Mostrando postagens com marcador Mestre dos Magos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mestre dos Magos. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de setembro de 2009

Velório – Lado B

A morte é a única certeza da vida. E é também aquilo que há de mais inaceitável nela.

Por isso, encerro aqui as filosofias e tristezas que permeiam o assunto pra observar o Lado B (ou o lado cômico) dos velórios.

Uma colega do Teatro contou que até os 7 anos de idade nunca tinha ido a um velório, até que o avô de uma amiga faleceu. Quando ela entrou no recinto, ficou tão impressionada, tão nervosa com a visão do caixão, que disparou a rir.

Os parentes do defunto começaram a olhar pra ela com ódio e suas amiguinhas tiveram que retirá-la da sala antes que o próximo velório que ela entrasse fosse o dela mesma.

Depois disso, nunca mais entrou num velório. Disse que tem medo de começar a rir novamente.

Caso isso acontecesse, ela seria a primeira anti-carpideira da história.

Mas, pior do que rir na cara do defunto seria o defunto rir na nossa cara. E isso só aconteceria em dois casos.

Primeiro: o morto teria que ser o Coringa.

Segundo: ele teria que ser um personagem de Caminho das Índias, daqueles que sempre morrem e voltam (tipo Raul, Raj e afins).

Tenho a impressão de que algumas pessoas nunca vão morrer. O Michael Jackson, por exemplo. Será que ele morreu mesmo? Ou o seu espetacular velório faz parte da refilmagem do clip da música Thriller?

Outro é o Silvio Santos. Tenho certeza de que quando eu tiver 90 anos, vou ligar a TV no domingo e ele vai estar lá, com a mesma cara, a mesma peruca caju, jogando aviãozinho de dinheiro pra platéia.

Já o Chico Buarque, com toda a sua genialidade e simplicidade, só vai deixar esse mundo quando enjoar. Imagino algo assim: ele vai pegar uma trouxinha de roupa, amarrar na ponta de um galho e colocar nas costas. Aí, num lugar cheio de fumaça branca ele vai sumir atrás de uma pedra como faz o Mestre dos Magos.

Dias atrás, minhas tias e minha mãe estavam discutindo qual era o melhor plano funerário da cidade. Um oferece coisas como desconto em farmácias e cadeira de rodas se o pagante necessitar (ainda vivo, é claro). (Não, isso não foi uma propaganda de operadoras de celular).

O outro serve salgadinhos, bolacha, chá, café e capuccino no velório.

Mas, nenhum deles supera a criatividade do meu tio Ricardo e seus amigos. Quando um da turma morreu, meu tio e outro amigo foram pra porta do cemitério e bem na hora do enterro executaram o último desejo do morto: soltaram uma caixa de rojões!

Contudo, as coisas que mais chamam a atenção nos velórios não são as novidades e sim as coisas que se repetem em todos eles. (Pelo menos aqui no interior).

Repare que sempre aparece um bêbado. Ele chora até ficar desidratado e ninguém sabe quem é ele. Alguém fala: - Parece que ele trabalhava com o Fulano (o morto).

Um “marvado” comenta: - Dizem que Fulano ficou devendo uma grana pra ele. Grana preta!

Outro ainda mais “marvado” diz: - Não comenta nada, mas ouvi dizer que esse bêbado aí é filho do Fulano.

Sempre tem também alguém brigando por uma coisa que não vai fazer a menor diferença na vida dele nem na do morto.

Briguento: - Que número é o túmulo?

Coveiro:
- Número 93, fileira F.

Briguento:
- Cê tá louco! Pela ordem é 91.

Coveiro:
- Mas, senhor, o número que me mandaram colocar foi esse.

Briguento:
- Tá errado! Vou processar essa merda de cemitério!

Sem falar que sempre aparece um cachorro. Ele rola na terra do cemitério e depois vem meter as patas na calça da gente, buscando um cafuné.

Ah, e tem também aquela tia gorda chamada Isnira (ou algo parecido), que senta num cantinho, lá fora, e começa a contar piadas. No início, os parentes do defunto estranham, ficam indignados. Mas, depois de ouvi-la contar o primeiro causo, já começam a se aproximar e a sorrir. Mais um pouco, o velório está vazio e a roda em volta da humorista é enorme.

Você então se levanta com o abdome dolorido de tanto rir e vai pra cozinha pegar um café. Na volta, ouve os risos das pessoas lá fora e ao passar pelo morto que está sozinho sente remorso. Contudo, tem a impressão nítida de que ele está sorrindo. Não um sorriso de dentes, mas, aquele disfarçado, tipo Monalisa.

Você pisca pra ele e volta pra fora.

Na noite seguinte, você acorda num pulo. Sua mulher assustada pergunta:

- O que foi isso?!

- Lembrei de uma coisa que aconteceu no velório!

- Do quê?

- A piscada que dei pro Fulano... foi correspondida!

(Deixe seu comentário na caixinha. Obrigado!)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

PASSAT

Ser colega de trabalho de verdadeiras lendas vivas é um dos maiores privilégios que o trabalho como leiturista de luz pode oferecer.

Hoje, com a sua prévia permissão, vou falar sobre uma dessas lendas. Seu nome, ou melhor, codinome é Passat.

Passat é, quanto ao aspecto físico, o que podemos chamar de “irmão caçula da Bruxa do Mar”, do Popeye.

Mas, como ele não é verde, há quem o considere mais parecido com o “Mestre dos Magos”, da Caverna do Dragão, embora um pouco mais alto.

Pra descomplicar: Passat tem olhos azuis, é cabeludo, branco como cera e narigudo como... como... bem, não consigo encontrar um modelo de comparação entre os humanos. Talvez entre os animais.

Sim! Passat é trombudo como um elefante africano, é isso!

E foi justamente por causa da tromba que a empresa quase deixou de contratá-lo. Alegavam que ele traria muitos prejuízos, já que teria que usar um tubo de protetor solar por dia naquele narigão.

Contudo, ele acabou sendo contratado por conta de outro aspecto.

Passat é, como toda lenda, um ser tocado por Deus, dotado de um super poder que não é inerente as nós, simples mortais. Esse poder é a super velocidade.

Quando nós, os leituristas, ainda entregávamos as contas de luz, Passat era sempre o primeiro a terminar.

Na verdade, antes de sabermos que ele possuía esse dom supremo, não conseguíamos entender como ele conseguia entregar as contas antes mesmo delas chegarem até nós, em malotes fechados vindos do correio.

Quando ainda era criança, um amigo e eu sempre discutíamos sobre quem ganharia uma corrida: Flash ou Super-man.

Quanta ingenuidade infantil! Logicamente nenhum deles e sim o Passat!
E por que esse apelido? Passat? Com tanta velocidade não seria mais correto apelidá-lo de Bugatti EB 16-4 Veyron (o carro mais rápido do mundo)?
Bem, esse apelido é mais um dos segredos que permeiam a vida desse fascinante ser.

Dias atrás, aconteceu algo surpreendente. Eram quase 6 da tarde, todos já haviam terminado a leitura, menos um: Passat. Nosso encarregado, então, pegou o telefone e ligou para ele:

- Alô! Passat?

- Sou eu.

- O que aconteceu que você ainda não chegou?

- Tô enroscado numa cerca de arame farpado!
Ninguém foi até o local para ajudá-lo. Nem para ter certeza se aquela história era verdadeira.
Passat disse apenas que escapou da tal cerca depois que uma senhora que passava o ajudou.

Contudo, tenho pra mim que uma simples cerca de arame não seria capaz de detê-lo.

É mais provável que ele tenha sido barrado pela teia de uma aranha gigante.

Você, leitor, pode até pensar que estou louco por escrever isso. Mas, é por que ainda não conheceu os meus companheiros de trabalho. Pois, uma vez que você os conhece, nem a novelinha dos Mutantes da Record parece tão absurda!