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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Perfumarias

Adoro perfumes. Mas, definitivamente, não tenho sorte com perfumarias.

Certa vez, precisava comprar um presente para dar de Natal. Já era 23 de dezembro e eu ainda não havia me decidido.

Nesse dia, terminei meu trabalho próximo a uma perfumaria famosa aqui da cidade. Aproveitei o “milagre” de estar quase vazia e entrei.

Num canto, quatro vendedoras mais maquiadas que os integrantes da Banda Kiss, conversavam.

Observei as prateleiras. Olhei alguns kits. Experimentei fragrâncias.

Já estava tendo uma crise aguda de rinite alérgica e elas continuavam agindo como se eu não estivesse ali.

“Caramba! Será que eu tô fedendo?”

Claro que não. Isso seria um ótimo motivo para ser atendido. Mas, qual seria o problema, então?

De repente, vi meu reflexo num espelho: eu estava usando uniforme!

Provavelmente, aquelas meninas pensam que quem usa uniforme não tem dinheiro pra comprar perfume. Elas tem razão. Segundo um Correio Braziliense de 2002, um piloto de avião no topo da carreira chega a ganhar um salário mensal de apenas R$ 24 mil... E eles usam uniforme!


Eu estava indignado com tanto preconceito.

Pensei em chamar uma delas e começar a falar em Inglês. Mas não o fiz.

Primeiro, porque não gosto de humilhar ninguém.

Segundo, porque não sei falar Inglês.

Pensei em outras alternativas como pegar um perfume e sair sem pagar, anunciar um assalto, acender um famoso “peido de velha” atrás do balcão. Tudo pra ver se chamava a atenção.

Mas nada precisou ser feito. Atrás de mim, ouvi uma voz me chamando:

- Paulo?

Virei e vi que era uma velha amiga que não encontrava havia tempos. Percebi que usava o uniforme da loja. Depois do abraço e um pouco de conversa ela perguntou:

- Posso te ajudar?

- Só se você for a gerente.

- Eu sou.

Aí eu fui à forra:

- Então, é que estou aqui faz pelo menos 20 minutos e pude perceber que a perfumaria está carente de vendedores. Posso deixar um currículo?

Minha amiga entendendo minha ironia disse:

- Infelizmente nós não estamos contratando no momento. Mas, é uma coisa pra se pensar.

Nisso, as meninas já haviam se ligado. Uma delas veio até nós e se dispôs a me ajudar.

- Você quer olhar algum perfume?

- Não, obrigado. Eu já enjoei de olhar. Agora vou levar.

E com um sorriso no rosto, peguei o kit mais caro. Não por vingança, mas porque a pessoa que o ganhou merecia.

As garotas, além de não receberem a comissão do meu presente, tomaram uma dura da minha amiga, mais tarde.

E a loja, uma semana depois foi assaltada. Segundo consta nos jornais, por "bandidos bem vestidos".
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Situação estranha aconteceu também numa outra perfumaria bastante conhecida do centro da cidade.

Um sobrinho meu, sabendo que eu trabalharia num determinado dia próximo a essa perfumaria, pediu que lhe comprasse um desodorante.

Vou chamar o desodorante de Desodorante X.

Nesse dia, após o trabalho, entrei nessa loja de perfumes e, como estava com certa pressa de ir embora, fui direto ao assunto:

- Boa tarde! Eu quero levar um desodorante desse aqui. - e apontei o Desodorante X.

- Mas, o senhor não quer experimentar primeiro?

Bom, aí eu tive certeza de que quando estou de uniforme, além de ficar com cara de pobre, fico com cara de burro. A vendedora deve ter pensado que escolhi aquele desodorante porque “achei a embalagem bonitinha”.

- Não precisa, eu já conheço. Além disso, não é pra mim, é pro meu sobrinho.

- É desse daqui mesmo?

- É. Desodorante X não é esse?

- É, só que desse aqui não tem mais. Só essa amostra.

Era só o que faltava.

- Vou ligar pra ele.

Peguei o celular e liguei pro meu sobrinho. Ele disse que eu poderia comprar o Desodorante Y, ou o Desodorante Z no lugar do X.

- Tem Desodorante Y?

- Vendi o último antes de você chegar.

- E o Desodorante Z?

- Ele vai chegar hoje, lá pelas 5 e meia.

Já era 4 e meia da tarde, mas eu não podia esperar.

- Vou fazer o seguinte, volto aqui amanhã cedo.

- Amanhã estará fechado pra balanço.

- Depois de amanhã, sábado.

- Fecharemos pra uma pequena reforma.

- E quando abre de novo?

- No sábado seguinte.

Uma semana depois eu estava lá.

- Olá! Desodorante X, tem?

- Continua faltando. E o Desodorante Y, também.

- Só falta você me dizer que o Desodorante Z acabou.

- Não, saiu de linha.

Depois dessa, se eu fosse meu sobrinho, juro que faria igual a Ana Maria Braga: nunca mais usava desodorantes.