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sábado, 18 de setembro de 2010

Gente que não entende




Dia 06/09 foi o Dia do Sexo. Tema que foi um prato cheio para os humoristas.

À meia-noite desse mesmo dia, Oscar Filho escreveu algo mais ou menos assim no twitter: “- Agora que o Dia do Sexo já acabou, eu vou fumar um cigarro.”

Teve gente que entendeu a piada.

Mas, teve gente que não entendeu e ainda ficou espantada escrevendo coisas desse tipo pra ele: “- Nossa! Você fuma?”

Ninguém é obrigado a entender tudo o que lê. Porém, antes de ler o que alguém escreve, é preciso ter noção se aquilo preencherá as nossas expectativas como leitor. Tipo assim:

Se você quer ler um livro com o objetivo de rir, provavelmente vai buscar autores como Mario Prata, Luis Fernando Veríssimo e não um Nelson Rodrigues.

Agora, se você quer ler assuntos sérios, por que é que você vai seguir um humorista no Twitter?

A característica principal dos humoristas é a ironia. Ou seja, não dá pra levar ao pé da letra o que eles dizem.

Mas, tem gente que não entende!

A minha mãe é a pessoa que mais amo na vida. Mas, ela é desse tipo que não entende.

Outro dia eu tava revoltadíssimo com a falta de grana. Reclamava que meu emprego era um bosta, que eu ganhava pouco, que eu precisava arranjar outra coisa pra fazer ou pelo menos conseguir um bico pra aumentar a renda. Aí, no ápice do meu protesto, minha mãe virou pra mim e disse assim:

- Por que você não vai fazer trabalho voluntário?

Meu Deus do Céu!

Ok! Trabalho voluntário é uma ação muito bela. Mas, se a questão é ganhar dinheiro, ele não é a melhor opção.

Outra mania da minha mãe:

A gente tá sentado na sala e ela vem da cozinha com um copo de suco de frutas na mão dizendo:

- Quer?

- O que é, mãe?

- Suco.

Putz, é óbvio que é suco! Eu quero saber suco de que!

Quando eu era solteiro e morava com ela, eu chegava pra almoçar e perguntava:

- Mãe, o que tem pra comer?

- Arroz e feijão.

Put... que o... par...! Isso eu já sabia! Eu estava me referindo ao acompanhamento, à mistura, a outra coisa que não era o básico arroz com feijão!

Eu explicava isso pra ela na boa, mas, não adiantava nada. No dia seguinte acontecia a mesma coisa.

E o pior é que não era ironia. Minha mãe falava sério mesmo.

Aqui na minha cidade há a Pedra Grande, uma montanha que é um dos pontos turísticos de Atibaia. Quando adolescente, eu e minha turma costumávamos fazer trilha até o pico dessa montanha.

Certa vez, fazia algum tempo que a gente não ia até lá, então, eu cheguei pro pessoal e falei:

- O que vocês acham da gente subir na Pedra Grande no feriado?

E o Oscar virou pra gente e disse:

- Beleza! Eu vou de carro!

Todos riram da piada.

Acontece que no dia marcado, o Oscar não apareceu. Então, nós subimos a montanha sem ele. Chegamos ao topo e depois de algumas horas, resolvemos descer. De repente, avistamos um fusca azul calcinha chegando. Quem era?

O Oscar!

Quer dizer, o que era piada virou realidade.

É por isso que eu digo: nunca leve ao pé da letra o que diz um humorista.

Mas, não adianta. Tem gente que não entende...


terça-feira, 25 de maio de 2010

Pedrinha






Com 1450 metros de altitude, a montanha Pedra Grande é um dos pontos turísticos da cidade de Atibaia.

Lá é o local de encontro de praticantes de várias modalidades de esportes de aventura como: rapel, voo livre, trilhas etc.

Num ponto bem mais abaixo, há um local conhecido como Pedrinha.

Tal como a “Pedrona” a Pedrinha também é um ponto de encontro, só que noturno. Mas, ao contrário da primeira, ninguém ali pratica esportes. O foco são os jogos. Perigosíssimos, por sinal. Eu mesmo já presenciei alguns. Exemplos:

Certa vez, havia um grupo formado por quatro maconheiros chapadíssimos jogando truco em volta da fogueira. O jogo estava tão lento que até as corujas do local estavam bocejando. Um deles só percebeu que era a sua vez de jogar quando a ponta do seu cabelo começou a pegar fogo.

Também houve aquela vez em que um casalzinho estava praticando sexo acrobático dentro de um carro. Aliás, eu só percebi que era sexo quando, de repente, uma bunda branca surgiu e limpou o embaçado do vidro traseiro.

Até aí, tudo bem. O problema é que muito provavelmente o motorista do veículo havia se esquecido de puxar o freio de mão, pois o carro começou a andar vagarosamente para frente a cada movimento do casal.

Alguém pode pensar: “Mas, Paulo, isso não era da sua conta!”

Era sim, se levarmos em conta que na direção em que o carro seguia havia um precipício e eu não queria testemunhar um acidente!

Nós que estávamos em volta não sabíamos se avisávamos o casal ou se segurávamos o carro no muque até eles terminarem.

Eles estavam a ponto de se fuder, quer dizer, se fuder mais, quando, de repente eles pararam. A porta se abriu e a moça desceu furiosa.

O cara havia broxado, graças a Deus!

Claro que não apenas maconheiros e neo-alcoólatras frequentam a Pedrinha. Há pessoas que vão pra namorar (tanto casais convencionais quanto duplas de homens que certamente fantasiam estar no filme "O Segredo de Brokeback Mountain"), pra tocar violão e cantar, pra conversar e beber vinho etc.

Eu e meus amigos pertencíamos a este último grupo. (Do "conversar e beber vinho", não do etcetera!).

Certa vez, Rafael meu primo, Oscar e eu, fomos a Pedrinha na madrugada de uma virada de ano. havia bastante gente por lá. Sentamos próximos a uma fogueirinha quase apagada e ficamos conversando à espera do amanhecer. De repente, um cara chegou pra gente e perguntou:

- Opa! Beleza?

- Beleza! – respondemos.

- Viu, por acaso vocês tem aí uma LEDA pra me arrumar?

A única LEDA que eu conhecia era a Leda Nagle (jornalista). 






Mas, como ela não havia ido com a gente, eu respondi:

- Olha, LEDA nós não temos não, mas, se você quiser, a gente tem um pouco de vinho.

- Ah, não! Brigado! Isso aí me faz mal por causa dos conservantes. Dá azia!

Outra vez, estávamos lá, Oscar, Rubiana e eu. Conversávamos, quando chegou um cara sozinho. Ele nos cumprimentou e perguntou se poderia se sentar com a gente. Estávamos muito inspirados pra falar besteira e dar risada naquela noite. Num dado momento, a Rubiana, que estava deitada com a cabeça apoiada nas minhas pernas havia algum tempo, perguntou:

- Tá doendo suas pernas?

- Não – respondi. – Só deu uma gangrena, mas, tá tudo bem.

Todos riram. O carinha, que até aquele momento não tinha falado nada, apenas rido, resolveu comentar:

- A minha avó morreu por causa de uma gangrena.

Silêncio...

Depois disso, não havia mais clima pra piadas e resolvemos ir embora.

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Quando disse pra um amigo que contaria essas histórias no blog, ele me falou:

- Mas, Paulo, você não tem medo de denegrir a imagem da Pedrinha.

- Não. Eu adoro aquele lugar. Por quê?

- Ah, sei lá. Do jeito que você falou parece que lá só vai gente doida, só maluco. Parece que o lugar é uma droga!

- Chico (nome fictício), fique tranquilo, pois nenhum leitor vai achar que a Pedrinha é uma droga. Até porque, se ela fosse, os malucos já a teriam fumado.