Definitivamente, não tenho sorte com atendimentos.
No final do ano passado, eu estava à procura de um presente para sacanear o meu amigo secreto quando passei em frente a uma loja que parecia ter exatamente o que eu precisava.
Entrei e a atendente me recebeu com um sorriso enorme.
- Bom dia! Posso te ajudar?
- Pode! É o seguinte: estou procurando um presente para sacanear o meu amigo secreto. Ele é são-paulino fanático e odeia o Corinthians.
- Ah, entendi.
- Então. Eu quero uma camiseta feminina do Corinthians. A menor e mais justa que você tiver.
- Certo!
A menina me trouxe exatamente o que eu queria: uma camiseta tão pequena que até a Lacraia com anorexia teria dificuldade de vesti-la.
- Perfeita!
- Ah, se não servir, pode trocar, viu!
- Ãh?
- Se não servir, pode trocar.
“Acho que ela não deve ter entendido o que eu disse, vou explicar de novo.”- pensei.
- Então... como eu te disse, o cara que vai ganhar a camiseta é são-paulino e não suporta o Corinthians. Esse presente é pra “tirar uma” da cara dele.
- Ah, tá! Então, mas se ele não gostar ele pode vir trocar.
“PUTA QUE O PARIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”
Desculpem o palavrão, mas, foi a única coisa que eu consegui pensar naquele momento.
Eu estava prestes a libertar o “Seu Saraiva” que habitava dentro de mim, quando, apareceu o dono da loja.
- Bom dia! Tudo bem?
- Opa! Tudo bem. Posso te pedir uma opinião?
- Claro, claro!
- É o seguinte: eu vim comprar um presente pra sacanear o meu amigo secreto. Ele é são-paulino e odeia o Corinthians. Eu comprei uma camiseta feminina do Corinthians pra ele. O que você acha?
- Nossa! Mas, ele vai odiar o presente!
“Ai, meu Deus do céu! Será que eles não prestam atenção ou sofrem de amnésia crônica a cada 10 segundos?”
- Olha, a intenção é zoar com a cara dele, quer dizer, ele deve odiar o presente. Ok?
- Ahhhhhhhhhhhh! Então, esse tá perfeito.
“CONSEGUI !”
O dono da loja mandou a moça embrulhar o presente, pediu licença e saiu. Na hora que eu estava pagando, ela me disse:
- Eu não estava entendendo que o presente era pra tirar um sarro do seu amigo.
- Ah, tudo bem! – respondi, mas, na verdade, eu queria dizer: “- Ah, eu percebi, sua lerda !”
Peguei o presente, me despedi da moça e saí. No caminho, fui pensando que aquele dinheiro que estava gastando poderia ser mais bem aproveitado.
Voltei na loja e perguntei pra moça:
- Escuta, como o meu amigo secreto não vai querer o presente mesmo, será que eu posso vir trocar, depois?
- Pode, pode sim!
- Que bom!
- Mas, posso te falar uma coisa?
- Claro.
- Por que você já não escolhe uma coisa que ele vai gostar? Assim, você evita de ter que voltar depois.
Saí da loja sem olhar pra trás e só não me joguei embaixo de um ônibus porque... porque... o que eu tava falando mesmo?
