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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pequeno Pônei - parte 4

(sugestão do Ciborgue: Pequeno Pônei)





Como o Oscar comentou no blog dele, na postagem "Premonição", a nossa turma de adolescência era a mais careta de Atibaia.

Éramos todos praticantes de esportes, não fumávamos, não bebíamos, não usávamos drogas, nem transávamos.

Esta última, não por opção, é claro!

Mas, algumas coisas mudaram. Quando fiz 19 anos, comecei a beber cerveja. Moderadamente.

Já o Oscar se mantém abstêmio até hoje.

Como sempre falamos muita besteira, algumas pessoas costumavam nos dizer:

 - Um dia, queria ver vocês dois bêbados. Deve ser muito engraçado.

Engraçado, é?

Resolvemos fazer um pacto: um dia iríamos tomar um porre juntos.

E isso aconteceu quando fui passar uns dias na casa dele em São Paulo.

Cheguei na sexta-feira. No sábado, fomos assistir a uma peça. Na saída do teatro, encontramos a amiga Fernanda que nos acompanhou a nossa aventura etílica.

Sentamos num lugar meio isolado, no segundo andar de um bar.

Começamos a conversar e tomar cerveja. Certa hora, fui ao banheiro e quando voltei o Oscar estava com uma caipirinha na mão.

“Vai dar merda!” – pensei.

Imagina uma pessoa que não estava acostumada a beber nem cerveja e resolveu misturar com outra bebida ainda mais forte. Não passou muito tempo e o Oscar começou a “filosofar”.

Por que será que bêbado é assim? O cara não tá aguentando nem ficar de olhos abertos e quer discutir os grandes problemas da humanidade.

Quando a ponta do meu nariz amorteceu e eu já não conseguia ouvir o que eles diziam, era o sinal de que já estava na hora de parar de beber e descansar antes de irmos embora.

O problema é que eu precisava muito ir ao banheiro de novo.

Enquanto o Oscar e a Fernanda conversavam, silenciosamente eu tentava traçar uma estratégia que me levasse direto ao meu objetivo sem desequilibrar.

Mirei bem a porta do banheiro. Imaginei que lá tivesse um alvo e me lancei feito um dardo.

Certeiro!

Ainda bem que o corredor estava vazio e nenhum garçom apareceu na minha frente.

Quando voltei, o Oscar estava de cabeça baixa e a Fernanda parecia estar consolando ele.

“Pronto! Aposto que já bateu a depressão pós porre. Bêbado é uma merda mesmo e...

De repente eu percebi uma gosma (que me lembrou muito o Geléia dos Caça-Fantasmas) bem embaixo do Oscar. Ele havia vomitado!

O pior é que surgiu um garçom do nada, com um rodo e um paninho na mão, querendo limpar logo o chão. Só que o Oscar ainda estava vomitando. No intervalo entre um “jato” e outro, ele disse pro garçom:

- Será que dá pro senhor limpar daqui a pouco? Eu ainda não terminei!

O garçom foi embora. Provavelmente ficou com medo do Oscar vomitar na cara dele. Eu então sugeri que o Oscar vomitasse na janela. Pra ficar menos chato.

Lembrando que estávamos no segundo andar, foi uma sorte não ter passado ninguém lá embaixo.

Nós três bebemos muito naquela noite. Mas, a Fernanda parecia que não tinha bebido nada! Era como se ela tivesse nascido com 3 fígados.

Quando saímos cambaleantes do bar, tive a sutil impressão de que estávamos sendo observados. E observados por pessoas bastante alegres, pois riam um bocado.

Fomos embora a pé e vejam vocês como os valores estão mudados hoje em dia: a Fernanda nos acompanhou até a portaria do prédio e depois foi embora, sozinha!

- Fernanda, você tem certeza de que não quer ficar? – o Oscar perguntou.

- Não, não. Tá tudo bem! Eu ainda vou para uma festa.

Aí eu tive certeza de que ela tem 3 fígados.

No dia seguinte, acordei muito cedo com um barulho vindo do banheiro. Levantei e tive a sensação de que alguém tinha jogado uma bigorna na minha cabeça, como acontece nos desenhos. Que ressaca!








Entrei no banheiro e vi o Oscar ajoelhado na privada vomitando. Ele virou pra mim e disse:

- O Cazuza tinha razão naquela última parte da música “Down em mim”.



TRECHO DA MÚSICA "DOWN EM MIM" (CAZUZA):

“E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados...”



Ele estava bêbado, vomitando, de ressaca, ajoelhado e jurando nunca mais beber.

Sacaram?

Quando ele finalmente parou de vomitar, eu descobri que estava com diarréia.

Começamos a fazer um revezamento naquele banheiro. A descarga foi acionada tantas vezes que deve ter faltado água no prédio por um mês.

Como o Oscar não parava de passar mal ele pediu pra mim:

- Paulo, pelo amor de Deus, cara, vai na farmácia comprar alguma coisa pra eu tomar.

Juro que fiquei com vontade de chorar. Imagina, eu em São Paulo, sem conhecer lugar nenhum, a pé e com piriri, tendo que procurar uma farmácia.

Mas, como eu estava menos ruim do que ele, eu fui. A farmacêutica disse:

- Olha, se ele tá do jeito que você me contou, é melhor você levá-lo ao médico.

“Só se eu vestir uma fralda geriátrica e levá-lo de cavalinho” – pensei.

Comprei o velho e bom Engov e o indispensável Epocler.

Nesse dia, o Oscar nem almoçou. E eu encarei um macarrão com molho meio frio.

E passamos o resto da tarde dentro do apartamento, quietinhos e assistindo ao filme “Moulin Rouge”.

Depois disso, o Oscar nunca mais vomitou, pois, nunca mais bebeu.

E eu, nunca mais tive diarréia, pois, nunca mais comi o lanche daquele bar.

Vocês não estavam achando que a culpa da minha diarréia foi da bebida, né? Foi do lanche, claro que foi!

Ou como diria o meu pai:

- A culpa é da azeitona!