiplos sem estar praticando sexo tântrico ou semelhante.

E só não soltei rojão pra comemorar, porque não havia onde comprá-los àquela hora.

Se bem que os fogos poderiam ter sido improvisados com uma cumbuca de batata-doce com pimenta malagueta polvilhada com pólvora, mas, deixa pra lá.



A parte pior de se fazer dança de salão é que as pessoas acreditam que a gente vai pegar qualquer menina e sair fazendo todos os passos que aprendeu na aula.

Certo dia, dois amigos meus, o Oscar e a Elen, que são primos, iriam a um casamento de uma prima em comum deles. Eles insistiram tanto pra eu ir que acabei indo de bicão.

Na festa, a Elen e eu estávamos dançando samba e algumas garotas ficaram pagando pau. Depois de algumas músicas, paramos pra descansar e uma das garotas, que eu conhecia da época da escola, veio me pedir pra dançar com ela. Eu fui.

MEU DEUS DO CÉU!!!

Na dança de salão é o homem quem conduz. Mas, aquela garota devia ter uma personalidade fortíssima, pois não me deixava conduzi-la nem a pau!

Eu juro que eu tentei dançar com ela, mas, a sensação que eu tinha era de que estava tentando pegar de volta uma enceradeira que escapou das minhas mãos e saiu desgovernada pela sala.

Quando a nossa primeira música parou, eu dei a desculpa de que estava com sede e corri pra pegar algo pra beber. Quando saí, ainda ouvi atrás de mim: “- Depois você volta pra gente dançar outras, tá?”

Ela deve estar esperando até hoje!



ATENÇÃO: Embora este blog seja descrito como um blog de humor, o que você lerá nas linhas a seguir é de caráter totalmente sério e grave.

Após refletir sobre o rebuliço causado pela revelação de Ricky Martin, eu pensei: “Se ele, que é um dos astros latinos da música, depois de tanto tempo revelou seu maior segredo aos fãs e ao mundo todo, por que eu, um humilde blogueiro, tenho que ter segredos para com os meus leitores?" Não é justo!

Então, revelo agora, pra você família, amigos, colegas, seguidores, leitores, o meu grande segredo do passado:


EU DANCEI LAMBAERÓBICA ! ! !


Por favor, não parem de ler, não parem de me seguir depois dessa revelação. Todos têm um lado negro da força. Todos têm uma mancha no passado. E todos merecem o perdão!



Se bem que não foi tão ruim assim!

O Alex, a Vanessa “Panther” e a sua prima, iriam se apresentar na cidade de Piracaia. Aí, eles encasquetaram que o grupo precisava de mais um homem e ficaram me enchendo o saco pra ser esse homem.

O problema é que eles dançariam 8 músicas e eu só sabia a coreografia da primeira, “A dança do vampiro”, que a gente dançava quase todo dia pra se aquecer pra aula de dança de salão. Mesmo assim, eu fui.

Chegando lá, dancei a primeira música. Sai do palco e eles ficaram dançando as 6 músicas seguintes. Enquanto isso, eu fiquei observando o povo lá do fundo do palco. Veja como é o preconceito: havia uma menina com jeitão de homem que eu cismei que era sapatão. Quando eu voltei pra dançar a última música (“Dança da Manivela”, que eu nem sabia a coreografia) a menina pulava e gritava tanto que eu comecei a me sentir o próprio Wando. Só faltou começar a voar calcinhas sobre nossas cabeças. 

Desculpe, novamente, a falta de modéstia, mas, a parte do meu corpo que sempre mais chamou a atenção foram e são as pernas. Mas, eu nunca imaginei que elas poderiam fazer tanto sucesso como fizeram em Piracaia, principalmente, porque estavam semi-vestidas com uma bermudinha de lycra azul turquesa ridícula!

Depois da nossa apresentação, as meninas voltaram pra Atibaia e eu e o Alex ficamos lá na festa da cidade de Piracaia, conversando com um monte de meninas. E daí pra frente...

Daí pra frente é outra história...




A foto é antiga, mas, o que vale é a intenção.

Da esquerda para à direita: Ana Paula, Michel, Carol, Alex Moreno, Vanessa Phanter e eu .