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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Concurso Público


Numa certa tarde de inverno, a alguns anos atrás, fui ao casamento de uma amiga.

Tudo corria bem, pois eu comia bem os salgados que eram servidos quentinhos e saborosos.

Só que mais tarde...

Fui umas 385 vezes no banheiro durante a madrugada. Piriri dos bravos! Houve um momento que já não tinha mais nada pra sair de dentro de mim, além da minha alma. Mais um pouco de força e era perigoso eu desencarnar.

No dia seguinte, fui prestar um concurso público logo de manhã.

Em concurso, é assim, quando você quer ir ao banheiro, um fiscal tem que te acompanhar. Agora, imagina você com “aquela” dor de barriga, tendo que usar o banheiro com uma pessoa te esperando na porta e ainda meio que te vigiando pra ver se você não vai colar.

Colar da onde? Será que eles acham que a gente vai comer a cola em casa pra depois pegá-la de volta no vaso sanitário da escola que a gente vai prestar o concurso?

Pra começar teria que ser uma cola feita em papel plastificado pra não molhar.

Bom, o fato é que naquela manhã, pra prevenir, eu nem quis saber de comer nada.

Entrei na sala. Sentei. Tudo parecia bem. Comecei a prova. Língua Portuguesa = beleza! Na hora da Matemática, comecei bem. Mas, quando chegou nos exercícios que tenho mais dificuldade, figuras geométricas,  minha barriga começou a se manifestar.

Agora, me diz como calcular a maldita área da base do cacete da pirâmide com a barriga roncando feito um porco vivo no rolete?

Pensei em pedir pra sair, mas, mesmo com a desenteria de volta, eu teria dificuldade de “me concentrar” com aquele fiscal com a feição do cantor Wando na porta do banheiro me vigiando.

Aguentei firme. Me concentrei. A rouquidão parou. Mais tarde, olhando o gabarito, percebi que errei 3 questões de besteira. Bom, mas, é que de alguma forma eu tinha que fazer merda naquela hora.

Antes disso, já recuperado, fui pra parte da prova sobre conhecimentos gerais.

Duas questões me revoltaram profundamente:

1 – Quem foi a miss Atibaia de 1968? (ou algo assim);

Meu Deus do céu! Que diferença isso ia fazer na minha vida?

O pior é que fez, porque eu não sabia a resposta e como chutei errado, errei a questão.

2 – Em que equipe corre o piloto Rubinho Barrichello. 

Ahhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Minha vontade era dar esse grito. Mas, como ainda havia o risco de cagar nas calças, me controlei.

Talvez, todo mundo que leia essa postagem (e também quem não leia) saiba essa resposta.

O problema é que eu ODEIO Fórmula 1. Eu chutei e errei a maldita questão!

A parte de Informática foi a mais difícil. Tinha coisa lá que acho que nem os caras da Microsoft sabiam a resposta.

Resumindo: a parte que eu mais acertei na prova foi Língua Portuguesa (todas, modéstia à parte). Só que a parte que valia mais era Informática (que eu devo ter acertado uma).

Não passei. É lógico!

O mais engraçado é que o cargo exigia que a pessoa soubesse escrever bem cartas, relatórios etc.

Segundo uma amiga que trabalha lá dentro da empresa: os caras que passaram sabiam muito de informática. Em compensação, escrevem tão mal que um dia, pra decifrar o que eles haviam escrito, usaram um decodificador de senhas da NASA. E não é que o aparelho deu pau!


***


Outro dia, tivemos uma reunião no trabalho e o cara que fez a palestra disse:

“- O leiturista além de ter boa visão, deve se comunicar bem com o cliente. Lógico, também não precisa ser formado em Letras, mas é preciso ser claro nas informações.”

Quase cheguei em casa e rasguei o diploma...

Ano que vem, pretendo dar aulas de Língua Portuguesa. Mas, do jeito que as coisas andam, é capaz da escola exigir alguma coisa que não tem no meu currículo, tipo um curso de corte e costura, tiro ao alvo ou sobrevivência na selva.

Se bem que esse último seria bem útil numa sala de aula nos dias de hoje...