Quem conhece uma pessoa famosa de perto, sabe o quanto é difícil convencer os outros de que isso seja verdade.
Eu por exemplo. Tenho um amigo que trabalha na TV, mais precisamente no programa que é o mais comentado no momento: CQC.
Mas, não vou falar o nome dele. Por quê? Você, leitor, não iria acreditar.
Essa pessoa que conheço não apenas é meu amigo como o melhor deles.
“Claro”- você vai pensar - “Agora que o cara é famoso, todo mundo vai dizer que era amigo dele.”
Era não. Sou!
A verdade é que nos conhecemos desde os 7 anos de idade. Estudamos juntos. Começamos no teatro juntos. Jogamos basquete juntos. Enfim, convivemos por toda a infância e adolescência juntos. Até que ele foi pra São Paulo fazer teatro e eu fiquei por aqui, torcendo por ele.
E, então, desde que ele apareceu na televisão pela primeira vez, vivo um misto de orgulho em dizer aos outros que ele é o meu melhor amigo e o receio de me passar por mentiroso ou convencido. Aí, fico quieto, até alguém me perguntar sobre o assunto.
Acho que essas pessoas que não acreditam em nossa amizade, pensam que gente famosa só tem amizade com gente famosa.
Mas e os amigos de infância?
Vai ver, pensam também que os famosos já eram amigos desde a infância.
Imagine os amigos de infância do Silvio Santos: Hebe, Pedro de Lara, Dercy Gonçalves (que era o comandante das brincadeiras, por ser a mais velha).
Já o Roberto Marinho era o inimigo.
Parece exagero essa história de dizer que ninguém acredita em nossa amizade, mas veja o que aconteceu outro dia:
Um colega de trabalho chegou para mim e disse:
- É verdade que o cara do CQC é seu amigo?
- É.
- Mas de onde você conhece ele?
- Nós estudamos juntos. Ele é aqui de Atibaia.
- E ele continua seu amigo?
- Continua.
- E vocês conversam?
Minha vontade era responder: “Não. Quando a gente se encontra, brincamos de vaca amarela.”É claro que não nos vemos com a mesma frequência de antes, mas sempre que possível, colocamos o papo em dia.
Certa vez, uma pessoa que me viu junto a ele (e só por causa disso acreditou que eu o conhecia) pediu que eu contasse algum fato curioso da nossa infância.
Então, me lembrei de um pacto que nós fizemos. Era o seguinte: quem morresse primeiro, voltaria pra contar para o outro como é que era do outro lado.
Mas não bastava vir e contar. Era preciso fazer ou dizer algo que quem estivesse vivo pudesse provar aos outros que tinha conseguido fazer contato com o morto.
Agora eu me pergunto: se nem com ele vivo as pessoas conseguem acreditar que a gente conversa, imagine depois de morto!
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