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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

" O Engatador"

Numa longínqua noite de sábado, quando eu tinha 12 anos e ainda acompanhava minha mãe à missa, estávamos voltando para casa a pé, quando percebi que havia um sujeito nos seguindo.

- Mãe!

- O quê?

- Tem um cara seguindo a gente.

- Onde?

Quando ela se virou, ele havia sumido.

Continuamos andando e algum tempo depois, ele reapareceu.

- Mãe! Olha!

Tarde demais, o cara possuía a habilidade do Mestre dos Magos pra desaparecer.

- Pára de graça!

- Mãe, é sério!

- Você anda bebendo?

- Claro que não! Isso só vai acontecer daqui a 20 anos, quando eu tiver um blog.

- Um o quê?

- Esquece, mãe, ainda não inventaram. Eu acho...

Com 12 anos é óbvio que eu não bebia. E também não era médium. De modo que aquele cara não era um fantasma. Era real.

Ele era alto e forte e seu rosto era idêntico aquele personagem Wally, do livro “Onde está Wally?”

Nesse livro havia vários desenhos de pessoas e o desafio era você encontrar o Wally no meio deles. 


Este é o Wally:






Encontre o Wally:






Seguimos em frente. Eu temia por mim e por minha mãe. O que aquele ser bizarro queria com a gente?

De repente, o perseguidor fez um gesto que me deu certeza absoluta que o negócio dele não era com a minha mãe: olhando fixamente pra mim, o cara deu uma segurada na sua parte íntima e uma forte mexida, como se mudasse a marcha de um carro com a embreagem ruim.

Encontramos um policial e eu, apavorado, contei que havia um cara nos seguindo. E então o “Wally” sumiu de vez.

Dias depois, estava eu voltando de um aniversário na casa do meu amigo Danianderson, quando, na mesma Praça da Igreja, ouço um “psiu”. Quando olho, lá estava ele com a mão nos “países baixos”.

Eu cheguei em casa tão rápido que até hoje tenho dúvidas se corri muito ou me teletransportei.

Fiquei com vergonha de contar pra minha família e acabei falando pra alguns amigos, entre eles, o Oscar.

E é claro que quando contei da “troca de marchas” o Oscar quase morreu de tanto rir. Mas, logo percebeu que o negócio era sério. Então, começamos a espalhar pra galera e a andar em bandos, para minha proteção.

Mas, não adiantou nada. O cara, todas as vezes que me via, fazia aqueles gestos obscenos olhando pra mim.

E foi por causa da sua “troca de marchas” que o apelidamos de “O Engatador”.

Pra piorar a situação, o cara trabalhava numa loja cujos fundos davam para a quadra de esportes do clube que eu e meus amigos jogávamos basquete. Da janela, o cara ficava fazendo “psius”, me chamando, perguntando meu nome, dizendo que queria “só” conversar comigo etc. Eu ficava mudo de medo e os meus amigos, todos da mesma idade, também.

Por que não jogávamos basquete na outra cesta? Porque desgraça pouca é bobagem. A outra cesta estava quebrada na época.

Você conhece alguém que aparentemente é calmo, mas, na verdade, dentro dele possui um vulcão que de vez em quando entra em erupção?

Prazer! Eu sou desse tipo.

Pois bem, certo dia, Oscar e eu estávamos jogando basquete quando O Engatador apareceu na janela. Ele começou com suas gracinhas e eu fiquei com a cara muito fechada, muito sério.

O Oscar conta essa história pros outros até hoje e, segundo o relato dele, nesse dia, eu estava acertando todas as cestas, numa espécie de concentração que beirava o transe e que talvez só Michael Jordan conseguisse alcançar nos momentos decisivos das partidas.

E o Engatador falando...

Meu desempenho na quadra de basquete estava cada vez mais impressionante. Tivesse um olheiro da NBA ali, eu tava feito. Houve um momento em que o Oscar achou que eu, com 12 anos e 1, 56m de altura, poderia enterrar.

E o Engatador falando...

De repente, peguei a bola de basquete e joguei com toda a minha força em direção a janela em que o Engatador estava. A bola explodiu na grade de proteção e eu explodi em palavrões e insultos de todos os tipos em direção aquele pedófilo que me xavecava.

- Eu vou te pegar, moleque!

- Vem aqui se você for homem, seu filho da p*#@!!! Eu vou macetar você com as minhas mãos!!!

Nunca vi o Oscar com os olhos tão arregalados, parecia a Marge Simpson.

Como eu não parava de xingar e gritar, o Engatador sumiu dali.

E eu nunca mais o vi... Até que...

Dias atrás estava conversando com um amigo na rua, quando o Engatador passou e o cumprimentou.

- Você o conhece? – perguntei.

- Conheço, trabalhou comigo.

Fiquei sabendo do seguinte: o Engatador havia se convertido a uma rigorosa religião e havia se casado. Inclusive, a mulher de saia e buço assustador que o acompanhava era sua esposa.

Fosse eu vingativo e ele iria ver: colocaria uma berinjela de Itu dentro da calça e quando ele estivesse saindo de terninho da sua igreja eu diria o seguinte:

“- Ei! Psiu! Vem aqui! Eu só quero conversar com você!”

E daria uma sacudida na berinjela.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pequeno Pônei - parte 5

Quando eu tinha 12 anos e o videocassete era o “último grito” em tecnologia, estava assistindo a um filme na casa do Pequeno Pônei quando, subitamente, ele se levantou e disse:

- Vou ao banheiro.

- Você não vai parar o filme? – perguntei.

- Não precisa. Depois eu volto ele.

Rebobinar fita de videocassete era algo bastante demorado, ainda mais se compararmos com o DVD de hoje. Era muito mais fácil parar o filme e esperar o Oscar voltar. Mas, quem é que convencia aquela mula teimosa?

Fiquei assistindo ao filme sozinho quando, de repente, a imagem congelou.

- Ué?!

Como eu não sabia mexer naquele aparelho, fiquei ali esperando o Oscar voltar pra ele ver o que havia acontecido. Mas, de repente, começou a passar o filminho da Sessão da Tarde na TV, em seguida, SBT, Band, Cultura... os canais mudavam sozinhos!

- O que tá acontecendo?

Um minuto depois, o Oscar voltou pra sala.

- Pô, Paulo, porque você tirou o filme?

- Cara, eu nem sei mexer no videocassete.

- Cacete, Paulôôô! Então por que você mexeu?

- Não, mexi, caramba! Tô falando!

- Puta merda! Agora meu pai vai me matar porque você estragou o vídeo.

- Ah, Oscar, vai tomá no...

- Olha o quadro!

- Ai, desculpa, Deus!

Explicação: Na sala da casa do pai do Oscar havia um quadro com a imagem de Jesus Cristo. E nós dois, todas as vezes que falávamos palavrão (e falávamos muito) na frente do quadro, pedíamos desculpa pra Deus.

Ficamos ali discutindo quase meia hora por causa do bendito videocassete. O Oscar apertava tudo quando é botão e o negócio não funcionava. Aí ele me acusava e eu ficava super nervoso porque não tinha feito nada e porque não podia falar palavrão na frente do quadro.

Quando estava prestes a matar aquele equino do Oscar com minhas próprias mãos, ele começou a gargalhar mais alto do que o Bira do Programa do Jô.

- O que foi? – perguntei puto.

Atrás do sofá que eu estava sentado assistindo ao filme, havia uma pequena janela de onde o Oscar ficou apontando o controle remoto e mudando de canal.

Isso lembra algo?

Não!

Então, vejam ou revejam este vídeo que vocês vão entender o que eu tô falando...

Clique  AQUI !

sábado, 18 de setembro de 2010

Gente que não entende




Dia 06/09 foi o Dia do Sexo. Tema que foi um prato cheio para os humoristas.

À meia-noite desse mesmo dia, Oscar Filho escreveu algo mais ou menos assim no twitter: “- Agora que o Dia do Sexo já acabou, eu vou fumar um cigarro.”

Teve gente que entendeu a piada.

Mas, teve gente que não entendeu e ainda ficou espantada escrevendo coisas desse tipo pra ele: “- Nossa! Você fuma?”

Ninguém é obrigado a entender tudo o que lê. Porém, antes de ler o que alguém escreve, é preciso ter noção se aquilo preencherá as nossas expectativas como leitor. Tipo assim:

Se você quer ler um livro com o objetivo de rir, provavelmente vai buscar autores como Mario Prata, Luis Fernando Veríssimo e não um Nelson Rodrigues.

Agora, se você quer ler assuntos sérios, por que é que você vai seguir um humorista no Twitter?

A característica principal dos humoristas é a ironia. Ou seja, não dá pra levar ao pé da letra o que eles dizem.

Mas, tem gente que não entende!

A minha mãe é a pessoa que mais amo na vida. Mas, ela é desse tipo que não entende.

Outro dia eu tava revoltadíssimo com a falta de grana. Reclamava que meu emprego era um bosta, que eu ganhava pouco, que eu precisava arranjar outra coisa pra fazer ou pelo menos conseguir um bico pra aumentar a renda. Aí, no ápice do meu protesto, minha mãe virou pra mim e disse assim:

- Por que você não vai fazer trabalho voluntário?

Meu Deus do Céu!

Ok! Trabalho voluntário é uma ação muito bela. Mas, se a questão é ganhar dinheiro, ele não é a melhor opção.

Outra mania da minha mãe:

A gente tá sentado na sala e ela vem da cozinha com um copo de suco de frutas na mão dizendo:

- Quer?

- O que é, mãe?

- Suco.

Putz, é óbvio que é suco! Eu quero saber suco de que!

Quando eu era solteiro e morava com ela, eu chegava pra almoçar e perguntava:

- Mãe, o que tem pra comer?

- Arroz e feijão.

Put... que o... par...! Isso eu já sabia! Eu estava me referindo ao acompanhamento, à mistura, a outra coisa que não era o básico arroz com feijão!

Eu explicava isso pra ela na boa, mas, não adiantava nada. No dia seguinte acontecia a mesma coisa.

E o pior é que não era ironia. Minha mãe falava sério mesmo.

Aqui na minha cidade há a Pedra Grande, uma montanha que é um dos pontos turísticos de Atibaia. Quando adolescente, eu e minha turma costumávamos fazer trilha até o pico dessa montanha.

Certa vez, fazia algum tempo que a gente não ia até lá, então, eu cheguei pro pessoal e falei:

- O que vocês acham da gente subir na Pedra Grande no feriado?

E o Oscar virou pra gente e disse:

- Beleza! Eu vou de carro!

Todos riram da piada.

Acontece que no dia marcado, o Oscar não apareceu. Então, nós subimos a montanha sem ele. Chegamos ao topo e depois de algumas horas, resolvemos descer. De repente, avistamos um fusca azul calcinha chegando. Quem era?

O Oscar!

Quer dizer, o que era piada virou realidade.

É por isso que eu digo: nunca leve ao pé da letra o que diz um humorista.

Mas, não adianta. Tem gente que não entende...


quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Limite do Humor

Quando o SBT anunciou o retorno da apresentadora Hebe Camargo após um problema de saúde, o humorista Danilo Gentili chamou o episódio de “O Retorno da Múmia”.

Após ser ferozmente criticado pela imprensa, ele explicou que, com a morte da Dercy Gonçalves, a Hebe herdou todas as piadas de velho.

Ultimamente, tem se discutido muito se o humor deve ter limites.

Eu não sou humorista, mas, como a minha intenção neste blog é escrever textos com uma boa dose de humor, também tenho essa preocupação com o limite do que é humor e do que é ofensivo.

Tenho 1,73 m de altura e calço 43 (às vezes, 44). Quer dizer, meu pé é enorme pra minha pouca estatura.

Pra se ter uma ideia, quando eu nasci, meu pé já era tão grande, mas, tão grande, que eu não pude fazer o teste do “pezinho”.

O tempo foi passando, a adolescência acontecendo e começaram os problemas: a galera zuando com a minha cara. Ou melhor, com o meu pé!

Imagina você chegar na piscina do clube, aquela menina linda vir conversar com você e de repente um dos seus amigos grita:

“- Ô, Paulo! Veio nadar de pé de pato, hoje?”

E aí a menina olha pros seus pés e “racha o bico” de dar risada.

Roxo de vergonha, você pula na piscina. Aí, outro besta grita:

“- Cuidado! Não vai bater os pés se não vai dar maremoto na rua de baixo.”

Piada vai, piada vem. Um dia você quase vira herói.

“- Se um meteoro vir de encontro à Terra, é só o Paulo plantar bananeira que os pés dele formarão um escudo protetor e estaremos salvos!”

Imagina um adolescente super tímido sendo alvo desses tipos de piada.

Tinha dia que eu ficava tão irritado que perdia as estribeiras e acabava mandando todo mundo à merda. Mas, aí, sempre tinha alguém que falava algo assim:

“- Nossa! Paulo. Não sei como você pode ser tão desequilibrado com um pé deste tamanho!”

No fim, eu acabava rindo junto com a galera.

E era o melhor que eu fazia, afinal, estávamos entre amigos e todos tinham uma característica peculiar, digna de ser alvo de piada.

O Oscar e a sua baixa estatura;
O Danianderson e a sua careca;
O Haroldo e o seu cabelo de Valderrama;
O Flavio e a sua barriga de boneca gorda de shorts branco;
O Toshiro e o seu mini p... (deixa pra lá!)

Pensando bem, acho que o humor não tem limite. Tá mais pra algo 8 ou 80:

Se fizer rir é humor!

Se não fizer rir não é humor!

Mas, isso, é cada um que tem que decidir.

Agora, antes de terminar, um conselho: se você não tiver intimidade com a pessoa que você pretende fazer a piada, não faça!

Veja o que aconteceu com uns caras que mexeram com meu bisavô o “Pé Grande”:

 Clique AQUI


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sem Noção - 2




Há alguns meses, fui ao casamento de um amigo de infância chamado Haroldo.

Foi um dia muito especial, não apenas por ser o casamento de um dos meus grandes amigos, como por ter sido uma ocasião em que foi possível reunir grande parte da nossa turma de infância e adolescência, amigos que jogaram basquete juntos por muito tempo e que não se viam também havia muito tempo.

O casamento transcorria como de costume. Os noivos cumprimentaram os padrinhos e os pais emocionados, chorando mais do que atacante norte-coreano na hora do hino.

Oscar, Danianderson, eu e nossas respectivas companheiras estávamos sentados no primeiro banco, próximo ao altar. Batemos milhares de fotos, fizemos inúmeros comentários humorísticos sobre tudo e todos e rimos muito, como sempre.

Mas, o ápice da cerimônia, aconteceu quando, os padrinhos começaram a descer do altar.

Um casal de padrinhos da noiva e um do noivo parava ao lado deles, o fotógrafo batia 400 fotos e eles desciam.

Quando o último casal de padrinhos parou pra foto, o Oscar, aquela pessoa sem-noção, levantou no meio da igreja e gritou:

- Oh, Haroldo! Depois vamos juntar a galera pra jogar um basquete!

Todo mundo riu. Menos o padre.

Muita gente pode achar que isso é um absurdo, um desrespeito à cerimônia, à igreja.

Mas, se a pessoa parar pra pensar bem, perceberá que o que a gente carrega nessa e dessa vida não é a etiqueta, e sim os momentos de prazer, diversão, alegria como esse.

Tenho certeza que esse grito do Oscar vai ser lembrado pra sempre.

No meu casamento não aconteceu nada desse nível na igreja.

Aconteceu na lua-de-mel.

Dani e eu fomos pro litoral e ficamos num sobrado. Certo dia, estávamos na cozinha, que ficava no andar de baixo, preparando um..., uma..., bom, isso não importa, o que importa é que estávamos em lua-de-mel, logo, dá para imaginar a situação!

O celular da Dani começou a tocar no quarto, lá no andar de cima. Estávamos muito ocupados pra atender, mas, ele tocou tanto que já estava nos desconcentrando. Parou.

Dois minutos depois, ouvimos o som de mensagem.

Resolvemos dar uma olhada no telefone dela.

Ligação perdida: Tais.

Mensagem: “Oi, Dani! Tudo bem? Acabou de chegar um monte de caixas aqui na loja. Aproveita bem aí. Ah, traz alguma lembrança pra mim. rs! Beijos! Tais.”

Tais era a menina que trabalhava na mesma loja de importados que a Dani trabalha. Pessoa bem legal. Mas, totalmente sem-noção. Ligar pra alguém em lua-de-mel?  E a mensagem, então: “Acabou de chegar um monte de caixas aqui...

Fiquei com vontade de mandar uma mensagem pra ela assim: “Caixas é? Que coincidência! Pois a lembrança que vamos te levar é justamente um caixão. Pode ter certeza de que você vai precisar se não parar de nos ligar!”

Pena que a Dani não deixou.




terça-feira, 25 de maio de 2010

Pedrinha






Com 1450 metros de altitude, a montanha Pedra Grande é um dos pontos turísticos da cidade de Atibaia.

Lá é o local de encontro de praticantes de várias modalidades de esportes de aventura como: rapel, voo livre, trilhas etc.

Num ponto bem mais abaixo, há um local conhecido como Pedrinha.

Tal como a “Pedrona” a Pedrinha também é um ponto de encontro, só que noturno. Mas, ao contrário da primeira, ninguém ali pratica esportes. O foco são os jogos. Perigosíssimos, por sinal. Eu mesmo já presenciei alguns. Exemplos:

Certa vez, havia um grupo formado por quatro maconheiros chapadíssimos jogando truco em volta da fogueira. O jogo estava tão lento que até as corujas do local estavam bocejando. Um deles só percebeu que era a sua vez de jogar quando a ponta do seu cabelo começou a pegar fogo.

Também houve aquela vez em que um casalzinho estava praticando sexo acrobático dentro de um carro. Aliás, eu só percebi que era sexo quando, de repente, uma bunda branca surgiu e limpou o embaçado do vidro traseiro.

Até aí, tudo bem. O problema é que muito provavelmente o motorista do veículo havia se esquecido de puxar o freio de mão, pois o carro começou a andar vagarosamente para frente a cada movimento do casal.

Alguém pode pensar: “Mas, Paulo, isso não era da sua conta!”

Era sim, se levarmos em conta que na direção em que o carro seguia havia um precipício e eu não queria testemunhar um acidente!

Nós que estávamos em volta não sabíamos se avisávamos o casal ou se segurávamos o carro no muque até eles terminarem.

Eles estavam a ponto de se fuder, quer dizer, se fuder mais, quando, de repente eles pararam. A porta se abriu e a moça desceu furiosa.

O cara havia broxado, graças a Deus!

Claro que não apenas maconheiros e neo-alcoólatras frequentam a Pedrinha. Há pessoas que vão pra namorar (tanto casais convencionais quanto duplas de homens que certamente fantasiam estar no filme "O Segredo de Brokeback Mountain"), pra tocar violão e cantar, pra conversar e beber vinho etc.

Eu e meus amigos pertencíamos a este último grupo. (Do "conversar e beber vinho", não do etcetera!).

Certa vez, Rafael meu primo, Oscar e eu, fomos a Pedrinha na madrugada de uma virada de ano. havia bastante gente por lá. Sentamos próximos a uma fogueirinha quase apagada e ficamos conversando à espera do amanhecer. De repente, um cara chegou pra gente e perguntou:

- Opa! Beleza?

- Beleza! – respondemos.

- Viu, por acaso vocês tem aí uma LEDA pra me arrumar?

A única LEDA que eu conhecia era a Leda Nagle (jornalista). 






Mas, como ela não havia ido com a gente, eu respondi:

- Olha, LEDA nós não temos não, mas, se você quiser, a gente tem um pouco de vinho.

- Ah, não! Brigado! Isso aí me faz mal por causa dos conservantes. Dá azia!

Outra vez, estávamos lá, Oscar, Rubiana e eu. Conversávamos, quando chegou um cara sozinho. Ele nos cumprimentou e perguntou se poderia se sentar com a gente. Estávamos muito inspirados pra falar besteira e dar risada naquela noite. Num dado momento, a Rubiana, que estava deitada com a cabeça apoiada nas minhas pernas havia algum tempo, perguntou:

- Tá doendo suas pernas?

- Não – respondi. – Só deu uma gangrena, mas, tá tudo bem.

Todos riram. O carinha, que até aquele momento não tinha falado nada, apenas rido, resolveu comentar:

- A minha avó morreu por causa de uma gangrena.

Silêncio...

Depois disso, não havia mais clima pra piadas e resolvemos ir embora.

---

Quando disse pra um amigo que contaria essas histórias no blog, ele me falou:

- Mas, Paulo, você não tem medo de denegrir a imagem da Pedrinha.

- Não. Eu adoro aquele lugar. Por quê?

- Ah, sei lá. Do jeito que você falou parece que lá só vai gente doida, só maluco. Parece que o lugar é uma droga!

- Chico (nome fictício), fique tranquilo, pois nenhum leitor vai achar que a Pedrinha é uma droga. Até porque, se ela fosse, os malucos já a teriam fumado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pequeno Pônei - parte 4

(sugestão do Ciborgue: Pequeno Pônei)





Como o Oscar comentou no blog dele, na postagem "Premonição", a nossa turma de adolescência era a mais careta de Atibaia.

Éramos todos praticantes de esportes, não fumávamos, não bebíamos, não usávamos drogas, nem transávamos.

Esta última, não por opção, é claro!

Mas, algumas coisas mudaram. Quando fiz 19 anos, comecei a beber cerveja. Moderadamente.

Já o Oscar se mantém abstêmio até hoje.

Como sempre falamos muita besteira, algumas pessoas costumavam nos dizer:

 - Um dia, queria ver vocês dois bêbados. Deve ser muito engraçado.

Engraçado, é?

Resolvemos fazer um pacto: um dia iríamos tomar um porre juntos.

E isso aconteceu quando fui passar uns dias na casa dele em São Paulo.

Cheguei na sexta-feira. No sábado, fomos assistir a uma peça. Na saída do teatro, encontramos a amiga Fernanda que nos acompanhou a nossa aventura etílica.

Sentamos num lugar meio isolado, no segundo andar de um bar.

Começamos a conversar e tomar cerveja. Certa hora, fui ao banheiro e quando voltei o Oscar estava com uma caipirinha na mão.

“Vai dar merda!” – pensei.

Imagina uma pessoa que não estava acostumada a beber nem cerveja e resolveu misturar com outra bebida ainda mais forte. Não passou muito tempo e o Oscar começou a “filosofar”.

Por que será que bêbado é assim? O cara não tá aguentando nem ficar de olhos abertos e quer discutir os grandes problemas da humanidade.

Quando a ponta do meu nariz amorteceu e eu já não conseguia ouvir o que eles diziam, era o sinal de que já estava na hora de parar de beber e descansar antes de irmos embora.

O problema é que eu precisava muito ir ao banheiro de novo.

Enquanto o Oscar e a Fernanda conversavam, silenciosamente eu tentava traçar uma estratégia que me levasse direto ao meu objetivo sem desequilibrar.

Mirei bem a porta do banheiro. Imaginei que lá tivesse um alvo e me lancei feito um dardo.

Certeiro!

Ainda bem que o corredor estava vazio e nenhum garçom apareceu na minha frente.

Quando voltei, o Oscar estava de cabeça baixa e a Fernanda parecia estar consolando ele.

“Pronto! Aposto que já bateu a depressão pós porre. Bêbado é uma merda mesmo e...

De repente eu percebi uma gosma (que me lembrou muito o Geléia dos Caça-Fantasmas) bem embaixo do Oscar. Ele havia vomitado!

O pior é que surgiu um garçom do nada, com um rodo e um paninho na mão, querendo limpar logo o chão. Só que o Oscar ainda estava vomitando. No intervalo entre um “jato” e outro, ele disse pro garçom:

- Será que dá pro senhor limpar daqui a pouco? Eu ainda não terminei!

O garçom foi embora. Provavelmente ficou com medo do Oscar vomitar na cara dele. Eu então sugeri que o Oscar vomitasse na janela. Pra ficar menos chato.

Lembrando que estávamos no segundo andar, foi uma sorte não ter passado ninguém lá embaixo.

Nós três bebemos muito naquela noite. Mas, a Fernanda parecia que não tinha bebido nada! Era como se ela tivesse nascido com 3 fígados.

Quando saímos cambaleantes do bar, tive a sutil impressão de que estávamos sendo observados. E observados por pessoas bastante alegres, pois riam um bocado.

Fomos embora a pé e vejam vocês como os valores estão mudados hoje em dia: a Fernanda nos acompanhou até a portaria do prédio e depois foi embora, sozinha!

- Fernanda, você tem certeza de que não quer ficar? – o Oscar perguntou.

- Não, não. Tá tudo bem! Eu ainda vou para uma festa.

Aí eu tive certeza de que ela tem 3 fígados.

No dia seguinte, acordei muito cedo com um barulho vindo do banheiro. Levantei e tive a sensação de que alguém tinha jogado uma bigorna na minha cabeça, como acontece nos desenhos. Que ressaca!








Entrei no banheiro e vi o Oscar ajoelhado na privada vomitando. Ele virou pra mim e disse:

- O Cazuza tinha razão naquela última parte da música “Down em mim”.



TRECHO DA MÚSICA "DOWN EM MIM" (CAZUZA):

“E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados...”



Ele estava bêbado, vomitando, de ressaca, ajoelhado e jurando nunca mais beber.

Sacaram?

Quando ele finalmente parou de vomitar, eu descobri que estava com diarréia.

Começamos a fazer um revezamento naquele banheiro. A descarga foi acionada tantas vezes que deve ter faltado água no prédio por um mês.

Como o Oscar não parava de passar mal ele pediu pra mim:

- Paulo, pelo amor de Deus, cara, vai na farmácia comprar alguma coisa pra eu tomar.

Juro que fiquei com vontade de chorar. Imagina, eu em São Paulo, sem conhecer lugar nenhum, a pé e com piriri, tendo que procurar uma farmácia.

Mas, como eu estava menos ruim do que ele, eu fui. A farmacêutica disse:

- Olha, se ele tá do jeito que você me contou, é melhor você levá-lo ao médico.

“Só se eu vestir uma fralda geriátrica e levá-lo de cavalinho” – pensei.

Comprei o velho e bom Engov e o indispensável Epocler.

Nesse dia, o Oscar nem almoçou. E eu encarei um macarrão com molho meio frio.

E passamos o resto da tarde dentro do apartamento, quietinhos e assistindo ao filme “Moulin Rouge”.

Depois disso, o Oscar nunca mais vomitou, pois, nunca mais bebeu.

E eu, nunca mais tive diarréia, pois, nunca mais comi o lanche daquele bar.

Vocês não estavam achando que a culpa da minha diarréia foi da bebida, né? Foi do lanche, claro que foi!

Ou como diria o meu pai:

- A culpa é da azeitona!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mania de Perseguição



(sugestão do Jander: histórias do tempo de criança)






Quando eu tinha uns 12 anos, ia todos os dias ao clube nadar, jogar basquete e encontrar os amigos.

Nessa época, havia um bando de caras que ficavam sentados na esquina da minha casa e não iam com a minha cara. Especialmente um deles (que eu prefiro ocultar o nome, pois, não sei que fim levou o traste).

O fato é que todas as vezes que eu tinha que passar na esquina, eu escolhia o lado em que eles não estavam sentados.

Só que depois de muito, mas, muito tempo, os “espertalhões” perceberam a minha tática, dividiram a turma e sentaram-se nos dois lados da esquina. Quando eu fui passar pra ir embora pra casa, escolhi o lado que me pareceu menos pavoroso, rezei uns 12 terços em 20 segundos, abaixei a cabeça e fui.

Um deles, o que não ia com a minha cara mais que os outros, esticou as pernas pra eu tropeçar. Por sorte, eu estava atento e pulei as pernas dele.

O tempo foi passando e o moleque foi provocando. Ele fazia coisas como passar em frente a minha casa e atirar pedras na janela da sala.

Um dia, eu estava indo pra casa e ele e mais um molequinho estavam jogando bola na rua. Quando eu passei, ele deu uma “bicuda” na bola que explodiu na parede do lado da minha cabeça.

Meu sangue ficou tão quente que se eu segurasse um boi pelo chifre, em poucos minutos ele se transformaria num churrasco. E bem passado!

Virei pro maloqueiro e berrei sem pensar:

- O que que é? O que que você quer comigo? Caralho!!!

Ele se assustou com a minha reação. E pra falar a verdade, eu também!

- É, você passa aqui e nem cumprimenta a gente!

- Se eu olho pra cumprimentar, vocês dizem que eu tô encarando, se eu não olho, vocês dizem que eu sou metido! Resolve logo o que vocês querem porque eu não sou palhaço!

Aí, o bestão “mijou pra trás”.

- Não, sabe o que é? É que eu vou pegar aquele amigo seu que joga vôlei e é muito metidinho!

- Beleza! Então você mesmo vai falar isso pra ele. Tchau!

Nunca mais o “malandrão” mexeu comigo. Aliás, nem a turma dele também.

Ah, e o amigo ao qual ele se referia não jogava vôlei, jogava basquete. Sabe quem era? O Oscar. (Sim, ele jogava basquete!) E o mais engraçado é que o Oscar nem sabia da existência desse cara. Vai entender...

Por causa dessa fase de perseguição dos caras da esquina, eu fiquei meio neurótico com esse negócio das pessoas olharem pra mim.

Quando eu tinha uns 14 anos, havia um tiozinho que todas as vezes que eu passava, ele ficava me encarando!

E não era um olhar comum, era um olhar muito diferente do que eu já havia visto antes. Muito sinistro!

Comecei a desviar do tiozinho, também.

Uma vez, eu e o Oscar fomos andar de bicicleta até um lugar aqui da cidade onde as pessoas que saltam de Asa Delta da Pedra Grande pousam. Quando fui à padaria pra comprar um refrigerante, ouvi alguém dizer:

- Ô, menino!

“Ah, não! Era ele!”

- Eu?

- É! Faz um favor pra mim? Compra cigarro na padaria.querendo me dar duas notas de 50 reais.

- Eu sou menor de idade. Porque o senhor mesmo não compra?

- Porque o dono não quer vender pra mim!

- Ah, sinto muito!

Fomos embora e o Oscar me perguntou por que eu não quis comprar cigarro pro tiozinho.

- Primeiro porque eu sou menor. Segundo, porque aquele tiozinho me olha de um jeito estranho. Sei lá, acho que ele é viado!

O tempo foi passando e um dia, colocaram um telefone público de concreto na esquina de casa. Eu estava subindo a rua e na minha frente ia o tiozinho de olhar estranho. De repente, o homem deu uma baita cabeçada no concreto e gritou:

- Ai, meu Deus do Céu!

“Aposto que tá bêbado. Bem feito!”- pensei.

À noite, eu fui comentar com a minha vizinha o que havia acontecido:

- Ô Sirlei, sabe aquele homem que fica parado na esquina?

- Sei.

- Então, hoje ele tava subindo a rua e deu uma puta cabeçada no orelhão de concreto.

- Coitado!

- Coitado nada! Devia tá “chapado”. Não gosto daquele homem, ele fica encarado a gente. Foi merecido!

Nesse momento, minha vizinha começou a “rachar o bico” de dar risada e eu perguntei:

- O que foi?

- Ai, Paulo Sergio, você tem certeza que o homem fica te encarando?

- Absoluta! Por quê?

- Porque ele é cego!

Na verdade, o cego era eu!

Vivendo e aprendendo!



quinta-feira, 11 de março de 2010

Amigos



Na minha primeira postagem falando sobre o Oscar Filho chamada O Amigo Secreto, comentei sobre a vontade que sentia em dizer pra todo mundo que ele é meu amigo e o receio de me passar por mentiroso ou convencido por fazer isso.

Imagina a situação: você passa a infância e a adolescência ao lado de um cara que é o seu melhor amigo, aí, um dia, esse cara começa a fazer sucesso na TV. Você fica tão feliz que começa a contar pras pessoas a sua volta. Mas, como essas pessoas não conviveram com você e muito menos com o seu amigo, elas não acreditam.

Alguns acreditam. Mas, entre esses, tem sempre um ou outro que comenta: "- Hum, Fulando tá se achando só porque o amigo dele tá na TV!"

Sabe de uma coisa? Quero que esses críticos se danem!

Tenho motivo de sobra pra ter orgulho do Oscar e de tantos outros grandes amigos anônimos e maravilhosos!

Aliás, de tão maravilhos eles estão deixando de serem anônimos...

Na minha postagem intitulada Pequeno Pônei, citei o nome de Alex Moreno.

Pois bem!

Alex Moreno também é ator e também é um dos meus grandes amigos de infância, adolescência e eternidade.

E ele está na novela Cama de Gato fazendo o papel de Luck. Hoje, até rolou uma entrevista com ele no Vídeo Show. Pra quem não viu, clica AQUI !

É, gente, se já era difícil convencer alguém que eu tinha 1 amigo famoso, imagina 2!

E 2 por enquanto, né!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Medições

Como a minha situação financeira não andava muito fácil, foi preciso que eu arrumasse um bico.

Por isso, agora, além de medir a luz, também ando fazendo outros tipos de medição.

Dá uma clicada AQUI.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SIMPATIAS DE ANO NOVO





Existem milhares de simpatias que as pessoas fazem na virada do ano. Vou comentar 5 delas.

1 – Coma lentilha

Perguntei pra uma tia mais supersticiosa por que comer lentilha traz sorte. Ela respondeu: “Como a lentilha é um alimento que cresce, faz a pessoa crescer também”.

Pensei seriamente em indicar a lentilha pro Pequeno Pônei, mas, depois de profunda reflexão, cheguei à conclusão de que existem outros alimentos que podem nos fazer crescer mais do que a lentilha. Por exemplo:

Cerveja = cresce a barriga;

Doces e frituras = também;

Camisinha furada = também (só não vá comer a camisinha!);

Remédios para ereção = cresce o... a... a auto-estima.


2 – Para atrair coisas boas, pule num pé só (pé direito) à meia-noite

Fico pensando no saci-pererê. Se ele for canhoto tá ferrado!

E outra, dependendo do tamanho de quem for pular num pé só, o máximo que vai atrair é uma luxação no joelho direito.

Se a pessoa estiver bêbada, piorou. Porque antes de começar a pular, alguém vai pedir pra ela fazer o “quatro” com as pernas. E pra fazer o “quatro” é preciso ficar com o pé esquerdo no chão. E se bem nessa hora der meia-noite, o bêbado se danou: vai ter azar o ano todo.


3 – Não coma aves ou caranguejo

Como esses animais ciscam ou andam para trás, acredita-se que quem comê-los regredirá na vida.

O mesmo vale pra quem tem uma namorada(o) dançarina(o) que sabe fazer o Moonwalker (aquele famoso passinho do Michael Jackson).


4 – Pule 7 ondas para ter sorte

Olha, se você conseguir chegar à praia antes do ano novo, com esse trânsito, esqueça as ondas porque você já tem sorte demais!


5 – Guarde uma folha de louro na carteira pelo ano todo

Dizem que atrai sorte.

Mas, não seria melhor usar a folha de louro pra temperar a lentilha que vamos comer?

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A vontade de fazer um blog já existia há muito tempo dentro de mim.

E o receio, também.

Eu pensava: “Como convencer as pessoas a lerem o blog de um cara totalmente desconhecido como eu?”

Numa tarde de sexta-feira, 8 de maio de 2009, resolvi que arriscaria criar o meu blog. E criei!

Espalhei pros amigos mais próximos. Juliana (2 e meio) foi a primeira a deixar um comentário. Isso me deu alegria e ânimo para continuar.

Depois, contei pra um amigo que há muito tempo me incentivava a escrever: Oscar. Ele deu a ideia de escrevermos sobre um mesmo assunto e, no final, colocarmos o link do blog do outro. Depois desse dia, meu blog bombou de visitantes.

E o Oscar continuou a me ajudar, falando do meu blog em suas postagens, no twitter e, mais recentemente, colocando um link do meu blog no blog dele.

E o mais bacana é que vi outras pessoas indicando meu blog no twitter e em seus próprios blogs.

Por isso eu não poderia me despedir de 2009 sem fazer 2 coisas:

Primeiro: agradecer

Muito obrigado a todos você que acompanham, seguem e indicam o meu blog. Ter 90 seguidores e mais de 26 mil visitas em menos de 1 ano de blog é motivo de muito orgulho pra mim. E eu devo isso a todos vocês!

Segundo: pedir

Se você acredita que pode conseguir algo, se você acredita no seu talento, peço que busque! Por mais medo que eu sentisse, no fundo, eu acreditava que se uma pessoa lê-se o meu blog pela primeira vez, haveria chance de ela ler novamente.

Muitas vezes, o mais importante é dar o primeiro passo.

Não sou guru, nem melhor do que ninguém em nada. Apenas escrevo isso baseado na minha experiência.



QUE TODOS TENHAM UM 2010 DE CONQUISTAS EXTRAORDINÁRIAS!


QUE A ENERGIA DA VIRADA SE MANTENHA DURANTE TODO O ANO NOVO!

SAÚDE, PAZ, AMOR, ALEGRIA, DINHEIRO, SORTE E SUCESSO SEMPRE!


ATÉ BREVE!


Paulo Sergio (P S: O Leiturista)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pequeno Pônei


Por sugestão do próprio Oscar Filho, resolvi contar algumas das nossas aventuras da infância e adolescência.

Certa vez, Oscar, Vivian (sua irmã) e eu fomos até o supermercado Barateiro pra comprar leite porque estava na promoção.

Quando vi Oscar pegando o maior carrinho de supermercado que havia, logo deduzi: “do jeito que é exagerado, vai lotar esse carrinho até a boca!”Ao invés disso, ele colocou apenas 1 caixinha de leite dentro.

Pegamos uma fila enorme no caixa. Aí, pra passar o tempo, Oscar resolveu aprontar uma das “suas”: começou a empurrar o carrinho de supermercado pra frente e pra trás, pra frente e pra trás... Como se embalasse um carrinho de bebê!

Não satisfeito, pegou a caixinha de leite “no colo” e disse carinhosamente:

- Não chora, filho! Não chora!

Todas as pessoas de todas as filas olharam em nossa direção. Duas garotas atrás da gente riram muito.

Nesse momento, roxo de vergonha fui até o carro, onde a Vivian estava esperando.

Muito, mas, muito tempo depois, o Oscar apareceu.

Vivian: - Pô! Você demorou!

Oscar: - Paulo, sabe aquelas meninas que estavam rindo atrás da gente?

Eu: - Sei.

Oscar: - Marquei um encontro com elas amanhã, as 3 (da tarde), aqui na frente do supermercado.


Quer dizer, as palhaçadas do Oscar, funcionaram como “isca” pras garotas.

No dia seguinte, chegamos de fusca azul as 14:45h.

3 horas... 3 e meia... 3:45h...

Nessa época, não tínhamos celular. Oscar passou o número do seu telefone fixo pras garotas, mas, esqueceu de pegar o número delas.

Quando o relógio apontou 4 horas, nossa esperança bateu as botas.

Isso aconteceu em MARÇO de 1999 (se não me engano).

Numa tarde de MAIO do mesmo ano, estávamos nós 3 novamente reunidos. Começamos a comentar sobre o dia em que tomamos “um bolo das minas do Barateiro” Daí, Vivian virou pra gente e disse:

- Puta que o pariu! Lembrei de uma coisa! Nesse dia do encontro, vocês acabaram de sair e umas meninas ligaram. Disseram que não poderiam estar lá as 3 e se não dava pra marcar pra mais tarde, tipo 4 horas.

Ou seja, nós não levamos bolo, nós demos o bolo nas minas.

Bem que naquele dia, eu tive a impressão de ouvir uns gritos de meninas, na hora que o Oscar acelerou o fusca azul pra gente ir embora.


Falando no fusca azul...

Oscar contou no seu blog que certa vez colocou 13 pessoas dentro desse fusca. E, graças a essa sua mania de querer bater recordes, quase que eu me ferro!

Há mais ou menos 10 anos, fiz dança de salão. Lá conheci uma garota, digamos assim... “oficialmente comprometida”. Certa vez, marcamos um encontro pra depois da aula de dança. Como a nossa turminha sempre saía depois da aula, ela e eu saímos de lá escondidos da galera.

Quando estávamos subindo uma rua rumo ao local do encontro, já bem longe do salão de aula, ouvimos uma buzina inconfundível. Era o Oscar passando de fusca, com pelo menos mais uns 7 dentro do carro!

Ainda nem era repórter, mas já era inconveniente!

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Aqui em Atibaia, havia uma danceteria chamada Atlanta. Numa certa noite, um amigo chamado Alex Moreno foi fazer uma apresentação de dança lá.

Oscar, Vivian, Ana Paula, eu e vários outros amigos estávamos na fila esperando para entrar.

Oscar virou pra mim e disse:

- Paulo, você conhece a Teoria da Invisibilidade?

“Lá vem merda!”

- Não.

- Você se concentra, acredita verdadeiramente que está invisível e ninguém te vê.


- Ah, Oscar, vai tomá no c...


- É sério. Quer ver?


O lazarento do Oscar fez uma cara séria e simplesmente entrou no Atlanta, sem ser notado pelos gigantescos seguranças.

Virei pra Ana Paula e disse:

- Dá certo porque ele é louco! Vai a gente tentar isso pra ver!

Pouco depois ele saiu, entrou novamente e ficou lá dentro. Livrando-se de pagar o ingresso, é claro!

Demorei muitos anos pra entender como ele fez esse truque.

Sabe por quê?

Porque muitas vezes, as coisas estão bem diante do nosso nariz e a gente não vê.

Principalmente se essa “coisa” tiver uma baixíssima estatura.

Tivesse um dos seguranças do Atlanta olhado pra baixo, pra apagar um cigarro, por exemplo, e o Pequeno Pônei teria sido descoberto!