Dia 06/09 foi o Dia do Sexo. Tema que foi um prato cheio para os humoristas.
À meia-noite desse mesmo dia, Oscar Filho escreveu algo mais ou menos assim no twitter: “- Agora que o Dia do Sexo já acabou, eu vou fumar um cigarro.”
Teve gente que entendeu a piada.
Mas, teve gente que não entendeu e ainda ficou espantada escrevendo coisas desse tipo pra ele: “- Nossa! Você fuma?”
Ninguém é obrigado a entender tudo o que lê. Porém, antes de ler o que alguém escreve, é preciso ter noção se aquilo preencherá as nossas expectativas como leitor. Tipo assim:
Se você quer ler um livro com o objetivo de rir, provavelmente vai buscar autores como Mario Prata, Luis Fernando Veríssimo e não um Nelson Rodrigues.
Agora, se você quer ler assuntos sérios, por que é que você vai seguir um humorista no Twitter?
A característica principal dos humoristas é a ironia. Ou seja, não dá pra levar ao pé da letra o que eles dizem.
Mas, tem gente que não entende!
A minha mãe é a pessoa que mais amo na vida. Mas, ela é desse tipo que não entende.
Outro dia eu tava revoltadíssimo com a falta de grana. Reclamava que meu emprego era um bosta, que eu ganhava pouco, que eu precisava arranjar outra coisa pra fazer ou pelo menos conseguir um bico pra aumentar a renda. Aí, no ápice do meu protesto, minha mãe virou pra mim e disse assim:
- Por que você não vai fazer trabalho voluntário?
Meu Deus do Céu!
Ok! Trabalho voluntário é uma ação muito bela. Mas, se a questão é ganhar dinheiro, ele não é a melhor opção.
Outra mania da minha mãe:
A gente tá sentado na sala e ela vem da cozinha com um copo de suco de frutas na mão dizendo:
- Quer?
- O que é, mãe?
- Suco.
Putz, é óbvio que é suco! Eu quero saber suco de que!
Quando eu era solteiro e morava com ela, eu chegava pra almoçar e perguntava:
- Mãe, o que tem pra comer?
- Arroz e feijão.
Put... que o... par...! Isso eu já sabia! Eu estava me referindo ao acompanhamento, à mistura, a outra coisa que não era o básico arroz com feijão!
Eu explicava isso pra ela na boa, mas, não adiantava nada. No dia seguinte acontecia a mesma coisa.
E o pior é que não era ironia. Minha mãe falava sério mesmo.
Aqui na minha cidade há a Pedra Grande, uma montanha que é um dos pontos turísticos de Atibaia. Quando adolescente, eu e minha turma costumávamos fazer trilha até o pico dessa montanha.
Certa vez, fazia algum tempo que a gente não ia até lá, então, eu cheguei pro pessoal e falei:
- O que vocês acham da gente subir na Pedra Grande no feriado?
E o Oscar virou pra gente e disse:
- Beleza! Eu vou de carro!
Todos riram da piada.
Acontece que no dia marcado, o Oscar não apareceu. Então, nós subimos a montanha sem ele. Chegamos ao topo e depois de algumas horas, resolvemos descer. De repente, avistamos um fusca azul calcinha chegando. Quem era?
O Oscar!
Quer dizer, o que era piada virou realidade.
É por isso que eu digo: nunca leve ao pé da letra o que diz um humorista.
Mas, não adianta. Tem gente que não entende...
