Mostrando postagens com marcador São Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador São Paulo. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de abril de 2010

Contos de Fodas Modernos – O Catupiry

(Hoje, resolvi dar uma pausa nas postagens em que uso a sugestão de vocês. Mas, isso não significa que não vou mais usá-las. Foi só uma pausa mesmo. Por isso, podem continuar mandando suas sugestões. Obrigado!)






Era uma vez, um menino chamado Rosicleideivison. Ele nasceu no interior e logo após o parto, sua mãe, solteira, faleceu.  Ele foi criado pela avó materna que era viúva.

Na infância, foi um garoto que odiava as aulas de educação física da escola, porque, como ele próprio dizia era “sempre o último a ser escolhido para os times”.

Mentira! Na verdade os times preferiam jogar com um a menos a escolhê-lo. Mas, apesar de tudo, era torcedor do São Paulo.

Na adolescência, ele começou com a história de querer fazer teatro, embora, quisesse mesmo, dançar balé. Mas, a sua avó se negava a pagar suas aulas.

Esclarecendo: Rosicleideivison não era gay! Mas, tinha alvará pra ser, caso quisesse.

Rosi, como era chamado pela avó, ao completar 18 anos, quase alcançou a façanha de entrar para o Guinnes Book, O Livro dos Recordes: era BV e virgem.

Mas, isso estava prestes a mudar. Ele resolveu prestar vestibular e entrou para o curso de Pedagogia onde era o único homem da sala.

Certo dia, Verônica, uma morena estonteante de olhos verdes, corpo escultural, cabelos cacheados e perfumados começou a lhe dar bola.

Rosi não era tímido, muito pelo contrário. Era daquelas pessoas que dizem frases engraçadíssimas o tempo todo e todos querem ficar perto. Mas, quando se tratava de uma garota, ele parecia o cara mais acanhado do planeta. Ainda mais com uma menina linda como aquela. Ele chegava a pensar: “Será que ela está a fim de mim mesmo? Mas, o que ela viu em mim?”

Rosi se subestimava muito. Se até aquele dia ele nunca havia ficado com ninguém foi por conta de sua excessiva timidez com as mulheres e não por falta de atributos. Ele era um rapaz bonito, simpático, bem-humorado e muito inteligente. Tinha todos os atrativos que Verônica buscava.

Um dia, Verônica fez-lhe um convite que não deixou dúvidas quanto a sua intenção: 

- Vamos matar aula na sexta pra você conhecer a minha casa?

Rosi não sabia se ria de felicidade ou se chorava de desespero. Sua preocupação era se iria dar conta daquele monumento. No entanto, não era de fugir dos desafios e aceitou o convite.

No dia combinado, se encontraram num barzinho que ficava na esquina da faculdade e seguiram para a casa da morena.

Ela morava num sobrado. Entraram. Ela mostrou-lhe a casa brevemente. Pegou uma garrafa de vinho e duas taças e subiram para o quarto. Começaram a beber enquanto conversavam banalidades. Riam cada vez mais e Rosi foi se sentindo gradativamente mais relaxado. Quando se deu conta, já estavam se beijando. A partir daí, tudo foi rolando naturalmente até ficarem completamente nus.

Nesse momento, ouviu-se uma buzina.

- Meu marido! – disse a morena.

- O quê?

- Meu marido chegou!

- Marido? Que marido?

Verônica não contou a Rosi que era casada. Seu marido era caminhoneiro, viajava muito e só aparecia em casa aos sábados de 15 em 15 dias. Mas, naquele dia, resolveu aparecer mais cedo.

- Rápido! Se esconde! - ela disse.

- Onde?

- No armário!

- E depois pra eu sair?

Rosi nunca tinha vivido aquela situação de ter que se esconder e depois sair do armário.

- Verdade! Vai pra varanda!

Nu, com as roupas embaixo do braço, o rapaz foi pra varanda. Verônica fechou as janelas. Foi o tempo de o marido subir e dizer:

- Não foi pra aula hoje?

- Não! E você voltou mais cedo?

- É. Abre essa janela que tô com calor!

Ao ouvir isso, Rosi não teve dúvidas. Pulou da janela e caiu de bunda numa roseira. Conteve o grito de dor e saiu de lá correndo direto pra casa.

Ao chegar em casa, abriu vagarosamente o portão e foi direto pra um quartinho de tranqueiras procurar um espelho e uma pinça pra tirar os espinhos das nádegas. Quando terminou o árduo serviço, vestiu as roupas para que pudesse entrar em casa. Sua cueca branca ficou toda manchada pelo sangue.

Ao entrar pela porta da cozinha, deu de cara com Lourival, o namorado folgado da sua avó.

- O Rosi! Cê tá bom? Vai um lanchinho aí?

- Não. Obrigado! – respondeu Rosi sem olhar para o folgado.

Como se não bastasse fuçar a geladeira e o armário da casa de Rosi buscando ingredientes pra o seu lanche, Lourival era um porco que derrubava quase tudo no chão e não limpava. Havia uma poça de catupiry no meio da cozinha.

Rosi foi tomar banho e pendurou sua cueca suja de sangue num gancho do banheiro. Quando entrou no Box, Max, seu cachorro, empurrou a porta do banheiro que não foi bem fechada e roubou a cueca suja de seu dono.

Max levou a cueca de Rosi para o fundo do quintal e a enterrou. Mas, antes disso, arrastou-a sobre o Catupiry que estava no chão da cozinha.

Rosi sentia tanta dor que até se esqueceu da cueca. Então, após o banho, ele foi dormir.

No dia seguinte, sua avó foi lavar roupa e estranhou a terra recém revirada no fundo do quintal. Começou a cavar e encontrou a prova do crime: uma cueca branca manchada de sangue e toda melecada!

Não podia acreditar! Tinha que tirar isso a limpo com o neto.

Quando Rosi foi pra cozinha tomar café, encontrou a avó com a cara séria como nunca estivera antes.

- Por que você voltou mais cedo da faculdade ontem? - ela perguntou.

- Ãh? Ah, é que eu não estava me sentindo bem.

- Sei.

- Vó. Você tem algum antiinflamatório aí?

- Por quê?

- Porque eu não consigo nem sentar de tanta dor!

- EU SABIA!!!

- Quê?

- Seu moleque descarado! Sem vergonha! Bem que me avisaram. Bem que me falaram que você tinha que ir pro exército pra virar homem.

- Vó? Do que você tá falando?

- Disso! – disse, mostrando a cueca suja.

- Vó! Onde você achou isso?

- Enterrada lá no fundo do quintal! Pensa que eu não ia descobrir?

- Vó! Não é nada disso que parece!

- Eu sei. Você é MUITO mais do que parece! Pode pegar as suas coisas e sair desta casa! AGORA!

Rosi saiu da casa da avó sem dinheiro, sem destino e morrendo de dor na bunda.

Um dia, porém...

(Galera, agora é com vocês! Como vocês terminariam esse conto? Qual o destino que vocês dariam ao Rosicleideivison? Conto com a colaboração de vocês na caixinha de comentários. Primeira vez que escrevo em parceria! Obrigado! 

Paulo Sergio)




quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Paulo: o bom professor

Muitos me perguntam:

- Paulo, você é formado em Letras. Por que ainda não tá dando aulas?

Dias atrás, me ligaram da Diretoria de Ensino pedindo que eu levasse urgente meu diploma e histórico escolar, caso tivesse interesse em pegar aulas como professor eventual.

Peguei o ônibus, cheguei lá 16:45h (fechava as 17:00). Na entrada do lugar, a recepcionista lixava as unhas da mão.

- Boa tarde. - eu disse.

- Fala! - respondeu sem olhar pra minha cara.

- Eu vim trazer o meu diploma e...

- É pra pegar aulas?

- É.

- Desce a escada e entrega lá embaixo.

Pelo tratamento da recepcionista, fiquei com medo de descer as escadas e chegar ao inferno. Mas, fui.

Chegando embaixo, havia umas 20 salas, pelo menos. Pedi informação a uma mulher que passava e ela foi muito simpática comigo. Mais confiante, segui até a sala indicada.

Dentro da sala, uma mulher sentada e um cara com trejeitos de menino alegre olhavam alguma coisa no computador e riam. Quando parei na porta, o indivíduo me lançou uma olhada de cima a baixo, que não me deixou dúvidas: Ele torcia para o São Paulo.

Pelo menos é o que indicava a camiseta que ele vestia.

O moço saiu da sala e a mulher me disse:

- O que é, professor?

- Boa tarde. Esses dias, me ligaram daqui dizendo que eu tinha que trazer uns documentos até hoje, sem falta, se quisesse pegar aulas.

- Quem te ligou?

- O nome eu não sei. Mas, era daqui.

- Ah, não sei pra que é essa papelada sua aí não. Deixa aqui, vou colocar numa pasta e qualquer coisa a gente te liga depois.

Saí de lá com vontade de enfiar o meu diploma na garganta dela. No mínimo!

Como até agora não me ligaram, ainda não posso pegar aulas como professor substituto.

Em escola particular, sem nenhuma experiência, fica bem difícil. Fora, que ainda não há previsão de concurso público.

No ano passado, fiz estágio numa escola que, segundo dizem, é uma das melhores da região em comportamento de alunos.

Fiquei apavorado!

Na minha época, havia 2 ou 3 alunos na sala que eram terríveis. (Lembrando que eu estudei com o Oscar Filho).

Hoje, 90% da galera é terrível. Eles gritam o tempo todo, arrastam a carteira, saem na porrada por qualquer coisa, jogam bolinha de papel no professor (e no estagiário) e falam mais palavrão que a Dercy Gonçalves.

Às vezes, fico em casa pesquisando livros de Pedagogia e Psicologia Infantil, tentando buscar métodos de controle desses alunos pra quando eu for dar aulas. Mas, confesso que foi num livro comprado num sebo, chamado “Homem-bomba na sala de aula” que encontrei uma boa estratégia de ensino:

Entro na sala, paro ao lado da minha mesa e digo o seguinte:

- Bom dia! Meu nome é Paulo, vou dar aula pra vocês de Língua Portuguesa e exijo que vocês fiquem em silêncio absoluto. Seja por bem, seja por mal!

E nesse mesmo instante eu retiro da minha mochila uma granada e a coloco sobre a minha mesa.

Claro que essa história da granada é uma brincadeira!

Na verdade, eu quero ver se arrumo uma ogiva nuclear.