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domingo, 14 de maio de 2017

HAROLDO E MARILU: O FIO DE CABELO

Escrevi, produzi, dirigi e atuei numa mini web série chamada Haroldo e Marilu.

Quem quiser assistir (e curtir e compartilhar) o primeiro capítulo é só clicar no título em azul: Haroldo e Marilu : O fio de cabelo 

Abraços!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sem Noção - 2




Há alguns meses, fui ao casamento de um amigo de infância chamado Haroldo.

Foi um dia muito especial, não apenas por ser o casamento de um dos meus grandes amigos, como por ter sido uma ocasião em que foi possível reunir grande parte da nossa turma de infância e adolescência, amigos que jogaram basquete juntos por muito tempo e que não se viam também havia muito tempo.

O casamento transcorria como de costume. Os noivos cumprimentaram os padrinhos e os pais emocionados, chorando mais do que atacante norte-coreano na hora do hino.

Oscar, Danianderson, eu e nossas respectivas companheiras estávamos sentados no primeiro banco, próximo ao altar. Batemos milhares de fotos, fizemos inúmeros comentários humorísticos sobre tudo e todos e rimos muito, como sempre.

Mas, o ápice da cerimônia, aconteceu quando, os padrinhos começaram a descer do altar.

Um casal de padrinhos da noiva e um do noivo parava ao lado deles, o fotógrafo batia 400 fotos e eles desciam.

Quando o último casal de padrinhos parou pra foto, o Oscar, aquela pessoa sem-noção, levantou no meio da igreja e gritou:

- Oh, Haroldo! Depois vamos juntar a galera pra jogar um basquete!

Todo mundo riu. Menos o padre.

Muita gente pode achar que isso é um absurdo, um desrespeito à cerimônia, à igreja.

Mas, se a pessoa parar pra pensar bem, perceberá que o que a gente carrega nessa e dessa vida não é a etiqueta, e sim os momentos de prazer, diversão, alegria como esse.

Tenho certeza que esse grito do Oscar vai ser lembrado pra sempre.

No meu casamento não aconteceu nada desse nível na igreja.

Aconteceu na lua-de-mel.

Dani e eu fomos pro litoral e ficamos num sobrado. Certo dia, estávamos na cozinha, que ficava no andar de baixo, preparando um..., uma..., bom, isso não importa, o que importa é que estávamos em lua-de-mel, logo, dá para imaginar a situação!

O celular da Dani começou a tocar no quarto, lá no andar de cima. Estávamos muito ocupados pra atender, mas, ele tocou tanto que já estava nos desconcentrando. Parou.

Dois minutos depois, ouvimos o som de mensagem.

Resolvemos dar uma olhada no telefone dela.

Ligação perdida: Tais.

Mensagem: “Oi, Dani! Tudo bem? Acabou de chegar um monte de caixas aqui na loja. Aproveita bem aí. Ah, traz alguma lembrança pra mim. rs! Beijos! Tais.”

Tais era a menina que trabalhava na mesma loja de importados que a Dani trabalha. Pessoa bem legal. Mas, totalmente sem-noção. Ligar pra alguém em lua-de-mel?  E a mensagem, então: “Acabou de chegar um monte de caixas aqui...

Fiquei com vontade de mandar uma mensagem pra ela assim: “Caixas é? Que coincidência! Pois a lembrança que vamos te levar é justamente um caixão. Pode ter certeza de que você vai precisar se não parar de nos ligar!”

Pena que a Dani não deixou.




sábado, 6 de março de 2010

Casamento


 
Quando eu era solteiro e estava namorando, as frases que mais ouvia das pessoas eram:

“- Vai casar quando?”

“- Todo mundo tem que casar!”

“- Tá na hora de casar!”

O mais interessante é que 99% dessas pessoas também viviam falando mal dos seus casamentos e respectivos (as) companheiros (as).

Quer dizer, é o típico pensamento “generoso”: “Eu já me fodi (casei), agora, é a sua vez!”

Falando no casamento dos outros...

No fim do mês passado, estava completamente duro e torcendo para aparecer uma festa em que pudesse ir “na faixa”. No dia seguinte, um amigo de longa data veio me trazer o convite do seu casamento.

Abrindo o envelope, encontrei, além do convite, um cartãozinho com a seguinte inscrição: “Lista de Presentes nas Lojas X e Y”.

Ou seja, descobri que a festa do casamento não seria tão “na faixa” assim!

Alguém já viu um presente barato nessas listas?

O pior é que esse amigo é do tipo que nunca vai a uma festa se não tiver grana para comprar um presente. Logo, se ele me disser: “- Paulo, o importante não é o presente e sim a sua presença no meu casamento.”, eu não vou acreditar!

Garanto que nessas listas não há itens de primeira necessidade como: saca-rolhas, abridor de latas e rodinho de pia!

E por quê? Porque isso já foi pedido no Chá de Cozinha.

A conclusão é: Casamento não fica caro apenas para os noivos, mas, para os convidados também.

E isso não é a única coisa desagradável que rola em casamentos. Vejam outras:

* Na hora de entrar na igreja, o noivo está tão tenso que seu rosto fica quase tão “expressivo” quanto o do Doutor House.

* No caso dos casamentos não religiosos, sempre aparece um tio de terno que diz que vai “falar apenas algumas palavras”. E começa:

“- Meus amigos aqui presentes...blá, blá, blá...

...

...

...

...

(45 minutos depois)

...

... agora, pode beijar a noiva!”

Nessa hora, a galera grita, assovia e comemora como se o Brasil tivesse marcado um gol contra a Argentina na final da Copa do Mundo, aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação!

* Nas cerimônias em igrejas, sempre tem um recém-nascido que fica berrando o tempo todo enquanto o padre fala. Aí entra o lance da “generosidade” de novo. A mãe, com certeza, pensa: “Se eu não vou conseguir ouvir a cerimônia por causa do choro do meu filho, os outros também não conseguirão!”

* Há outra criança que fica correndo o tempo todo dentro da igreja, com aquele tênis que acende a luzinha, além de ficar mexendo em todos os arranjos de flores, sem que seus pais façam algo para detê-lo. Aí, o padre pede para o coroinha tomar uma providência. O coroinha chega pro garotinho e diz:

- Oi, tudo bem? Como é seu nome?

- Vinícius.

- Você pode ficar quietinho enquanto o padre faz o casamento?

- Ah, vai tomá no seu C...!!!

O coroinha, horrorizado, pega uma jarra de água benta e obriga o molequinho a fazer gargarejo!

Falando em jarra...

Dias atrás, fui num casamento em que os garçons demoraram tanto para servir as bebidas que eu já estava cuspindo areia de tanta sede!

De repente, apareceu um garçom com uma jarra com um líquido transparente e perguntou:

- O senhor está servido?

- O que é isso? – perguntei.

- Água.

- Putz! Então me arruma uma pitada de sal e duas colheres de açúcar pra eu botar aí porque já estou desidratado!

- Como, senhor?

- Esquece! Tem Cerveja aí? Chope? Qualquer coisa que contenha álcool e não seja de limpeza?

- Não, senhor. Nosso bufê não serve bebidas alcoolicas.

É mole?

Outra coisa extremamente irritante é a falta de criatividade dos DJs contratados para animar a festa. Num determinado momento do baile, pode ter certeza que ele vai começar a perguntar:

“- Quem torce pro Palmeiras aí?” “- E pro Corinthians?”

E o povo todo gritando pra mostrar pra que time torce...

E na hora das músicas? Começa com som dos Anos 60. Legal! Aí, vem vindo. Quando chega nos anos 90 e 2000, começa a tocar grandes hits como “A Dança da Manivela”, “A Nova Loira do Tchan”, "Macarena" e várias outras. Aí, sempre tem uma gordinha que acabou de ter filho, mas quer mostrar que sabe as coreografias. E quase se mata de tanto rebolar. Aí, o marido fica puto e pra descontar, começa a dar em cima da prima galinha dela, que ainda por cima é magrela!

Pronto! Tá armada a confusão! A gordinha tenta “dá na cara” da magrela, o marido entra no meio e leva um “tapão no pé do ouvido” e o barraco rola até a turma do deixa - disso apartar.

E tudo acontece sem que os noivos percebam.

Aí, pra evitar mais confusão, o DJ resolve trocar a música e coloca “REBOLATION!”

E eu, pra evitar sair no soco com esse DJ, resolvo acabar esse texto por aqui!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Perguntas para um casal



Quando minha esposa e eu ainda éramos namorados, a pergunta que mais ouvíamos era:

- E o casamento, quando sai?

- Ah, sai logo!

- Você tá enrolando a moça, hein!?

Não estava! Tá certo que namorávamos havia 8 anos, mas juro que não estava! Só que como ninguém iria dar atenção as minhas explicações mesmo, o jeito era agüentar.

Mas não por muito tempo!

No início do ano passado, tomamos a decisão que eu acreditava que iria detonar com as desconfianças e falatórios alheios: marcamos a data do casamento.

A partir disso, o diálogo ficou mais ou menos assim:

- E o casamento, quando sai?

- Dia 25 de outubro - respondi triunfante.

- Ahhhhhhh! É sério?

- É!

- Vocês estão brincando!?

Quer dizer, o problema passou a ser fazer os outros acreditarem que havíamos marcado a data do casamento de verdade.

Mas, pelo menos ninguém mais me disse que eu estava enrolando a noiva.

Pergunta vai. Desconfiança vem. No fim do ano passado, nos casamos.

Agora, sim” - pensei - “ Não há mais nada para os outros falarem.”

Engano meu.

Após o casamento, a conversa passou a ser:

- E a vida de casado, como vai?

E dependendo da minha resposta, a reação alheia poderia caminhar para dois extremos.


- E a vida de casado, como vai?

- Ah, tá legal, tá legal.

- Nossa! Mas nem casou já tá nesse desânimo?


- E a vida de casado, como vai?

- Ah, tá super legal, é muito bom casar, a gente se dá super bem e...

- Você fala isso porque tá no começo...

Quer dizer, esse tipo de pessoa quando pergunta da sua vida, não quer realmente saber como você está. Ela te pergunta coisas por costume, por xeretice, ou pior, por falta de assunto mesmo.

Depois de sete meses de casado, a fase do “e a vida de casado, como vai?” já está passando.

A moda agora é perguntar:
- E o bebê, quando vem?

E eu fico aqui pensando qual será a pergunta que virá depois. Quem sabe:

- E o divórcio de vocês, quando sai?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Leituras



Hoje, resolvi falar sobre leitura. Não a de luz, a de textos.

Dias atrás fui a um casamento.

Como a noiva já havia sido casada antes e o noivo não é dado a religiosidades, pensei que não haveria uma cerimônia religiosa. Porém, lá estava um pastor para dar a sua benção.

Ele iniciou seu discurso dizendo que seria breve. E mentiu.

Mas, apesar da sua demora com as palavras e da galera estar faminta e ansiosa para dançar, ele conseguiu prender a atenção de todos.

Sem dúvida, isso se deu por causa da semelhança do seu modo de falar com a de um conhecido deputado falecido recentemente: Clodovil Hernandez.

Para completar, ao fim de sua palestra ele anunciou que seu filho faria a leitura de um “pequeno” trecho da bíblia.

Pois bem, a leitura do rapaz já estava chegando no Apocalipse e o “pequeno” trecho ainda não havia acabado.

Aí eu fiquei pensando: por que a gente perde tanto tempo lendo, ou mesmo escrevendo coisas que ninguém vai prestar atenção?

Vejamos o Orkut, por exemplo: um dia, depois de muito pensar, defini no meu perfil, entre outras coisas, que não tenho, nem acredito, nem curto religião. Pois no mesmo dia recebi um convite para participar de uma comunidade cristã.

Quer dizer, por mais que a gente capriche ninguém lê bosta nenhuma.

Agora, coloca uma foto pelado lá pra ver. Todo mundo vê e comenta. Com erro de Português, mas comenta.

Outra coisa é MSN.

Tem gente que não pára de escrever um só segundo. Quando a gente vai responder a primeira pergunta, a pessoa do outro lado já está na décima quinta linha. E aí vira aquela zona.

Pra encerrar, uma questão me vem a mente: se ninguém lê nada, inclusive este blog, por que é que eu estou perdendo tempo escrevendo este texto?

Primeiro, porque amo escrever.

E, segundo, porque não é verdade que ninguém vai ler. Eu vou.