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terça-feira, 29 de março de 2011

Bancos




Há exatamente um ano, adquiri um Título de Capitalização.

O Plano:

Pagar uma parcela por mês, durante 72 meses, no valor de R$15,00 e concorrer a prêmios semanais de 10 mil vezes o valor da parcela.

O boleto, que chega em casa pelo correio, vence todo dia 15. Quando meu salário atrasa (o que ultimamente não é muito difícil) eu empresto a grana de alguém, mas, nunca deixo de pagar a parcela em dia.

Pois bem. Neste mês, o boleto não chegou a minha casa.

Fui até o Correio da minha cidade, no departamento de distribuição de correspondências. A única coisa no meu endereço era uma carta de cobrança no nome de um cara chamado Samuel que morou na casa onde moro a pelo menos 200 anos atrás.

Então, o problema era com o banco.

Fui ao banco. Expliquei a situação pra mocinha que ajuda nos caixas eletrônicos e perguntei com quem eu poderia falar.

- Fala com a moça das mesas.

- Qual delas?

- Com a Sueli.

- Mas, qual daquelas três moças que estão nas mesas é a Sueli?

- A Sueli é japonesa.

- Obrigado.

Cheguei às mesas e havia duas japonesas e uma mestiça. Pegadinha?

Ainda não.

De repente, chega outra atendente, também japonesa. Agora sim era pegadinha.

- Sueli?

- Sim.

- Olha, eu adquiri um Título de Capitalização e neste mês o boleto não chegou a minha casa. Quero saber como faço pra retirar a segunda via.

- Você tem que ligar para um desses telefones. (Rabiscando rapidamente os números num pedaço de papel).

- Mas, eu não posso fazer isso aqui no banco?

- Não. Porque quando isso acontece não é problema do banco. Quem envia os boletos é uma financeira.

Tipo assim: quando fui adquirir o Título de Capitalização (as leitoras que me perdoem agora) a atendente só faltou me oferecer a “periquita” dela em cima da mesa. Agora, que eu estava com um problema, o banco simplesmente me dizia: o problema é seu! Mané!

- E pela internet? É possível tirar a segunda via?

- Ah... Acho que é sim. É sim...

Fui embora pra casa e entrei na internet. Quando fiz o plano, o banco tinha outro nome. Recentemente ele foi vendido a outro banco e a página referente ao Título de Capitalização que adquiri, deixou de existir.

Coloquei na busca: “Segunda via para boletos”.

Não havia essa opção para Títulos de Capitalização.

Tive vontade de colocar na busca: “Como explodir um banco”.

Mas, achei melhor tentar primeiro o telefone.

Liguei pro 0800:

“Este telefone só recebe chamadas de localidades fora do estado de São Paulo”.

Liguei pro outro número:

Primeiro uma propagandinha básica do banco. Depois, aquele lance das opções: aperte 1 para explodir o banco, aperte 2 se estiver com a intenção de cometer suicídio, aperte 3 para..., aperte 9 para falar com um de nossos atendentes.

Apertei 9...

Durante 5 minutos fiquei aguardando alguém me atender. Até que finalmente... A ligação caiu.

Tentei novamente.

Por 15 minutos fiquei ouvindo aquela musiquinha maldita:

“Parará... papá... papá... Juntooooooos...”

E a ligação caiu de novo.

“- Vou tentar pela última vez!” – pensei.

“Seu crédito é insuficiente para realizar chamadas, recarregue seu celular na bancas de jornal...”

Como estava prestes a explodir o banco, decidi voltar lá no dia seguinte, mais calmo.

No dia seguinte, cheguei ao banco faltando menos de 5 minutos para fechar.

Estava de uniforme de trabalho e com a minha mochila cheia de objetos metálicos. É claro que a porta giratória apitou feito uma louca.

- Seu guarda, não dá pra tirar tudo da mochila. Não tem como eu deixar ela aqui fora? Eu preciso entrar urgentemente!

O guarda me aparece com uma chave e diz:

- Você pode guardar a sua mochila ali naquele armário.

Corri até o armário. Coloquei a chave e ela não girava. Tentei umas 6 vezes e nada.

- O senhor tem certeza de que essa é a chave certa?

- Ah, desculpa. Não é essa chave não.

Ele entrou e pegou outra chave.

- Tenta essa.

Na primeira tentativa:

- Consegui!

Quando fui entrar pela porta giratória apareceu um funcionário.

- Desculpe, mas, o horário de atendimento já acabou.

Fiquei tão NERVOSO, tão PUTO, que por muito pouco eu não me tornei o primeiro homem-bomba da história a explodir sem explosivos.

Peguei minha mochila, devolvi a chave pro guarda e passei no trailer do mercado municipal onde pedi um suco de maracujá bem reforçado pra acalmar.

Peguei meu suco de maracujá e caminhei até a praça. Respirei profundamente três vezes seguidas e me senti bem mais calmo.

Sentei num banco e quando fui dar o primeiro gole no suco, uma pomba cagou dentro dele.

Definitivamente, não tenho sorte com bancos!


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tudo é uma questão de contexto

Quando você era um bebê, após cada mamada, sua mãe ficava batendo nas suas costinhas até você arrotar.

Hoje, se você arrota à mesa após o almoço, corre o risco de levar uma panela de pressão fervendo na cabeça, acompanhada de frases como:


“Porco!”
“Nojento!”
“Sem educação!”
Etc.

Já na cultura árabe, quando você arrota após uma refeição, significa que você gostou tanto da comida, que acabou comendo mais do que podia, sentindo a necessidade de arrotar.

Em outras palavras, indica satisfação.

Tinha um amigo que era capaz de dizer qualquer palavra arrotando. Uma vez, apostamos se ele era capaz de soletrar arrotando a palavra “inconstitucionalidade”. Ele disse arrotando letra por letra. Era um verdadeiro gênio do arroto. Mas, era péssimo em Língua Portuguesa e no lugar da segunda letra “c” da palavra, ele me colocou um “ç”.

Perdeu a aposta e nunca mais arrotou de tanta insatisfação.

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Graças a internet, a gente consegue se comunicar com uma pessoa do outro lado do mundo. Por isso, ouvimos tanto aquela frase: “A Internet aproxima as pessoas”.

Mas, há controvérsias...

Você viaja e fica um tempo sem ligar o computador. Na volta, descobre que há três semanas NINGUÉM entra no seu Orkut.

(Aliás, que frase é essa, não? “Ninguém entra no seu Orkut.” Não sei por que me veio à cabeça a imagem de um supositório.)

Aí, você vai pro Facebook, que tá mais na moda. Você vê ali que tem uma publicação no seu mural. Na verdade, um amigo respondeu uma pergunta sobre você: “Defina Paulo Sergio em uma palavra”. A pessoa responde: “Saudade!”

Puxa, que bacana! As pessoas ainda se lembram de mim. Mas, cadê o olho no olho, o toque na pele, o cheiro, o calor, o abraço, o beijo no rosto? Não tem!

As pessoas estão todas na correria (inclusive eu). Trabalham feito máquinas, correm o tempo todo atrás de dinheiro e mesmo quando mexem no computador, o fazem no meio do trabalho.

Eu quero encontrar os meus amigos, conversar besteiras, conversar sério, rir muito, chorar no ombro, enfim, ter contato humano.

Minha amiga disse que seu namorado vivia adicionando meninas diferentes no seu Orkut a cada dia.

- Quem é?

- Conheci na academia. – ele respondia.

Ela não gostava, mas ficava na dela. Certo dia, viu uma loira bonitona toda insinuante pra cima do seu namorado. Dessa vez não aguentou e reclamou:

- Na boa, essas garotas que você está adicionando no seu Orkut estão me incomodando.

- Que garotas?

- Aquelas da academia. E principalmente essa loira chamada Desirré.

- Ah, não! A Desirré não é da academia.

- É de onde, então?

- Não sei, nem conheço. Ela pediu pra adicionar, eu adicionei.

Depois do Orkut, é claro que eles conversaram no MSN. E não ficou só nessa “paquerinha virtual”. Descobriram que moravam perto e a curiosidade de se conhecerem pessoalmente cresceu tanto, que resolveram marcar um encontro “ao vivo”.

Minha amiga e o seu namorado se amavam. Ele se arrependeu do encontro, mas, já era tarde. Minha amiga descobriu tudo e por ter perdido a confiança nele, terminou o namoro.

Nesse caso, a internet aproximou duas pessoas... que não se conheciam.

Mas, também, afastou duas pessoas... que se amavam.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ironia




Hoje de manhã, fui informado de que o meu pagamento atrasaria.

- Mas, será que até amanhã sai? – perguntei.

- Amanhã, não!

- Segunda-feira, então?

- Hummm... Acho que também não!

Quer dizer, segunda não, terça feriado, o meu pagamento só deve sair na próxima quarta-feira.

O que pode ser pior do que passar o fim de semana prolongado com 2 reais na carteira?

Muita coisa!

Exemplos:

Eu poderia pegar esses 2 reais e comprar 4 icegurts. Só que na hora de pagar, eu descobriria que a nota de 2 reais é falsa! E quando o cara do carrinho de icegurt chamasse a polícia, eu fugiria correndo, mas, seria atropelado por um carro de som que fazia campanha pra Dilma;


Ou


Meu pagamento sairia na quarta-feira. Pago em cheque nominal. O que seria magnífico, uma vez que o banco em que recebo está em greve!


Ou


Na quarta-feira, eu receberia duas informações.

A primeira é de que o pagamento atrasaria mais uma semana.

A segunda, que a tarde haveria mais uma daquelas palestras/reuniões mensais que eu adoro!

Vale a pena falar de dois momentos inesquecíveis e marcantes de alguns desses encontros:

1 – A mulher que fazia a palestra pra gente, disse que, segundo pesquisas recentes, o tipo de reconhecimento que o trabalhador espera receber do seu patrão NÃO é em dinheiro!

COMENTÁRIO: Essa pesquisa foi feita com quem? Milionários que fazem trabalho voluntário? Só pode ser!

Como disse o meu primo Rafael, que na época também era leiturista: “- Será que essa mulher pensa que quando eu era criança eu sonhava em ser leiturista de luz quando eu crescesse?”

Eu só trabalho porque preciso do dinheiro. Se eu não precisasse de dinheiro, me dedicaria ao teatro e a escrever, isto é, ao que eu realmente gosto!

Mas, de repente, pode ser que tenha algum colega meu que sonhou em ser leiturista, né?

Há louco pra tudo!

2 – Certa vez, tivemos uma reunião à tarde, em pleno dia de trabalho. O tema interessantíssimo era: a mudança do papel da conta de luz. Explico:

Até pouco tempo, a conta era impressa em papel reciclado.

Hoje, o papel utilizado possui um selo que garante que a floresta de origem da madeira usada na fabricação desse papel é explorada de acordo com todas as leis vigentes.

Quatro pessoas se revezaram nessa palestra de durou duas horas!

COMENTÁRIO: Na boa! Acho que nem os militantes do Partido Verde conseguiriam assistir a essa palestra sem dar uma “pescada”. Teve colega meu que até babou!

Nos momentos em que eu me mantive acordado, uma questão não saia da minha mente, até que um dos palestrantes mesmo falou:

“- Vocês devem estar se perguntando: por que eu preciso saber sobre essa mudança no papel da conta? Resposta: Para informar os clientes que questionarem vocês na rua!”

Pra começo de conversa, quem entrega a conta são os carteiros.

E outra: quem é que vai ser chato a ponto de vir tirar satisfação sobre o papel da conta?

Imagina um tiozinho:

- Ô rapaz! Faz favor, um pouquinho!

- Pois não, senhor!

- Você pode levar essa conta de luz de volta porque eu não vou pagar! Onde já se viu esse desperdício de papel?!

- Mas, senhor. Esse papel vem de madeiras extraídas de acordo com a lei.

- Não quero saber! Se a conta não for em papel reciclado, eu não pago!

Costumo dizer que a minha vida pode ser dividida em antes e depois dessas reuniões, tamanha a importância que elas têm pra mim!

Mas, será que a situação pode ficar ainda pior?

Claro que sim! Basta lembrar que quarta-feira já será dia 13 e que dia 10 vence o aluguel, a conta de água, a internet e a academia. Que o crédito do meu celular acabou. Que a conta de luz já venceu. E que eu sou o tipo de cara que sempre, sempre, sempre andou com as contas em dia!

Ou seja, o dia hoje está maravilhoso! E o meu emprego também!

Pra que reclamar da vida, gente? Faça como eu estou fazendo agora: compartilhe com os amigos a alegria que você está tendo em viver hoje!

E uma dica:

Quando a vida quiser te FUDER, ignore!

E mais do que isso: seja IRÔNICO com ela. Porque assim ela vai broxar e você retomará o ritmo normal de sua vida ileso!

Se bem que a vida poderia dar o troco sendo ainda mais irônica comigo.

Como?

Aparecendo um cara aqui, dia 13, pra cortar a minha luz por falta de pagamento...


sábado, 4 de setembro de 2010

Entrelinhas






Ultimamente, o tempo anda muito seco em todo o Brasil.

Aqui em Atibaia não é diferente. E eu, que trabalho na rua, sinto bastante os efeitos desse clima desértico.

O vento já não é constituído apenas de ar, agora também contém uma espécie de areia fina. O que me garante uma esfoliação fácial diária.

Na última quarta-feira, em especial, o nível de umidade do ar estava tão baixa que dei um espirro e saiu um tijolo.

Já tô pensando em abrir uma olaria.

Nesse mesmo dia, eu estava fazendo leitura de luz num setor com mais de 600 leituras.

Tirando o ar seco, o calor infernal, o fato de ser 3 horas da tarde e eu ainda não ter almoçado e a sede terrível que eu estava sentindo, tudo parecia bem.

Até que um sujeito engraçadinho parou do meu lado e perguntou o seguinte:

- Você tá marcando direito ou tá “chutando” a leitura?

Virei pra ele com a expressão mais sinistra que pude fazer e com toda a calma do mundo respondi:

- Se fosse pra “chutar” a leitura eu ficaria em casa, sentado no sofá porque é mais confortável!

O homem deu um sorriso tão amarelo que a cor se expandiu por todo o seu rosto como uma icterícia. Depois, virou as costas e foi embora calado.

Fiquei muito feliz! Afinal, até aquele dia eu nunca havia mandado alguém pra puta que o pariu com tanta categoria!

O bom de escrever é que a gente desenvolve a capacidade de falar o que quer nas entrelinhas.

E o bom de ser leiturista de luz é que a gente desenvolve a capacidade de ser tão paciente e tolerante quanto um monge budista.

OU NÃO!!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

E a Copa vai para...

O assunto é sério.

Faltando umas três semanas para o início da Copa do Mundo, sonhei que a Argentina seria a campeã.

Aproveitei que tive uma folguinha e vim aqui escrever isso o mais rápido possível pois tenho planos para o futuro.

Explico: se a Argentina realmente vencer, posso abandonar a carreira de leiturista de luz e iniciar a carreira de "leiturista do futuro". 

Mãe Diná que me aguarde!

Agora, só me resta esperar...


sexta-feira, 12 de março de 2010

FEIO

Ontem, fiz a leitura da luz dentro de uma oficina e quando já estava saindo um dos mecânicos me chamou:

- Viu! Posso te fazer uma pergunta?

- Pode. – respondi.

- É verdade que lá no Imperial (bairro de Atibaia) tem um cara vestido com uniforme de leiturista de luz que tá entrando na casa dos outros pra abusar da mulherada?

Esperei alguns segundos pra ver se ele ria da própria piada. Mas, ele não riu! Então respondi:

- Olha, não estou sabendo de nada, não!


- É que a minha mulher fica sozinha em casa, né, sabe como é que é! Ha ha ha!

Tenho um colega de trabalho cujo apelido é Feio que é o José Maier dos leituristas de luz.

Só que ao contrário do Zé Maier, o Feio só encara mulher feia.

O mais estranho é que quando alguém comenta de uma mulher bonita que está passando na rua, o Feio não liga.

Meu encarregado que também é meu primo, o Ronaldo, tem uma teoria boa sobre isso: “O Feio só dá em cima de quem ele acha que ele tem chance.”

De fato, ele quase nunca leva um fora.

Mas, Feio não gosta só das feias. Ele também gosta das coroas. Passou dos 65 anos ele diz que “está no ponto!”.

Tivemos até que proibi-lo de frequentar a casa do Ronaldo, pois, nossa avó mora lá.

Imagina o transtorno se a minha avó com 91 anos de idade ficasse com o Feio que tem 45? Ela poderia ser presa por pedofilia!

Quando o mecânico me falou da história do cara de uniforme de leiturista “pegar” a mulherada no bairro do Imperial, foi inevitável não pensar no Feio. Principalmente porque o Feio mora nesse bairro.

Falei pro mecânico:

- Por via das dúvidas, sempre que alguém for fazer leitura na sua casa, peça para mostrar o crachá antes de entrar.


- Ah, muito obrigado viu! – ele respondeu.

Quando saía da oficina, encontrei uma carteira na calçada. Abri. Pelo RG, percebi que era do mecânico. Entrei pra devolver.

- Olha, achei sua carteira na calçada.


- Pô! Muito obrigado!

Não resisti e perguntei:

- Viu! De quem é essa foto que tá na sua carteira?


- É da minha esposa. Bonita ela não?


- Hum... bem... – fiquei constrangido.

- Ei, não vai me dizer que é você quem faz a leitura lá no Imperial?


- Por quê?


- Porque eu percebi que você achou a minha mulher bonita. Ha ha ha ha!

“Sujeito maluco!” – pensei.

- É – respondi dando um sorriso amarelo – O papo está bom, mas, eu tenho que ir.

- Oh, bom trabalho!

- Igualmente!

Quando saí daquela oficina um pensamento martelava a minha cabeça: “Se o Feio for o cara do uniforme do Imperial, com certeza, a mulher do mecânico não vai escapar!”

Veja a foto dela:




Mas, o meu medo mesmo é o mecânico acreditar que o leiturista do Imperial sou eu!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Frases


Sabe aquelas frases que você ouve todos os dias no seu trabalho, na escola, em casa... e não aguenta mais?









Relacionei abaixo algumas das frases mais ouvidas e detestadas por nós, os leituristas de luz. E, claro, fiz os devidos comentários.

FRASE 1:

“Pode entrar, meu cachorro não morde!”

Situação: Antes de morar em Atibaia, a mulher que vem me atender morou 2 anos em São Paulo e foi assaltada 17 vezes. Hoje, ela é obcecada por segurança: a casa tem muros de 5 metros de altura, cercas elétricas cortantes, câmeras, alarme, um pôster do Vampeta nu pendurado no portão da garagem e um Pit Bull tão bombado que eu tenho certeza que ele é colega dos caras da minha outra postagem, “Malhação”.

O pior é que tem leiturista que acredita que o bicho não vai morder e entra na casa. Aí, obviamente ele vai ouvir a FRASE 2:

“Ai, desculpa, moço! Foi a primeira vez que o meu cachorro atacou alguém!”

Tenho certeza que se um dia eu e meus colegas leituristas formos submetidos a uma regressão hipnótica, descobriremos que na vida passada fomos irmão chineses donos de um restaurante especialista em carne de cachorro.

Quer dizer, leiturista levar mordida de cão é uma questão de compensação da vida passada. Faz parte do nosso Carma.

Mas, nem todas as frases envolvem cães.

FRASE 3:



“A minha conta tá vindo muito alta, viu!?”

A pessoa fala como se fosse eu que usasse a energia elétrica da casa dela. Juro que dá vontade de responder:

- Por um acaso eu tomei banho na sua casa? Não! Então vai reclamar da conta pro Ricardão!

FRASE 4:



“Deu pra ver aí?”

Puta que o pariu! A gente pára na frente do relógio de luz, marca, vai embora e quando já tá lá onde Judas perdeu a virgindade, a pessoa chama pra perguntar se deu pra ver direito.

Aí, quando ela vê a cara de bosta que eu faço, quer disfarçar fazendo uma piadinha:

Deu pra ver aí? Ou, viu sem mesmo? Ha ha ha ha!

Dá vontade de na cara dele, isso sim!

Ou então:

“Deu pra ver aí?”

“Dei! Dei pra ver, sim! Dei até assar! Inclusive, o senhor não tem um Hipoglós aí pra me emprestar?”

FRASE 5:



“O leiturista não passou na minha casa. Deve ter marcado a luz ‘a olho’”.

Vai tomar no olho!

Primeiro: nossa empresa é terceirizada. Cada leitura que deixamos de fazer, a empresa deixa de receber, Portanto, há uma grande cobrança para que façamos a leitura. Acontece que tem gente que não atende a gente nem a pau e depois vem falar que não passamos na casa delas. Da próxima vez, vou arrombar a porta.

Segundo: trabalhamos com um método que não permite que façamos a leitura “a olho”, ou, por média, como as pessoas dizem. Quando não dá pra fazer a leitura, justificamos e voltamos no dia seguinte.

Às vezes, está um puta temporal, ou um sol do inferno, aí vem um lazarento e fala: “Tá marcando direito? Acho que vocês marcaram “a olho” na minha casa.”

Dá vontade responder:

- Eu poderia estar em casa, sentado no sofá, tomando uma cerveja gelada e “chutando” a leitura, mas, como sou masoquista, prefiro ficar andando embaixo desse sol de 40 graus até pegar uma ensolação, além de ficar ouvindo pessoas como o senhor falando merda na minha orelha. Adooooooooro!



Apesar de insuportáveis, muitas vezes, essas frases idiotas que ouvimos nos fazem refletir.

Esses dias, assistindo ao BBB 10, ouvi o Marcelo Dourado dizer uma frase que me fez pensar se aquele programa é pra valer mesmo ou combinado. A frase "genial" era mais ou menos assim:

“Se um homem saudável transar com uma mulher com AIDS e ele for heterossexual, ele NÃO pega AIDS.” (Marcelo Dourado).

-AAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Depois disso, comecei a pensar no porque de assistir aquele programa. Sim, pois, se aquele cara é um imbecil por dizer uma frase absurda daquelas, eu que fico dando ibope pro programa sou o quê, então?

Por outro lado, se eu não ver nem ouvir essas coisas bizarras, de onde vou tirar material pra escrever minhas postagens?

Afinal, merda é adubo!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ATENÇÃO: Ninguém presta atenção! 3




A Karen, minha cunhada querida (essa sim) escreveu um texto muito bacana no seu blog sobre a falta de atenção das pessoas nos dias de hoje. O texto se chama "Ansiedade ou Falta de Educação?" e o seu blog é http://www.kcommeuspensamentos.blogspot.com/ .


Inspirado no seu texto, resolvi escrever sobre o mesmo assunto.

Certa vez, aproveitei o meu horário de almoço para ir até a ótica pegar os meus óculos. Chegando lá, o atendente disse que ele teria que buscá-lo numa outra unidade da loja, que ficava ali perto.

Sentei e fiquei esperando. Um tiozinho que também aguardava, começou a puxar assunto:


- Bom dia, garoto!


- Bom dia!


- Posso te fazer uma pergunta?

"Xiiiiiiii! Lá vem!"

- Claro!

- Quanto vocês cobram para instalar um telefone residencial?

- Desculpa, senhor, mas, eu trabalho na ELEKTRO, companhia de energia elétrica.

- Eu sei! Tô vendo o seu uniforme. Por isso mesmo é que perguntei!

"???????????????????????????????"

- Então, senhor, é que a ELEKTRO trabalha com eletricidade e eu sou leiturista de luz. Quem deve saber sobre instalação de telefone é a Telefônica.

- Eu sei! Mas, eu só quero saber quanto vocês cobram pra instalar um telefone residencial.

Muitas dessas coisas que vivo, eu sei, são difíceis de acreditar. Às vezes, chego a pensar se não estou fazendo parte de um Reality Show ou daquelas pegadinhas do SBT. Outras vezes, penso se o meu modo de falar não é claro o suficiente.

- Olha, senhor, isso é só com a Telefônica mesmo!

- Tá bom! Muito obrigado, viu!?

O cara ainda ficou puto comigo. E, com certeza, deve ter espalhado por aí que eu era um mal educado que não quis passar informações pra ele.

Mas, pior do que esse tipo de gente que ACHA que sabe de tudo e não presta atenção em nada, são aquelas pessoas que nos largam falando sozinhos.

Lembrei até de um fato curioso. Na adolescência, eu tinha um amigo que era assim: ele falava horas sobre a sua vida e quando eu queria falar da minha por dois minutos, ele, simplesmente, mudava de assunto, comentava sobre alguém que passava ou saía andando!

Hoje, por um desses mistérios da vida, ele é formado em Psicologia! (A profissão onde o mais importante de tudo é saber ouvir!)

Agora eu aprendi: quando estou perto de gente que não vai me ouvir, fico quieto e jamais puxo conversa. Mas, aí, tenho que ouvir o irônico e desagradável comentário:

- Pô, Paulo! Você tá falando muito hoje, hein?! Ha! ha! ha! ha!

Minha vontade é mandar a pessoa tomar no c...!

Mas, não adianta. Ela não iria ouvir.

Adoro conversar. E conversa pra mim é uma via de mão dupla. Enquanto um fala o outro escuta e depois rola a troca. Se for só pra ouvir a outra pessoa falar é melhor ir a uma palestra bem interessante.

Concordo com o que a Karen escreveu no seu blog, a culpa é da ansiedade. Tenho uma amiga que quando me encontra, começa imediatamente a contar tudo o que está se passando na sua vida e não pára nem para respirar!

O pior é que no MSN é a mesma coisa. Quando estou comentando a primeira coisa que ela escreveu (e olha que eu digito rápido!) ela já está no vigésimo quinto assunto!

Agora, se isso dela não respirar pra falar comigo acontecia quando a gente estudava junto e se via, praticamente, todos os dias, imagina agora que não nos vemos há 6 meses!

Vai terminar a conversa Roxa!

Se terminar!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Leiturista?



Outro dia me perguntaram por que o meu blog se chama "P S: O Leiturista".


"P S" são as iniciais do meu nome: Paulo Sergio.


"O Leiturista" é o nome da minha profissão atual: leiturista de luz.


Como todos já devem saber, trabalho na rua e uso uniforme. Mas, o que talvez não saibam é que sempre sou confundido com profissionais de outras áres.


Começando com o leiturista de água.


Às vezes, calha do leiturista de água passar no mesmo dia que a gente, só que um pouco mais cedo. Aí, quando tocamos a campainha de algumas casas, começa a confusão:


- Quem é?


- Leiturista da luz.


- Já passou hoje.


- Impossível, senhora.


- Já passou hoje sim! Até deixou a conta!


- Então, quem passou foi o leiturista da água. Eu estou fazendo a leitura da luz.


Silêncio eterno...


O portão automático se abre. Eu entro, tiro a leitura e quando estou saindo a mulher pergunta:


- E a conta?


- A conta não sai na hora, senhora.


- Como não? Mudou o sistema? Sempre saiu!


- A conta que sai na hora é a de água, senhora. A conta de luz só vem daqui a uma semana. E quem entrega é o carteiro.


A mulher faz aquela baita cara de desconfiada e diz:


- Sei!


Provavelmente ela pensa que eu não entreguei a conta pra ela porque não quis.


Só não sei o que eu ganharia com isso.

Aí, pra completar a confusão, a senhora entra e o seu marido pergunta:


- Quem era?


- O leiturista da água.


- De novo? Mas, já passou! Ei, moço!


As pessoas desconfiam de tudo, mesmo.


Outro dia, parei ao lado de um carro estacionado pra amarrar o meu sapato, quando uma mulher gritou da janela:


- Ei! Você chamou pelo menos?


- Como, senhora?


- Você por um acaso me chamou aqui em casa, antes de multar o meu carro?


- Não, senhora, eu não...


- Pois, devia! Eu moro aqui faz 35 anos e só parei o carro aí 2 minutos pra pegar um documento que esqueci e...


- Senhora! Só uma explicação: eu sou leiturista de luz, portanto, não vou multar o seu carro.


A mulher ficou muda. Depois de "3 anos" analisando meu uniforme, ela perguntou:


- Mas, você sabe se eu posso estacionar aí?


Se ela que mora na rua há 35 anos não sabe, porque é que eu, um leiturista, iria saber?


Aliás, acontece um negócio muito engraçado com a gente. As pessoas sempre acham que a culpa da conta delas vir alta é nossa. Ou seja, elas acham que nós não sabemos fazer leitura direito.


Por outro lado, elas acreditam que a gente sabe de coisas que nem Freud poderia explicar.


Na quarta-feira de manhã, mal saí na rua pra fazer leitura e já vieram me perguntar por que rolou o "apagão" na terça-feira à noite.

E eu é que ia saber?


Outro dia foi engraçado. Passei na porta de um campo de futebol onde estavam vários garotos uniformizados. Um deles, de uniforme verde, virou pra mim e perguntou:


- Vai ter jogo?


- Você tá perguntando pra mim?


- Tô! Vai ter jogo ou não vai?


- Sei lá!


Continuei andando e ouvindo a conversa dos moleques. O goleiro chegou pro garoto de verde e disse:


- Você é tonto?! Por que você perguntou pra ele se ia ter jogo?


- Ah, pensei que ele fosse o juiz.


Jamais imaginei ser confundido com juiz de futebol.


Pelo menos não xingaram a minha mãe!


Agora, o mais comum mesmo é ser confundido com guarda municipal.


Todas as vezes que paro próximo a uma avenida ou rua movimentada, as pessoas dos carros que passam por mim colocam rapidamente o cinto de segurança.


Acho até que merecia receber um pagamento do governo por contribuir indiretamente com a segurança no trânsito.