AS AVENTURAS DE UM LEITURISTA DE LUZ (E OUTRAS HISTÓRIAS) SOB UM PONTO DE VISTA BEM HUMORADO.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Crianças
sábado, 10 de outubro de 2009
As pedras no caminho do leiturista de luz
Certa vez, estava fazendo a leitura dentro de um condomínio. Quando cheguei próximo a uma das casas, a porta da sala estava aberta e lá dentro havia uma senhora loira apenas de calcinha e sutiã.
Antes que ela me visse, comecei a andar de ré.
Foi a primeira e única vez que fiz o “Moonwalker”, aquele passinho famoso do Michael Jackson.
Aí, quando estava numa distância segura, gritei:
- Leitura da luz!
A filha da mulher (linda por sinal) apareceu e disse:
- Só um minutinho!
Pensei: “Será que ela vai tirar a roupa também?”
Infelizmente, não! Ela apenas fechou a porta pra que eu pudesse me aproximar.
Até hoje eu fico pensando o que aquela senhora fazia ali naqueles trajes. Seria ela a Copélia?
Mas, constrangedor mesmo foi o seguinte caso: fui fazer a leitura em duas casas que ficavam no mesmo terreno, uma na frente e a outra no fundo. Fiz a leitura da primeira casa. Perguntei pra moradora se havia alguém na casa do fundo e ela respondeu:
- O portão tá aberto, pode entrar.
Entrei. O relógio de luz ficava ao lado da porta da sala, que estava aberta. Quando me aproximei dele, foi inevitável não ver aquela cena: um casalzinho estava dando um “puta amasso” no tapetinho da sala!
Dessa vez não deu pra escapar. A moça me viu e eu comecei a me desculpar desesperadamente:
- Desculpa... Não sabia que tinha gente aqui... A moça da casa da frente me mandou entrar e...
Ela não respondeu nada. Em compensação, deu uma bufada de boi bravo que me fez calar a boca na hora!
Fiz a leitura e saí dali o mais rápido que pude. De longe se ouvia a bronca que a menina dava na vizinha.
Constrangimentos a parte, com certeza a maior pedra no caminho do leiturista de luz são os cachorros ferozes.
Porém, há outros tipos de animais que podem ser tão perigosos quanto. Na zona rural, por exemplo, os leituristas podem encontrar abelha, aranha, cobra, chupa-cabra, lobisomem (no caso de se trabalhar em Joanópolis) e, claro, gente que age como cavalo.
No Mato Grosso, onde fica o Pantanal, nas áreas mais afastadas os caras fazem leitura de jipe, pois há o perigo de se cruzar com uma onça no meio do caminho.
Aqui mesmo, em Atibaia, já cruzei com animais de várias espécies.
Outro dia, fazendo leitura num bairro chamado Alvinópolis II, encontrei um tucano na porta de uma casa. E o filho da mãe ainda tentou me dar uma bicada!
Na Vila São José, estava parado na frente de uma casa, esperando ser atendido, quando vi dois pequenos jatos d’água passando bem na frente dos meus olhos. Eram dois macaquinhos que estavam no muro fazendo xixi!
Falando nisso, uma vez, estava fazendo leitura na frente de uma casa quando um cachorro que estava do lado de dentro se aproximou do portão. Dei um passo para trás e a dona da casa disse:
- Pode se aproximar! Ele é mansinho!
Encostei no portão pra ver a leitura. O cãozinho começou a me cheirar e percebi que, de fato, ele era manso.
Nesse dia, fazia um calor infernal. Eu, que normalmente já sou muito calorento, estava prestes a derreter. Pedi um copo d’água pra dona da casa e fiquei esperando ali, em frente ao portão.
Mas, apesar do sol intenso e da calça grossa que uso como uniforme, achei muito estranho quando minhas pernas começaram a “suar muito e repentinamente”. Então, resolvi olhar pra baixo.
Tarde demais! O cachorro havia mijado nos meus pés!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
ATENÇÃO: Ninguém presta atenção! 2
Ontem, assisti o comecinho do Jornal da Globo e fiquei surpreso com a notícia de que um leiturista da luz foi mantido em cárcere privado por mais de 30 horas em São Paulo.O leiturista executava a leitura de luz numa casa quando foi convidado a entrar e tomar um café. Mas, no lugar do café, ele foi ameaçado com uma arma, amarrado e torturado com choques elétricos. Depois, o seqüestrador o obrigou a fingir que era um assaltante de bancos e o filmou segurando talões de cheques, cartões e uma arma. Em seguida, ligou para uma vizinha e disse que ele era a vítima do seqüestro.
Depois de ouvir dois tiros, os vizinhos chamaram a polícia. O morador manteve a sua versão de que era vítima, mas a polícia aprendeu a arma, o aparelho de choque e o vídeo que o incriminaram.
Tá.
Juro que o que vou contar abaixo é verdade!
Hoje de manhã, fui fazer a leitura da luz num bairro aqui da minha cidade. Cheguei numa casa, bati palmas no portão e a moça de sempre (faço leitura lá há 4 anos) me atendeu.
- Oi, moço.
- Bom dia. É a leitura da luz.
Ela olhou pra alguém que eu não conseguia ver e deu uma risadinha. Depois, veio em minha direção com um sorriso meio nervoso e perguntou:
- Moço, você é leiturista mesmo?
- Claro. Por quê?
- É que eu acabei de ver no jornal que um cara vestido de leiturista seqüestrou um morador em São Paulo e...
- Peraí, moça. Não é bem assim. Quem foi seqüestrado foi o leiturista...
Tive que explicar a história toda pra moça.
Depois, quando eu falo que ninguém presta atenção nas coisas, eu sou o chato!

