Sábado de Carnaval. 8 horas da manhã. Juliano está de ressaca. Alguém toca a campainha.
- (Bocejo) Pois não, senhoras?
- Podemos falar um minutinho com o senhor?
- (Bocejo) Sobre o que seria?
- O senhor anda com tempo para o Senhor?
- Olha, ultimamente tenho trabalhado tanto que não anda sobrando tempo pra mim não.
- Não, não. Eu digo se o senhor anda com tempo para o Senhor – diz apontando o dedo para cima.
- Ahhhh!!! Entendi.
Juliano veste uma bermuda e uma camiseta e vai atendê-las no portão.
Juliano veste uma bermuda e uma camiseta e vai atendê-las no portão.
- Nós gostaríamos de convidá-lo a assistir um culto na nossa igreja. O senhor aceitaria?
- Eu respondo. Mas, antes, posso fazer uma perguntinha?
- Claro, claro.
- Por que vocês vêm fazer um convite desses num sábado de Carnaval e ainda por cima tão cedo?
- O senhor acha que existe hora pra Deus?
- Não, mas...
- Carnaval é idolatria. O senhor acha que Carnaval é uma coisa boa?
- As senhoras não acham que dormir é uma necessidade?
- Você não acha que Deus é a sua maior necessidade?
- As senhoras acham que se eu deitar bêbado às 6 da manhã e levantar às 8h, eu vou conseguir assistir ao culto da sua igreja sem dormir? E as senhoras acham que adianta ir à igreja e não prestar atenção em nada?
- Desculpa, mas, o senhor está se alterando...
- Não, não. Eu tô calmíssimo. Sabe, essa igreja deveria pagar um curso de vendedor pra que vocês aprendessem abordar as pessoas do jeito e na hora certa. Quem sabe uma faculdade de Propaganda e Marketing?
- Podemos fazer o seguinte? O senhor vai até o nosso culto, não precisa necessariamente ser hoje, e depois nós voltamos a conversar. Pode ser?
- Só pra conhecer?
- Só pra conhecer.
- Eu aceito. Mas, com uma condição...
- Qual?
- As senhoras têm que conhecer primeiro a minha religião: o Candomblé.
- Desculpa, mas, nós não frequentamos nenhuma reunião social com teor religioso não-bíblico. Com licença. Passar bem – saem correndo.
- Ei, senhoras, voltem aqui. Eu tava brincando...
