Certa vez, estava fazendo a leitura dentro de um condomínio. Quando cheguei próximo a uma das casas, a porta da sala estava aberta e lá dentro havia uma senhora loira apenas de calcinha e sutiã.
Antes que ela me visse, comecei a andar de ré.
Foi a primeira e única vez que fiz o “Moonwalker”, aquele passinho famoso do Michael Jackson.
Aí, quando estava numa distância segura, gritei:
- Leitura da luz!
A filha da mulher (linda por sinal) apareceu e disse:
- Só um minutinho!
Pensei: “Será que ela vai tirar a roupa também?”
Infelizmente, não! Ela apenas fechou a porta pra que eu pudesse me aproximar.
Até hoje eu fico pensando o que aquela senhora fazia ali naqueles trajes. Seria ela a Copélia?
Mas, constrangedor mesmo foi o seguinte caso: fui fazer a leitura em duas casas que ficavam no mesmo terreno, uma na frente e a outra no fundo. Fiz a leitura da primeira casa. Perguntei pra moradora se havia alguém na casa do fundo e ela respondeu:
- O portão tá aberto, pode entrar.
Entrei. O relógio de luz ficava ao lado da porta da sala, que estava aberta. Quando me aproximei dele, foi inevitável não ver aquela cena: um casalzinho estava dando um “puta amasso” no tapetinho da sala!
Dessa vez não deu pra escapar. A moça me viu e eu comecei a me desculpar desesperadamente:
- Desculpa... Não sabia que tinha gente aqui... A moça da casa da frente me mandou entrar e...
Ela não respondeu nada. Em compensação, deu uma bufada de boi bravo que me fez calar a boca na hora!
Fiz a leitura e saí dali o mais rápido que pude. De longe se ouvia a bronca que a menina dava na vizinha.
Constrangimentos a parte, com certeza a maior pedra no caminho do leiturista de luz são os cachorros ferozes.
Porém, há outros tipos de animais que podem ser tão perigosos quanto. Na zona rural, por exemplo, os leituristas podem encontrar abelha, aranha, cobra, chupa-cabra, lobisomem (no caso de se trabalhar em Joanópolis) e, claro, gente que age como cavalo.
No Mato Grosso, onde fica o Pantanal, nas áreas mais afastadas os caras fazem leitura de jipe, pois há o perigo de se cruzar com uma onça no meio do caminho.
Aqui mesmo, em Atibaia, já cruzei com animais de várias espécies.
Outro dia, fazendo leitura num bairro chamado Alvinópolis II, encontrei um tucano na porta de uma casa. E o filho da mãe ainda tentou me dar uma bicada!
Na Vila São José, estava parado na frente de uma casa, esperando ser atendido, quando vi dois pequenos jatos d’água passando bem na frente dos meus olhos. Eram dois macaquinhos que estavam no muro fazendo xixi!
Falando nisso, uma vez, estava fazendo leitura na frente de uma casa quando um cachorro que estava do lado de dentro se aproximou do portão. Dei um passo para trás e a dona da casa disse:
- Pode se aproximar! Ele é mansinho!
Encostei no portão pra ver a leitura. O cãozinho começou a me cheirar e percebi que, de fato, ele era manso.
Nesse dia, fazia um calor infernal. Eu, que normalmente já sou muito calorento, estava prestes a derreter. Pedi um copo d’água pra dona da casa e fiquei esperando ali, em frente ao portão.
Mas, apesar do sol intenso e da calça grossa que uso como uniforme, achei muito estranho quando minhas pernas começaram a “suar muito e repentinamente”. Então, resolvi olhar pra baixo.
Tarde demais! O cachorro havia mijado nos meus pés!