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terça-feira, 25 de maio de 2010

Pedrinha






Com 1450 metros de altitude, a montanha Pedra Grande é um dos pontos turísticos da cidade de Atibaia.

Lá é o local de encontro de praticantes de várias modalidades de esportes de aventura como: rapel, voo livre, trilhas etc.

Num ponto bem mais abaixo, há um local conhecido como Pedrinha.

Tal como a “Pedrona” a Pedrinha também é um ponto de encontro, só que noturno. Mas, ao contrário da primeira, ninguém ali pratica esportes. O foco são os jogos. Perigosíssimos, por sinal. Eu mesmo já presenciei alguns. Exemplos:

Certa vez, havia um grupo formado por quatro maconheiros chapadíssimos jogando truco em volta da fogueira. O jogo estava tão lento que até as corujas do local estavam bocejando. Um deles só percebeu que era a sua vez de jogar quando a ponta do seu cabelo começou a pegar fogo.

Também houve aquela vez em que um casalzinho estava praticando sexo acrobático dentro de um carro. Aliás, eu só percebi que era sexo quando, de repente, uma bunda branca surgiu e limpou o embaçado do vidro traseiro.

Até aí, tudo bem. O problema é que muito provavelmente o motorista do veículo havia se esquecido de puxar o freio de mão, pois o carro começou a andar vagarosamente para frente a cada movimento do casal.

Alguém pode pensar: “Mas, Paulo, isso não era da sua conta!”

Era sim, se levarmos em conta que na direção em que o carro seguia havia um precipício e eu não queria testemunhar um acidente!

Nós que estávamos em volta não sabíamos se avisávamos o casal ou se segurávamos o carro no muque até eles terminarem.

Eles estavam a ponto de se fuder, quer dizer, se fuder mais, quando, de repente eles pararam. A porta se abriu e a moça desceu furiosa.

O cara havia broxado, graças a Deus!

Claro que não apenas maconheiros e neo-alcoólatras frequentam a Pedrinha. Há pessoas que vão pra namorar (tanto casais convencionais quanto duplas de homens que certamente fantasiam estar no filme "O Segredo de Brokeback Mountain"), pra tocar violão e cantar, pra conversar e beber vinho etc.

Eu e meus amigos pertencíamos a este último grupo. (Do "conversar e beber vinho", não do etcetera!).

Certa vez, Rafael meu primo, Oscar e eu, fomos a Pedrinha na madrugada de uma virada de ano. havia bastante gente por lá. Sentamos próximos a uma fogueirinha quase apagada e ficamos conversando à espera do amanhecer. De repente, um cara chegou pra gente e perguntou:

- Opa! Beleza?

- Beleza! – respondemos.

- Viu, por acaso vocês tem aí uma LEDA pra me arrumar?

A única LEDA que eu conhecia era a Leda Nagle (jornalista). 






Mas, como ela não havia ido com a gente, eu respondi:

- Olha, LEDA nós não temos não, mas, se você quiser, a gente tem um pouco de vinho.

- Ah, não! Brigado! Isso aí me faz mal por causa dos conservantes. Dá azia!

Outra vez, estávamos lá, Oscar, Rubiana e eu. Conversávamos, quando chegou um cara sozinho. Ele nos cumprimentou e perguntou se poderia se sentar com a gente. Estávamos muito inspirados pra falar besteira e dar risada naquela noite. Num dado momento, a Rubiana, que estava deitada com a cabeça apoiada nas minhas pernas havia algum tempo, perguntou:

- Tá doendo suas pernas?

- Não – respondi. – Só deu uma gangrena, mas, tá tudo bem.

Todos riram. O carinha, que até aquele momento não tinha falado nada, apenas rido, resolveu comentar:

- A minha avó morreu por causa de uma gangrena.

Silêncio...

Depois disso, não havia mais clima pra piadas e resolvemos ir embora.

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Quando disse pra um amigo que contaria essas histórias no blog, ele me falou:

- Mas, Paulo, você não tem medo de denegrir a imagem da Pedrinha.

- Não. Eu adoro aquele lugar. Por quê?

- Ah, sei lá. Do jeito que você falou parece que lá só vai gente doida, só maluco. Parece que o lugar é uma droga!

- Chico (nome fictício), fique tranquilo, pois nenhum leitor vai achar que a Pedrinha é uma droga. Até porque, se ela fosse, os malucos já a teriam fumado.

sábado, 8 de agosto de 2009

A Lei anti-fumo e a maconha

Desde o dia 7 de agosto é proibido fumar em ambientes coletivos, públicos ou privados, em todo o Estado de São Paulo.

Fiquei pensando o que aconteceria se depois dessa Lei anti-fumo, também fosse aprovada uma Lei de Descriminalização da Maconha. Como a lei anti-fumo proíbe apenas o uso de cigarros e derivados do tabaco em locais fechados, a maconha, que nada tem a ver com tabaco, estaria liberada. Imagina a situação:

Dois nóias sentados num restaurante, na mesa 14, fumam um baseadinho básico pra abrir o apetite enquanto esperam a comida. Chega um fiscal da vigilância sanitária com um nariz maior que o do Rafinha Bastos.

Fiscal: - Eu tenho certeza de que há alguém fumando escondido por aqui. Meu faro nunca falha!

Um dos nóias chama o fiscal narigudo e diz:

Nóia 1: - Aí truta, firmeza? Ó, é o seguinte. Tinha dois tiozão aqui do lado e eu ouvi eles dizendo que ia fumar um cigarrinho escondido lá no banheiro. Num tô querendo ser cagueta não, mas acho uma puta falta de respeito com a lei. Tá ligado?

Fiscal: - Obrigado pela informação, meu bom rapaz. Se mais gente pensasse como você, o Mundo estaria muito melhor.

Nóia 1: - Sóóóóóó!

Nóia 2: - Podes crê!

Dentro do banheiro, os meliantes são pegos com a boca na botija, ou melhor, no cigarro.

Fiscal: - Ahááááááááá! Peguei vocês!

Fumante 1 (escondendo algo atrás do corpo): - O quê? Não, não é nada disso que o senhor está pensando!

Fiscal: - Aé? E o que é que você está escondendo aí?

Fumante 2: - Não mostra! Não mostra pelo amor de Deus!

Fiscal: - Ou você prova que isso não é um cigarro ou vou ser obrigado a comunicar ao dono do estabelecimento que há dois indivíduos fumando escondidos por aqui. E depois que ele receber a multa, com certeza, vai expulsar vocês dois a ponta pés!

Fumante 1: - Tudo bem, eu mostro. Mas, o senhor tem que me prometer que não vai me perguntar nada sobre o que ver. Promete?

Fiscal (achando o pedido estranho): - Prometo!

O fumante 1 abre a mão. Há um batom vermelho em sua palma.

O fiscal pede desculpas. Antes de sair, porém, percebe que a boca do fumante 2 está com marca de batom. Ele enche o pulmão como quem vai fazer uma pergunta, mas é interrompido pelo fumante 1.

Fumante 1: - Ah! Sem perguntas, você prometeu!

O fiscal sai do restaurante e vai embora assustado com a última descoberta. Lá dentro, os dois caras da mesa 14 que fingiam ser nóias dão risada:

Nóia 1: - Que fiscal trouxa! Hahahaha!

Nóia 2: - Muito boa essa sua ideia de disfarçar o cigarro enrolando ele no papel de seda. Hahahaha!