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domingo, 14 de maio de 2017

HAROLDO E MARILU: O FIO DE CABELO

Escrevi, produzi, dirigi e atuei numa mini web série chamada Haroldo e Marilu.

Quem quiser assistir (e curtir e compartilhar) o primeiro capítulo é só clicar no título em azul: Haroldo e Marilu : O fio de cabelo 

Abraços!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Luz




Dias atrás, cheguei numa casa pra fazer leitura de luz e uma mulher me perguntou:

- Moço, você é luz?

Respostas imaginadas:

- Sim, sou “raio, estrela e luar... Manhã de sol, meu iá iá, meu iô iô...” (Wando)

- Sim, “eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar...” (Raul Seixas)

- Sim, sou Luz Clarita, a nova velha novela do SBT...

- Sim, sou Jesus Luz, não tão famoso quanto o “filho do Homem”, mas, já peguei a Madonna...

Mas, ao invés dessas respostas, apenas confirmei:

- Sim, sou o homem da luz.

E a louca da mulher gritou pro marido:

- Benhê, abre o portão que o homem veio marcar a água.

Vai entender...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os Amantes





- Ricardo...

- Hummm?

- Tá acordado?

- Agora tô!       

- Levanta!

- Por quê?

- Alguém abriu a porta lá embaixo.

- Deve ser ladrão.

- É sério, Ricardo!        

- Você deve ter sonhado, Claudete. Não to ouvindo nad... Ei, você tá ouvindo isso?

- Tem alguém subindo a escada!

- Mas, quem?

- Meu marido!

- Mas, você não disse que ele só voltava no sábado?

- Disse, mas... Rápido, se esconde!

- Onde?

- Dentro do armário.

- Não tem um lugarzinho mais óbvio, não?

Ricardo apanha suas roupas e entra no armário enquanto Claudete se deita na cama fingindo dormir.

A porta do quarto se abre. Uma sombra se aproxima, acende a luz do abajur e chama baixinho:


- Gostosa...

- VANDERLEY!!!

- Surpresa!!!

- O que você tá fazendo aqui?

- O que você acha? Vim te ver.     
 
- Mas, não era pra você tá trabalhando?

Ele vai tirando a roupa enquanto explica:

- Era... Entrei as 10 horas, quando foi 10 e meia, deu um “pau” no sistema elétrico e parou todas as máquinas. Naquela escuridão, não dava pra fazer nada, aí o encarregado dispensou a gente.

- Ah, tá... Só que é 1 e meia da manhã. O senhor pode fazer o favor de me explicar o que ficou fazendo das 10 e meia da noite até agora?

- Oh, gostosa! Nem parece que ficou contente de me ver... Vem cá me dar um beijinho!

Só de cueca ele pula em cima dela que tenta segurá-lo. A luta é interrompida pelo som de rajada de metralhadora abafado.

- Credo! Que foi isso?

- Fo... Fo... Fui eu!

- Nossa, Claudete! Nunca ouvi você peidar assim.

- Também, você fica me apertando!

- Engraçado, eu já ouvi esse peido... Mas, parece que saiu do armário...

- Ah, claro! É porque o meu “amante” tá la dentro.        
   
- Hahaha! Não, gostosa, eu tô bem aqui.

Ele voa novamente em cima dela. Eles rolam na cama quando, de repente...

- Que foi isso?

- Alguém abriu a porta lá embaixo.

- Ladrão, será?

- Seria muita sorte.

- Então, quem?

- Meu marido!

- Mas, ele não voltava no sábado?

- Ai, não sei de mais nada! Rápido, se esconde!

- No armário?

- NÃO!!!... Muito suspeito. Embaixo da cama.

Vanderley, este sim o amante oficial, junta suas coisas e vai pra debaixo da cama. Sobre a cama, Claudete finge dormir.

A porta do quarto se abre. Uma sombra entra, pára, observa a mulher por um instante e solta um riso bem baixinho. Depois, deixa algo sobre o criado-mudo, se vira e sai pra nunca mais voltar.

Assim que escuta a porta debaixo sendo trancada, a mulher se levanta, acende a luz e descobre uma carta ao lado da cama. Começa a ler...

Querida Claudete

Sinto informar que você não é tão esperta quanto pensava...

Há muito tempo que sei que você tem um amante. Aliás, um não. Dois!

Quer saber por que eu continuei com você? Foi por causa da tua herança.

Sabe quem é o namorado secreto da tua mãe? Sou eu! Estes 14 meses que você está me chifrando, foi tempo suficiente pra eu conquistar a velha e convencê-la a passar para o meu nome a empresa e todos os bens que seu pai deixou.

Mas, não se preocupe. Esta casa eu vou deixar pra vocês. Eu disse vocêS. Sim, é porque tua mãe vai vir morar com você.

Ela está acreditando que vai fugir pro Caribe comigo esta noite. Coitada! Eu não vou fugir com ela. Eu vou viajar com a Sônia, a gostosa da nossa empregada que você detesta.

Ah, e só pra finalizar: o Ricardo e o Vanderley, seus amantes, são gays e namorados! Não acredita? Ligue para Luis Antonio do Prado, detetive particular, 5555-0000. Ele vai confirmar com fotos e vídeos.

Pra você ver como é a vida, não!

Então, até!

Um beijo!

Celso



sábado, 5 de janeiro de 2013

O Retorno de PS




Era quarta-feira, 14 de dezembro de 2011, 22:00h.

Naquela noite, despedi-me do pessoal do teatro e segui para casa a pé, cabeça baixa, digitando uma mensagem no celular.

“FALHA DE ENVIO”

Tentei novamente... “FALHA DE ENVIO”

Insisti mais algumas vezes até que a mensagem na tela mudou para “SÓ CHAMADAS DE EMERGÊNCIA”.

Desisti. Bloqueei o teclado e enfiei o celular no bolso. E quando levantei a cabeça foi que percebi a escuridão em que me encontrava.

Eu estava no centro da cidade e não havia uma luz de poste acesa. Faltava uma semana para o Natal e não havia uma loja sequer aberta. Fazia um silêncio assustador.

Virei para trás para ver se enxergava o pessoal lá na porta do teatro. Tudo apagado.

Meti a mão no bolso para ligar a lanterna do celular, mas, ele não ligava.

“Não é possível que a bateria tenha acabado” – pensei.

Não enxergava um palmo à frente do meu nariz e quando já não sabia mais o que fazer, apareceu uma luz no fim do túnel, ou melhor, no céu.

- Meu Deus...


***


Acordei numa sala toda branca. Seria um hospital?

- Olá, terráqueo.

Meu coração quase pulou pela boca quando vi a figura à minha frente: um extraterrestre!

Não era verde como nos filmes. Nem cabeçudo. Era bem parecido com a gente só que a pele era transparente, tipo... Aquele macarrãozinho japonês que tem gosto de pepino e gengibre e que eu não sei o nome.

Quando me dei conta do que se tratava, fiquei super empolgado: eu havia sido abduzido! Que massa! Eu sempre tive vontade de conhecer os ETs... Mas, daí, comecei a pensar no que eles poderiam querer fazer comigo...

- O que vocês querem de mim? Já sei, implantar um chip na minha cabeça... Ou quem sabe me colocar numa experiência sexual com uma ET de 4 seios pra ver o que nasce do nosso cruzamento... Ou então...

- CALADO!!!

Fui levado para uma sala e me colocaram numa cadeira giratória no centro. Em volta havia pelo menos 10 ETs, estilo o programa de entrevistas Roda Viva.

- Você, Paulo, será submetido a uma série de perguntas esclarecedoras sobre a sua espécie: os humanos.

- Eeeeeeeeuuuuuu??? Por que justo eu?

- Porque você tem um blog com mais de 200 seguidores e estes seguidores estão crescendo a cada dia e você é conhecido em seu planeta como “O Homem da Luz”.

- Hahaha! Não exagera! Vocês estão de brincadeira, não é? Eu sou apenas um medidor de consumo de energia elétrica que tem um blog e...

-CALADO!!! Vocês humanos são estudados por nós há muitos séculos e sabemos da capacidade de dissimular, fingir e mentir que vocês têm.

- Ok, seu ET. Mas, se vocês nos conhecem tão bem, em que eu posso ajudá-los?

- Estudamos todas as línguas e dialetos do teu planeta, mas, especialmente no teu país, o Brasil, há mensagens no meio de certas músicas que não conseguimos decifrar. E temos certeza que você, o Homem da Luz, poderá nos dar “uma luz.”

- Ai que engraçadinho o senhor... Pode falar...

- “TCHE, TCHERERÊ TCHÊ TCHÊ... TCHERERÊ TCHÊ TCHÊ... TCHÊ, TCHÊ, TCHÊ...” / “TCHU TCHÁ TCHÁ TCHU TCHU TCHÁ, TCHU TCHÁ TCHÁ TCHU TCHU TCHÁ...” / “LÊ LÊ LÊ, LÊ LÊ LÊ...” / “...TINDÔ LÊ LÊ, INHECO NHECO XIQUE XIQUE BALANCÊ...”

Fiquei pasmo com a ingenuidade daquela raça que se dizia tão avançada. Expliquei o sentido daquelas músicas e também avisei que seu entendimento não mudaria nada na evolução da espécie. Mas, me surpreendi com a reação deles:

- Sensacional! Essas músicas são especiais! Podemos captar no meio delas a essência, o significado de coisas maravilhosas!

“Meu Deus! O Mundo está perdido!” – pensei.

Despedi-me de cada um deles. O “chefão”, aquele que me mandou calar a boca 2 vezes, disse-me que havia gostado tanto de mim que iria me procurar no Face.

No caminho de volta, comecei a vislumbrar possibilidades de me dar bem com a experiência vivida, como ser a ponte para uma série de shows o Michel Teló no planeta deles, por exemplo.



***


Acordei em casa com uma baita de uma ressaca. Não conseguia me lembrar de nada. Mas, com o passar dos dias, minha memória foi voltando. E então eu me lembrei dessa história da abdução. Nunca havia contado pra ninguém até hoje. Não por medo de ninguém acreditar. Mas, é que naquela noite, antes de ser seqüestrado, lembrei que no finalzinho da aula de teatro, eu estava com muita sede e o Salsicha, um colega de palco, me ofereceu um gole de um líquido, que parecia água, que estava dentro de uma garrafa de refrigerante dentro de sua mochila.

- O que é isso, Salsicha?

Mas, quem respondeu foi outro colega, o Tiago:

- É Baygon!

Vai saber o que era aquilo, meu Deus...


terça-feira, 29 de novembro de 2011

A arte de vender

Dizem que vender é tão trabalhoso quanto levar alguém para a cama.

Ou não...

O fato é que o bom vendedor precisa seduzir, oferecer ao cliente aquilo que ele procura ou então convencer este cliente de que ele precisa de algo que na verdade ele não precisa.

Em outras palavras, o vendedor é um enrolador! Pronto, falei!

Mas, isso não é uma crítica. Todos nós somos vendedores. Seja de produtos, de serviços, de ideias etc. O problema é que tem gente que não consegue vender nem a própria imagem (por falta de simpatia, de sinceridade, indiferença) quanto mais um produto.

Certa vez, entrei numa loja pra comprar uma bermuda. Uma moça com o semblante quase tão sereno quanto o de um Pit Bull faminto veio me atender.

- Você já foi atendido?

- Ainda não! Eu gostaria de saber o preço destas bermudas aqui...

- Ah, mas, essas não combinam com seu estilo não!

Espera aí! Como ela sabia qual era o meu estilo? Pela roupa que eu tava usando? Eu usava uma calça jeans e a bermuda que eu queria saber o preço também era jeans.

- Ah é? E qual é a bermuda que combina com meu estilo, então?

- Essas daqui.

De fato, as bermudas que ela me mostrou eram mais bonitas. E mais caras também, é lógico! Pedi uma tamanho M “só pra experimentar”. Ficou apertada e quando saí do provador para pedir o tamanho G, antes que eu falasse, ela pegou a bermuda da minha mão e disse:

- Já posso embrulhar, então? É pra presente?

Primeiro: se eu estava experimentando, era óbvio que era pra mim, portanto, não era para presente.

Segundo: como assim “posso embrulhar?”?

- Na boa, você está com pressa de atender outra pessoa? Pode ir, eu procuro outro atendente.

- Não, moço, o que é isso? É que a bermuda caiu tão bem em você e eu achei que iria levar.

Quando o vendedor mente, aí é o fim! Parece que está subestimando a nossa inteligência.

- Moça, como você sabe que a bermuda me serviu se eu a coloquei e a tirei dentro do provador? A não ser que você tenha me espiado...

- Bom... Eu... Eu vou pegar o tamanho G...

- Não precisa moça, muito obrigado! Vou dar mais uma volta por aí e qualquer coisa eu te procuro.

Nesta parte, o cliente também mente.

Os vendedores também pecam em certas propagandas.

Há um comercial de shampoo que usa dois garotos propagandas de cabelo bom, mas de popularidade péssima: o jogador português de futebol Cristiano Ronaldo (que pode ser considerado craque por alguns e lindo pelas mulheres, mas, que é extremamente arrogante e esnobe) e a atriz Carolina Dickman (linda, boa atriz, mas, que consegue ser odiada pelo público mesmo quando faz personagens boazinhas).

Outro dia mesmo estava na casa de uma pessoa e quando passou essa propaganda na TV ela falou: - Ih, credo! – E mudou de canal.

Aqui em Atibaia há uma loja de calçados que no período de Natal usa um método irritante de “caçar” os clientes. Todos os vendedores formam um paredão no meio da loja e se você quiser entrar, no caso, apenas para ir até o caixa pagar uma prestação, não adianta entrar com o carnê balançando porque pelos menos uns três vendedores vão perguntar: - Posso ajudá-lo?

Dá vontade de responder: - Pode! Pega este carnê, vai lá praquela fila gigante do caixa e paga a prestação com o seu dinheiro. Ok?

Já pensei até em fazer ginástica olímpica pra quando eles formarem este paredão eu entrar na loja correndo e dar um salto estilo Diego Hipólyto por cima deles.

Outra coisa que sempre ouvi falar em relação a vendas é de que o bom vendedor deve conhecer de fato o produto.

Por isso eu não entendi quando um amigo em crise no casamento foi pedir conselhos ao padre. O que um padre pode oferecer (vender) de conselho pra um casal? Ele nunca casou...

Bem, eu poderia tentar fazer muito mais gente ler as minhas postagens se colocasse, por exemplo, um título assim: “LEIA, COMENTE E CONCORRA A UM CARRO O KM, UMA VIAGEM DE 15 DIAS PARA O CARIBE E A UM LUGAR COM ACOMPANHANTE NO CAMAROTE DO SHOW DA IVETE SANGALO” e no final da postagem, colocar um vídeo do Sérgio Malandro dizendo assim: “Áh! Pegadinha do Malandro!”

Mas, acho melhor não correr o risco de vender uma imagem em que as pessoas me rotulem assim: “Oh, leiturista filho da p...


sábado, 5 de novembro de 2011

Reiki

REIKI é uma terapia baseada na canalização da energia universal (rei) através da imposição de mãos com o objetivo de restabelecer o equilíbrio energético vital de quem a recebe e, assim, restaurar o estado de equilíbrio natural (seja ele emocional, físico ou espiritual); podendo eliminar doenças e promover saúde. (FONTE: Wikipédia)
  



Tenho aparecido muito pouco aqui no blog. Não por falta de vontade. Por falta de tempo mesmo.

Por que o ser humano corre tanto?

Às vezes, olho pra minha vida e também pra vida daqueles que me rodeiam e vejo tanta correria, tanta ansiedade, tanto estresse que tenho a impressão que vivemos dentro daquele comercial das Casas Bahia onde aqueles caras ficam anunciando preços e promoções desesperadamente como se depois dali tivessem que voar pra dar tempo de tirar o pai da forca.

CHEGA!!! Foi o meu grito de protesto há duas semanas.

Na penúltima quarta-feira, resolvi tirar algumas horinhas pra relaxar e fui fazer uma sessão de Reiki.

Depois de esperar num grande salão com luzes e música calmantes, entrei num quarto e me deitei numa cama feita de bambu. Um cara veio e colocou uma pedra na palma de cada uma das minhas mãos e outra pedra maiorzinha bem em cima do meu estômago, digo, do meu chakra. Em seguida, fechei os olhos e ele começou a aplicar o Reiki sobre minha cabeça.

Eu achei que era papo-furado essa história de que a gente sente o calor saindo das mãos da pessoa que tá aplicando o Reiki na gente. Mas, olha! Tenho que admitir que é verdade. Minha orelha tá assada até agora... Brincadeira! Falando sério, deu pra sentir mesmo a temperatura das mãos dele.

Saindo dessa sala, voltei ao salão de espera. Muuuuuuuuito mais calmo. Muito mais equilibrado... Até que...

Neste salão de espera é pra gente ficar esperando em silêncio. Mas, havia duas garotas do meu lado que estavam mais interessadas em comentar como havia sido o final de semana delas na festa do tal do primo do Tiaguinho.

Um senhor que toma conta do lugar entrou no salão umas 40 vezes pedindo silêncio, mas, as duas vacas, digo, meninas, simplesmente ignoravam o pedido dele.

Resultado: tudo o que eu havia relaxado com a primeira parte da terapia de Reiki, eu havia perdido ali, do lado daquelas duas matracas!

Houve um determinado momento em que indiscretamente virei meu pescoço em direção aquelas garotas e tentei, juro que tentei, aplicar um Reiki com o meu olhar dentro dos olhos de uma delas pra ver se conseguia queimar uma de suas retinas e ela, com muita dor, tivesse que sair dali às pressas para ser levada a UTI e assim, deixasse-nos em paz para continuar a terapia...

O fato é que não adiantou nada! Elas continuaram falando. Então, me levantei e sentei na outra ponta do salão. Elas perceberam que estavam incomodando, mas, ao invés da minha ação fazer com quem elas parassem de falar, acabou lhes rendendo mais um assunto.

Depois disso, passei por outras salas. Fiz auto-massagem, exercícios de respiração e mais duas aplicações de Reiki. A última foi a melhor de todas. Entrei num quarto todo branco, deitei numa espécie de cama de hospital e duas pessoas ao mesmo tempo me aplicaram o Reiki. Além do calor das mãos das pessoas, senti um estado de relaxamento e de paz tão grande, que quando me mandaram abrir os olhos eu me assustei: “Meu Deus, eu morri?”

Mas, é assim mesmo. A gente anda tão agitado que quando consegue uns cinco minutinhos de paz até assusta.

Sem dúvida, o Reiki é excelente para relaxar e reequilibrar nossas energias. Mas, pra mim, a melhor terapia é essa aqui: escrever!


  

sábado, 22 de outubro de 2011

Creme Dental




Ultimamente, uma das propagandas que mais se tem visto na TV é daqueles cremes dentais que prometem deixar os nossos dentes mais brancos em menos tempo.

Outro dia, estava sentado no sofá da sala da minha mãe, quando minha sobrinha apareceu e ficou plantada na minha frente, calada e me olhando com um sorriso que parecia querer dizer “peidei, mas, não fui eu”.

- O que foi, Nathália?

- Você não reparou nada?

- Hummm... Cortou o cabelo?          

- Não.

- Pintou?

- Não, tio. Não é o cabelo.

- Então, é o quê?

- O dente.

- Ah! Já sei: tirou o aparelho!

- Tio! Eu tirei o aparelho já faz 6 meses!

- Putz! Então... Não sei.

- Eu sabia que não funcionava. – jogou uma caixinha de pasta de dentes na minha mão e sentou-se aborrecida.

Na caixinha, além da marca do produto havia uma espécie de subtítulo que era a promessa do que aquele creme dental poderia fazer pela gente: “White Now”. Que traduzindo para o português quer dizer algo como “branco agora” ou “branco imediato”.

Eu mesmo já acreditei nessas propagandas enganosas. Agora não acredito mais. Mas, como continuo querendo ter os dentes brancos, estou recorrendo a sabedoria popular, ou seja, chego pras pessoas que conheço que têm os dentes brancos e pergunto qual o segredo do sucesso.

O pai desta minha sobrinha mesmo, os dentes dele são bem brancos. Sabe qual o seu segredo? Escová-los com sabonete neutro!

Eu tinha um amigo na faculdade que também escovava os dentes com sabonete. Não porque quisesse ter os dentes mais brancos. Seu objetivo era amenizar o terrível mau hálito. Por isso, ao invés de sabonete neutro, ele fazia uso de sabonete infantil, tipo Johnson, Pom Pom...

Certa vez, ele chegou pra xavecar uma garota que ele era muito a fim. Ele mal começou a falar e ela disse:

- Hum, que cheiro de neném...

E antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela completou:

- ...cagado!

Bem, penso que se eu realmente quisesse deixar os meus dentes mais brancos a qualquer custo, seria bem mais radical na escolha dos produtos. Se um simples sabonete neutro pode fazer maravilhas pelos meus dentes, o que não faria a utilização de sabão em pó Ace para a escovação, seguido de alvejante Vanish usado como enxaguante bucal?

Mas, falando sério, a pessoa que conheço que possui os dentes mais brancos é a tia da minha mãe. Seu apelido é Gui e ela é um bocado perturbada da cabeça. Mas, quem não é?

Certa ocasião, tive a oportunidade de ficar a sós com essa minha tia-avó e depois de elogiar a brancura de seus dentes, não perdi mais tempo:

- Tia Gui, posso te perguntar uma coisa?

- Pode, filho.

- Qual o segredo dos seus dentes serem tão brancos?

E ela, com toda a sinceridade e humildade do mundo, respondeu:

- O segredo é deixar a dentadura de molho na água sanitária durante a madrugada.

E a família achando que a gengiva esbranquiçada da tia Gui era sinal de anemia...


sábado, 27 de agosto de 2011

A Arca de Noé



Noé, o único homem justo da Terra em sua geração, tinha planos de descer pra Praia Grande no feriadão. Contudo, após assistir a Rosana Jatobá anunciar a previsão do tempo no Jornal Nacional, teve que mudar de ideia: era previsto um dilúvio no final de semana.

- Pobre é uma merda mesmo! A gente vive só trabalhando. Aí, quando consegue juntar um dinheirinho pra levar a mulher e a criançada até a praia, chove. Ah, pelo amor de Deus viu! - Reclamava Noé, quando o telefone tocou.

- Não vai atender? – perguntou sua esposa.

- Atende você. E se for o cobrador das Casas Bahia de novo, diz que ele ligou pro número errado.

- Alô! Ah, sim. Só um minuto. É pra você.

- Quem é?

- Deus.

Deus disse a Noé que iria destruir o mundo por causa da perversidade humana e, como tinha um xodó por ele,  mandou que construísse um grande navio para salvar a sua família e um casal de cada espécie de animal.

- Mas, Senhor, o que eu faço com a baleia?

- Meu filho, as baleias não precisam ser transportadas na Arca, pois elas sabem nadar, seu cabeção. – respondeu Deus.

- Não, senhor. Eu falo da baleia da minha mulher. Vou ter que levar esse bucho comigo? Será que não tem como o senhor quebrar o meu galho e eu partir sozinho. Tipo assim: depois que as águas baixarem, eu vou parar numa ilha e encontro uma índia de corpo escultural, saca Pocahontas? Então, e aí a gente povoa a Terra de novo... Que tal?

Deus, caso não fosse Deus e não tivesse a paciência suprema, diria nessa hora: “Ai, meu Deus do céu! Aja paciência!” Mas, apenas respondeu: - Não rola!

Com o telefone da madeireira em mãos, Noé fez a encomenda do material.

Não se sabe ao certo, como ele conseguiu construir uma Arca tão grande em apenas uma semana. Mais estranho que isso, foi à loja de material de construção ter entregado sua encomenda com tanta rapidez, apenas 15 minutos após ter sido feito o pedido.

Coisa de Deus mesmo.

Na sexta-feira à noite, Noé colocou sua família e todos os casais de animais em sua Arca, inclusive a baleia.

No sábado, por volta do meio-dia, o céu começou a escurecer. Com apenas 5 minutos de chuva, todas as casas da redondeza ficaram submersas, o que leva muitos estudiosos bíblicos a acreditarem que Noé e sua família moravam na grande São Paulo. (Ou quem sabe no Parque das Nações, um bairro aqui de Atibaia).

O problema maior de Noé durante a viagem foi, primeiro: dar ração para aquela bicharada toda.

Segundo: livrar-se de tanta bosta acumulada!

Dizem inclusive que quando Noé despejou todas aquelas fezes animais no mar de uma vez, a merda era tanta, que deu origem a uma ilha.

Bem, a certa altura, Deus, que sempre andou muito ocupado, lembrou-se de Noé e interrompeu o dilúvio.

Noé e sua esposa, assim como Adão e Eva, tiveram a missão de povoar novamente a Terra. Não era uma missão fácil. Afinal, Noé já estava mais do que enjoado daquela baranga de mulher que era a única no mundo que lhe restara. De onde tiraria inspiração?

Até que num belo dia, um viajante do futuro vestido com um macacão branco e que era a cara do Wagner Moura chegou ao vilarejo onde Noé morava. O tal homem trazia diversas muambas futuristas e os dois logo começaram a negociar.

- Eu tenho um celular com entrada pra quatro chips pro senhor, seu Noé.

- Xi, meu filho, o sinal aqui é péssimo. E, além disso, vou ligar pra quem?

- Pra Deus.

- Deus tá usando Nextel.

- Ah...

Conversa vai, conversa vem, o homem do futuro tirou da mochila algo que seria a solução para o problema de falta de inspiração de Noé: uma coleção de Playboys: Juliana Paes, Cléo Pires etc.

Em troca das revistas, o viajante do tempo levou para o futuro pedaços de madeira da Arca de Noé que são vendidos em certas religiões hoje em dia e ninguém bota fé.

Noé, graças às revistas, encarou a esposa e repovoou o mundo. Quando já estava velho de barba branca, começou a ver e conversar com duendes. Sua esposa, pensando que ele estava caduco, tentou interná-lo numa casa de repouso, mas, o velho Noé fugiu para outro continente.

No Polo Norte, mudou de nome: Noel. Comprou um barracão e junto com os duendes passou a fabricar brinquedos que são distribuídos às crianças boazinhas todos os anos até hoje, na véspera de Natal.
  

sábado, 30 de julho de 2011

A Carona


A sede da empresa onde estou trabalhando fica no final de uma longa avenida. Como a maioria dos funcionários usa uniforme e também quase todos têm que passar por essa avenida, é muito comum que pessoas que se deslocam até lá à pé, como eu, acabem pegando carona no meio desse trajeto.

Dias atrás, estava indo para a empresa quando um senhor de bigodes parou o carro do outro lado da avenida e gritou:

- Tá indo pra lá?

- Sim. – respondi.

Atravessei a avenida, entrei no carro, botei o cinto e o homem iniciou a conversa dizendo que tinha uma reunião importante lá.

- Escuta, que horas você entra no trabalho?

- Bato ponto as 7:30h.

- E dá tempo?

- Ah, sim. Já estou acostumado a andar rápido todos os dias. Em quinze minutos dá tempo de sobra de chegar lá.

Passamos em frente a empresa que trabalho. Mais adiante, ficava o retorno obrigatório.

Mas, o homem passou também pelo retorno...

Comecei a achar aquilo muito estranho. Seria ele um sequestrador mandado pela minha ex-mulher?

- Olha, o senhor tá indo pra onde?

- Tô indo pra lá.

Meu Deus! Onde era o “pra lá” dele? Comecei a olhá-lo disfarçadamente. Não tinha cara de sequestrador. Nem de maníaco sexual com fetiche por uniformes. O que estava acontecendo então?

Já estávamos entrando na pista.

- Mas, o senhor vai “pra lá” por aqui?

- Sim. Mais adiante tem um retorno.

- Mas, nós acabamos de passar por ele.

O homem torceu o bigode. “Pronto!” – pensei – “Agora ele vai sacar a arma e dizer que é um assalto.”

Mas, peraí! Quem tava de carro era ele. Se fosse pra rolar um assalto quem teria que assaltar era eu, que estava a pé. Tinha alguma coisa errada ali. De repente ele perguntou:

- Mas, você tá indo pra onde?

- Eu tô indo pra Elektro (que ficava bem lá atrás, na grande avenida). E o senhor?

- Eu tô indo pra Mercotubos (que ficava bem lá na frente, na Rodovia Dom Pedro).

Depois de dar uma boa gargalhada, o homem disse:

- Puxa vida! Confundi o seu uniforme com o do pessoal que trabalha na Mercotubos.

Provavelmente, o uniforme deles deve ser amarelo gema ou vermelho sangue.

E o meu é azul marinho.

Não é a primeira nem a última vez que alguém me confunde com um profissional de outra área. Já me chamaram de leiturista da água, carteiro, policial, vendedor de zona azul e até juiz de futebol.

Ser leiturista tem dessas coisas. Ainda bem. Pois rende boas histórias!