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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Gordão

Nesses 5 anos trabalhando como leiturista passei por diversas experiências bizarras.

Mas, nada que se compare as histórias do Gordão.

Gordão é um colega que trabalha numa cidade vizinha a Atibaia e é também o cara mais azarado que eu conheço.

Certa vez, ele foi fazer leitura num sítio onde o relógio de energia elétrica ficava no alto de um enorme barranco.

Graças ao seu porte físico estilo Faustão (extremamente gordo da cintura pra cima e com pernas finas) chegou exausto ao final da escalada. Heroicamente, ele ainda anotou a leitura antes de cair de joelhos no chão. Nesse momento, nuvens negras começaram a pairar sobre sua cabeça.

Não, não era chuva. Eram pensamentos não auspiciosos:

“Ai, não aguento dar nem mais um passo. Se aparecesse um cachorro agora eu taria perdido!”

O cachorro não apareceu.

Apareceu um porco enorme e raivoso. E com uma violenta cabeçada jogou o Gordão do outro lado do barranco.

Incrivelmente ele não sofreu nem um arranhão. Também pudera, caiu no meio do chiqueiro!

Como aquela era a última leitura do dia, Gordão, coberto de cocô de porco dos pés a cabeça, subiu em sua moto e foi direto pra casa.

Devido ao sol forte e ao vento do trajeto, aquela lama fétida que cobria seu corpo começou a secar e a rachar, de modo que até mesmo os seus familiares chegaram a confundi-lo com outra pessoa.

Filho: - Mãe, mãe, olha: o Abominável Homem das Neves!

Esposa: - Não diz besteira, menino. Aqui em Piracaia não neva.

Filho: - Então, quem é ele?

Esposa: - Pelo jeito... é um Mutante.

Filho: - Qual?

Esposa: - Ai, como é mesmo o nome? Ah, o Coisa.

Filho: - Não, mãe. O Coisa é do Quarteto Fantástico.

Esposa: - Ah é!

Gordão: - Oh, Benhê! Sou eu!


Outro dia, ouvi ele contando a um colega que um morcego fez cocô na sua cabeça. Fiquei imaginando onde ele estaria fazendo leitura: numa caverna? Num castelo da Transilvânia?

Ver morcegos de dia já não é muito comum, imagina ser atingido pela cagada de um.

Seria uma brincadeirinha de mau gosto do Batman?

Ou o Drácula tentando aparecer a qualquer custo? Afinal, ele anda bem em baixa, principalmente agora que a mulherada só quer saber do vampiro do filme Crepúsculo.




Claro que não poderia faltar aqui uma boa história sobre cachorro. Outro dia ele disse que estava numa casa fazendo leitura e quando se deu conta havia um Pit Bull vindo em sua direção. Sem pensar muito ele pulou um alambrado “sem colocar as mãos”.


- Qual a altura do alambrado?
– alguém perguntou.

- Uns 2 metros! – ele respondeu.

- Dois metros? Impossível! – duvidou um terceiro.

- Que nada! Na hora do medo a gente faz coisas que até Deus duvida! – retrucou o primeiro.

E eu concordo! É bem provável que ele tenha “voado” mesmo sobre o alambrado. Principalmente se tivesse tomado Red Bull.
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Gordão conseguiu escapar de um Pit Bull. Mas, não de um aluno da escola pública.

Quando Gordão caminhava dentro da escola em direção ao relógio de luz, um moleque apareceu do nada e lascou-lhe uma mordida no braço.

Tá certo que Gordão é enorme e branco como aquele boneco de machimelo do filme dos Caça Fantasmas. Mas, não a ponto de ser confundido.



Acho que o que rolou de verdade foi falta de merenda naquela escola.

E a mordida foi um sinal de protesto do aluno. Ou um sinal de fome mesmo.