
Outro dia me perguntaram por que o meu blog se chama "P S: O Leiturista".
"P S" são as iniciais do meu nome: Paulo Sergio.
"O Leiturista" é o nome da minha profissão atual: leiturista de luz.
Como todos já devem saber, trabalho na rua e uso uniforme. Mas, o que talvez não saibam é que sempre sou confundido com profissionais de outras áres.
Começando com o leiturista de água.
Às vezes, calha do leiturista de água passar no mesmo dia que a gente, só que um pouco mais cedo. Aí, quando tocamos a campainha de algumas casas, começa a confusão:
- Quem é?
- Leiturista da luz.
- Já passou hoje.
- Impossível, senhora.
- Já passou hoje sim! Até deixou a conta!
- Então, quem passou foi o leiturista da água. Eu estou fazendo a leitura da luz.
Silêncio eterno...
O portão automático se abre. Eu entro, tiro a leitura e quando estou saindo a mulher pergunta:
- E a conta?
- A conta não sai na hora, senhora.
- Como não? Mudou o sistema? Sempre saiu!
- A conta que sai na hora é a de água, senhora. A conta de luz só vem daqui a uma semana. E quem entrega é o carteiro.
A mulher faz aquela baita cara de desconfiada e diz:
- Sei!
Provavelmente ela pensa que eu não entreguei a conta pra ela porque não quis.
Só não sei o que eu ganharia com isso.
Aí, pra completar a confusão, a senhora entra e o seu marido pergunta:
- Quem era?
- O leiturista da água.
- De novo? Mas, já passou! Ei, moço!
As pessoas desconfiam de tudo, mesmo.
Outro dia, parei ao lado de um carro estacionado pra amarrar o meu sapato, quando uma mulher gritou da janela:
- Ei! Você chamou pelo menos?
- Como, senhora?
- Você por um acaso me chamou aqui em casa, antes de multar o meu carro?
- Não, senhora, eu não...
- Pois, devia! Eu moro aqui faz 35 anos e só parei o carro aí 2 minutos pra pegar um documento que esqueci e...
- Senhora! Só uma explicação: eu sou leiturista de luz, portanto, não vou multar o seu carro.
A mulher ficou muda. Depois de "3 anos" analisando meu uniforme, ela perguntou:
- Mas, você sabe se eu posso estacionar aí?
Se ela que mora na rua há 35 anos não sabe, porque é que eu, um leiturista, iria saber?
Aliás, acontece um negócio muito engraçado com a gente. As pessoas sempre acham que a culpa da conta delas vir alta é nossa. Ou seja, elas acham que nós não sabemos fazer leitura direito.
Por outro lado, elas acreditam que a gente sabe de coisas que nem Freud poderia explicar.
Na quarta-feira de manhã, mal saí na rua pra fazer leitura e já vieram me perguntar por que rolou o "apagão" na terça-feira à noite.
E eu é que ia saber?
Outro dia foi engraçado. Passei na porta de um campo de futebol onde estavam vários garotos uniformizados. Um deles, de uniforme verde, virou pra mim e perguntou:
- Vai ter jogo?
- Você tá perguntando pra mim?
- Tô! Vai ter jogo ou não vai?
- Sei lá!
Continuei andando e ouvindo a conversa dos moleques. O goleiro chegou pro garoto de verde e disse:
- Você é tonto?! Por que você perguntou pra ele se ia ter jogo?
- Ah, pensei que ele fosse o juiz.
Jamais imaginei ser confundido com juiz de futebol.
Pelo menos não xingaram a minha mãe!
Agora, o mais comum mesmo é ser confundido com guarda municipal.
Todas as vezes que paro próximo a uma avenida ou rua movimentada, as pessoas dos carros que passam por mim colocam rapidamente o cinto de segurança.
Acho até que merecia receber um pagamento do governo por contribuir indiretamente com a segurança no trânsito.