Mostrando postagens com marcador leitura de luz em prédios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador leitura de luz em prédios. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A desgraça número 2

As duas maiores desgraças na vida de um leiturista de luz são:

1 Cães soltos. (Não os vira-latas da rua, mas os cachorros de raça que escapam pra rua);

2Prédios ou condomínios sem porteiro ou zelador.

Vou comentar a desgraça número 2.

Dias atrás, fui fazer a leitura da luz num prédio que fica numa rua muito movimentada. Como não havia interfone, nem porteiro, tive que ficar gritando, batendo palmas e agitando os braços no meio da rua (como se estivesse atrás do trio da Ivete Sangalo) pra ver se alguém me via por uma das janelas.

No terceiro andar, apareceu um rapaz com cara de chapado falando mole:

- Que que ééééééé?



- Eu preciso entrar para fazer a leitura da luz!



- Tá.

Do seu apartamento, ele acionou um botão que abriu o portão automático e eu entrei. Só que, mais a frente, a porta de vidro que dava acesso aos relógios de energia estava trancada. Tive que bater palmas de novo. O chapado reapareceu:

- Que que ééééééé?



- É que a porta de vidro tá fechada.



- Ah, cara... então... chama outra pessoa. Eu tô dormindo!

Como assim ele tava dormindo? Então eu era o que, um sonho, um pesadelo, uma alucinação dele?

Virei as costas para ir embora, quando ouvi a porta de vidro destravar atrás de mim. Era uma mulher que saía. Fui até ela e disse:

- Bom dia! Posso aproveitar pra fazer a leitura de luz?



- Claro, claro! Fica à vontade!

A moça saiu enquanto eu fazia as leituras. E quando eu fui sair do prédio, surpresa: ela havia trancado o portão automático!

Tive que recorrer ao chapadão, outra vez!

----------------------------------------------------------------------------------------

É importante comentar que, nem sempre, a presença de um porteiro, zelador ou caseiro é uma solução.

Às vezes, é até pior!

Imagina a situação:

Chego numa chácara para fazer a leitura. Ela é tão grande que o portão de entrada fica em Atibaia, mas, a casa mesmo (de onde virá a pessoa para me atender) fica quase no Amapá!

Se houvesse um interfone, aconteceria a seguinte situação:

- Quem é?



- Leitura da luz.



- Pode entrar que os cachorros estão presos.

Simples!

Mas, não há interfone. Só campainha. De modo que eu tenho que ficar esperando a pessoa vir me atender.

Pra “ajudar”, o caseiro é um senhor que aparenta ter pelo menos uns 300 anos. Eu toco a campainha e, graças a Deus, ele escuta. Vagarosamente ele vem em minha direção.

Pra passar o tempo enquanto espero, começo a rabiscar umas folhas que trago no bolso.

Quando o caseiro finalmente chega, já passa de 2012, o mundo já acabou e recomeçou e eu estou com 3 livros muito maiores do que O Senhor Dos Anéis nas mãos, prontinhos para serem publicados. Ele pergunta:

- O que é?



- Eu vim fazer a leitura da luz, senhor.



- Ahhhh! Espera só um pouquinho que eu vou buscar a chave.

Começo a pensar se aquele tiozinho não é o Ivo Holanda disfarçado tirando uma comigo.

Espero muuuuuuuuuuito. Quando ele volta, já estou mais velho do que ele. O caseiro olha pra mim e pergunta:

- Ué? Cadê o menino que veio tirar a leitura?



- Sou eu mesmo! – respondo.

Ele olha pra mim, me examina, depois “dá com os ombros” e diz:

- Então tá!

Ele pega o chaveiro com 800 chaves. Ainda bem que ele sabe de cor de onde é cada uma. Quando ele puxa a corrente do portão pra pegar o cadeado, ela sai na sua mão e ele diz:

- Ah! Já tava aberto!


sábado, 15 de agosto de 2009

Quem tem medo do leiturista mau?



Dias atrás, fui fazer a leitura da luz num prédio com 6 apartamentos e que tem os relógios de energia elétrica do lado de dentro. Como não há porteiro, quem sempre abre o portão automático pra eu entrar é a moradora do apartamento número 1.

Por azar, nesse dia, ela não estava. Então, fui obrigado a tentar a sorte tocando os outros números na sequência.

Número 2: toquei 3 vezes. Ninguém atendeu.

Número 3: no primeiro toque, uma voz de mulher:

- Pois não?

- Bom dia, vim fazer a leitura de luz.

(Silêncio)

- A senhora pode abrir o portão pra mim? É que a moradora do apartamento 1, que é quem sempre abre, não está.

(Silêncio)

- Senhora?

(Barulho de interfone desligando)

Esperei por 5 minutos. Nem sinal da mulher. Toquei o interfone novamente. Sem sucesso.

Parti pro número seguinte.

Número 4: 3 toques. Ninguém.

Número 5: 1 toque e outra mulher atende:

- Oi.

- Bom dia. Eu vim fazer a leitura da luz. A senhora pode fazer a gentileza de abrir o portão pra mim?

- Olha, moço. Eu tô no meio do banho. Você não pode apertar outro número?

Sempre que uma pessoa não quer abrir a porta pra eu entrar, ela inventa desculpas esfarrapadas. E a pior de todas é aquela:

“- Ai, moço. Meu marido saiu, levou a chave e eu tô trancada aqui até ele voltar.”

Dá vontade de falar:

“- Meu Deus, que tragédia!”

“- Ué? Tragédia por quê”

“- Sua casa está pegando fogo!”

Queria ver se ela não encontrava a chave na hora.

Voltando a história.

Número 6: silêncio.

Decidi continuar minha leitura nas outras casas. Quando terminei, 2 horas depois, voltei ao “bendito” prédio.

Pulei o apartamento 3 e toquei todos os outros números, sem sucesso. Toquei o número 3. Dessa vez, a mulher não atendeu, mas olhou pela janela. Levantei os braços mostrando o aparelho de leitura na minha mão. Esperei uma resposta. Sem retorno.

Comecei a pensar se aquela mulher realmente existia ou era apenas uma alucinação provocada pelo calor (do sol e da raiva). Sem contar a possibilidade de estar tendo contado com uma alma penada que não estava autorizada a abrir o portão do prédio pra mim.

Quando a gente não consegue fazer leitura, o cliente recebe uma carta pedindo que da próxima vez, deixe acesso livre ao relógio de luz. Aí, muitos desses clientes tem a cara de pau de pegar o telefone e ligar pro nosso 0800 dizendo:

“- Ah, mas o leiturista não passou na minha casa!”

Sabe aquela frase: “Cliente tem sempre razão?”. Ela só perde em imbecibilidade praquela outra: “Dinheiro não traz felicidade”.

Pra não levar “broncas” posteriores, decidi infernizar aquela mulher até ela me atender.

Juro! Toquei o interfone dela 10 vezes! Mas, não adiantou nada.

Fiquei pensando numa coisa mais radical. Não sabia se colocava um palito no interfone pra ele tocar até explodir ou se jogava uma granada de mão na janela dela pra explodir o prédio inteiro, mesmo. Como não tinha palito (e muito menos uma granada) soltei um grito cujo abalo provocado deve ter alcançado pelo menos 8 graus na Escala Richter:

- LEITURA DA LUZZZZZZZZZZZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Na mesma hora, o pipoqueiro que descia a rua e passava atrás de mim disse:

- O Campeão, tem interfone aí!

Minha fúria era tamanha que eu seria capaz de estourar todo o milho de pipoca dele só com o olhar. E outra: por que as pessoas insistem em me chamar de “Campeão”? Campeão de quê, cacete! Só se for campeão de paciência!

Fui embora sem conseguir fazer a leitura nesse prédio. E sabe por quê?
Porque, hoje em dia, as pessoas vivem com medo. E pra piorar, ficam vendo esses programinhas "maravilhosos" que passam à tarde tipo “Brasil Urgente”, “Cidade Alerta”. Aí, num determinado dia, assitem uma reportagem do tipo: “Em São Paulo, um bandido vestido com uniforme do Correio, assaltou uma casa.”

E o povo fica pensando que todo mundo que usa uniforme, é bandido.

Tá certo que muita gente acha que o valor da conta de luz é um “roubo”. Mas me chamar de ladrão porque sou eu que marco esse valor, aí já é demais.

Primeiro porque eu apenas copio o número que está no relógio de luz. O aparelho engole a leitura e faz a conta sozinho, como uma calculadora.

Segundo e principal. O dinheiro arrecadado com as contas, com TODA A CERTEZA NÃO VEM PARAR NO MEU BOLSO!