Certo dia, quando eu era criança, encontrei uma cartinha que havia sido colocada por debaixo da porta da minha casa. Era a "Corrente de Santa Edwiges".
Lembro de algumas coisas que estavam escritas nela.
"A original desta carta está na capela de Santa Edwiges, na Inglaterra e suas cópias rodam o mundo inteiro. Ela veio lhe trazer muita sorte, porém, é preciso fazer 20 cópias (não lembro se valia xerocar) e mandar para 20 pessoas nas próximas 96 horas!"
Pra convencer o leitor a participar da corrente, na carta contava-se histórias de pessoas que haviam ganhado muito dinheiro repentinamente, pouco tempo depois de terem enviado as 20 cópias.
Mas, se ainda assim a pessoa não ficasse convencida, no final da carta havia o relato dos casos das pessoas que ousaram não mandar as cópias: uma perdeu o filho no 6º dia, outro viu sua empresa falir e perdeu tudo o que tinha.
Na época, fiquei muito confuso sobre o que fazer: escrever as 20 cartas ou não?
Pensei tanto, mas tanto, que o prazo de 96 horas acabou passando.
Resultado: Meu filho não morreu no 6º dia, nem a minha empresa faliu.
Talvez seja porque, aos 7 anos, eu não tinha filhos nem trabalhava.
Dias atrás, recebi um fermento de um tal de "Bolo do padre Marcelo".
Não é querer ser chato, mas, havia tanto erro de Português e a letra era tão ilegível, que eu cheguei a pensar em procurar o Consulado do Egito, pra ver se alguém conseguia decifrar aquele hieróglifo.

Confesso que não sou nada ligado a religiosidades, porém, sou bastante ligado a comida. Esse bolo era pra ser feito em 3 dias (tempo do fermento se multiplicar). Aí, deveria ser dividido em 3 partes iguais. Duas partes deveriam ser passadas pra frente junto com a cópia da receita e a terceira parte ficava pra gente fazer o bolo.
O bolo ficou tão bom, mas tão bom, que resolvi ficar com as 2 outras partes do fermento pra fazer mais bolos!
Quer dizer, corrente chegou em mim, parou!
Principalmente se for corrente vinda por e-mail.
Dias atrás, recebi uma que dizia assim: "Se você tiver tempo para Deus, leia!"
Quer dizer que se eu não quiser ler eu sou um herege?
A pessoa que cria esses e-mails usa a mesma técnica da promoção do Estadão: o jornal oferece ao leitor a oportunidade de escolher quanto ele quer pagar no primeiro mês de assinatura. Só, que o cara da propaganda pergunta assim: "Qual é o valor do conhecimento?"
Quer dizer, se você quiser pagar R$1, 00 pelo primeiro mês de assinatura do jornal, você pode. Só que vai estar afirmando que o valor do seu conhecimento vale só um realzinho de merda! Ou seja, você é um burro!
Eu dou muito valor ao meu conhecimento, e ao meu bolso também! Por isso, quando quero ler jornal, eu não compro, vou à biblioteca pública e leio de graça!
Voltando ao e-mail...
Eu acho que o título da mensagem do e-mail que recebi já começou errada. Ao invés de ser: "Se você tiver tempo para Deus, leia!", deveria ser: "Se você tiver tempo para Deus, desligue essa bosta de computador e vá rezar!"
Ou "Vá fazer uma boa ação!"
Sei lá!
Bom, pra terminar, quero dizer uma coisa: você leitor(a), querendo ou não, agora faz parte de uma corrente! Funciona assim:
Quanto mais você comentar as minhas postagens e indicar o blog para outras pessoas, mais sorte em tudo na sua vida você vai ter a partir de hoje!

Agora, se você não comentar, nem indicar...
