sábado, 10 de outubro de 2009

As pedras no caminho do leiturista de luz

Nesses 5 anos trabalhando como leiturista de luz, já topei com muita coisa estranha pelo caminho.

Certa vez, estava fazendo a leitura dentro de um condomínio. Quando cheguei próximo a uma das casas, a porta da sala estava aberta e lá dentro havia uma senhora loira apenas de calcinha e sutiã.

Antes que ela me visse, comecei a andar de ré.

Foi a primeira e única vez que fiz o “Moonwalker”, aquele passinho famoso do Michael Jackson.

Aí, quando estava numa distância segura, gritei:

- Leitura da luz!

A filha da mulher (linda por sinal) apareceu e disse:

- Só um minutinho!

Pensei: “Será que ela vai tirar a roupa também?”

Infelizmente, não! Ela apenas fechou a porta pra que eu pudesse me aproximar.

Até hoje eu fico pensando o que aquela senhora fazia ali naqueles trajes. Seria ela a Copélia?


Mas, constrangedor mesmo foi o seguinte caso: fui fazer a leitura em duas casas que ficavam no mesmo terreno, uma na frente e a outra no fundo. Fiz a leitura da primeira casa. Perguntei pra moradora se havia alguém na casa do fundo e ela respondeu:

- O portão tá aberto, pode entrar.

Entrei. O relógio de luz ficava ao lado da porta da sala, que estava aberta. Quando me aproximei dele, foi inevitável não ver aquela cena: um casalzinho estava dando um “puta amasso” no tapetinho da sala!

Dessa vez não deu pra escapar. A moça me viu e eu comecei a me desculpar desesperadamente:

- Desculpa... Não sabia que tinha gente aqui... A moça da casa da frente me mandou entrar e...

Ela não respondeu nada. Em compensação, deu uma bufada de boi bravo que me fez calar a boca na hora!

Fiz a leitura e saí dali o mais rápido que pude. De longe se ouvia a bronca que a menina dava na vizinha.

Constrangimentos a parte, com certeza a maior pedra no caminho do leiturista de luz são os cachorros ferozes.

Porém, há outros tipos de animais que podem ser tão perigosos quanto. Na zona rural, por exemplo, os leituristas podem encontrar abelha, aranha, cobra, chupa-cabra, lobisomem (no caso de se trabalhar em Joanópolis) e, claro, gente que age como cavalo.

No Mato Grosso, onde fica o Pantanal, nas áreas mais afastadas os caras fazem leitura de jipe, pois há o perigo de se cruzar com uma onça no meio do caminho.

Aqui mesmo, em Atibaia, já cruzei com animais de várias espécies.

Outro dia, fazendo leitura num bairro chamado Alvinópolis II, encontrei um tucano na porta de uma casa. E o filho da mãe ainda tentou me dar uma bicada!

Na Vila São José, estava parado na frente de uma casa, esperando ser atendido, quando vi dois pequenos jatos d’água passando bem na frente dos meus olhos. Eram dois macaquinhos que estavam no muro fazendo xixi!

Falando nisso, uma vez, estava fazendo leitura na frente de uma casa quando um cachorro que estava do lado de dentro se aproximou do portão. Dei um passo para trás e a dona da casa disse:

- Pode se aproximar! Ele é mansinho!

Encostei no portão pra ver a leitura. O cãozinho começou a me cheirar e percebi que, de fato, ele era manso.

Nesse dia, fazia um calor infernal. Eu, que normalmente já sou muito calorento, estava prestes a derreter. Pedi um copo d’água pra dona da casa e fiquei esperando ali, em frente ao portão.

Mas, apesar do sol intenso e da calça grossa que uso como uniforme, achei muito estranho quando minhas pernas começaram a “suar muito e repentinamente”. Então, resolvi olhar pra baixo.

Tarde demais! O cachorro havia mijado nos meus pés!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pequeno Pônei – parte 2




Mais uma historinha sobre o Pequeno...

Durante toda a infância e adolescência, Oscar, eu e mais uma galera frequentamos um clube chamado Grêmio Esportivo Atibaiense.

Nas férias de verão, passávamos o dia todo lá, jogando basquete (sim, o Oscar jogou basquete!), pingue-pongue e nadando.

Numa certa tarde de muita chuva, o clube estava vazio. Mas, Oscar e eu resolvemos nadar assim mesmo. Lá pelas 5 horas, começamos a ficar com frio e resolvemos sair da piscina.

Subi pro vestiário, tomei um banho rápido e desci. Queria chegar logo em casa, pois estava com muita fome.

Já o Oscar ficou “anos” cantando embaixo do chuveiro.

Por várias vezes, gritei da porta do vestiário coisas como:

- Vamos, Oscar! Morreu aí? Cacete!

Mas, ao invés de responder, ele cantava ainda mais alto.

Comecei a pensar em maneiras de tirá-lo dali rápido:

-Desligar a chave de energia;
-Fechar o registro de água;
-Jogar uma bomba de gás lacrimogêneo...

De repente, surgiu alguém que poderia ser a solução: Tatiane.

Tatiane era uma garota de quem o Oscar era a fim na época. Junto com ela, estava uma amiga.

Subi as escadas do vestiário e disse:

- Oscar, sabe quem tá aí? A Tatiane!

- Ah, Paulo! Vai se fuder!

- Então, beleza!

Desci e fui conversar com as meninas. Oscar, que não havia acreditado em mim, começou a ouvir vozes femininas e ficou na dúvida. Aí, pra sanar essa dúvida, o louco desceu aquelas escadas PELADO!

Quando percebeu que eu tinha falado a verdade, subiu correndo, mas não a tempo de escapar do “olhar de esgueio” da amiga da Tatiane. O melhor de tudo, era que a menina era “meio” lerda e fez o seguinte comentário:

- Nossa! Parece que eu vi uma bunda branca!

Existem coisas nessa vida que não deixam dúvidas. Por exemplo: uma bunda só pode ter três tonalidades:

1 – Branca;
2 – Morena à negra;
3 – Vermelha (no caso das atrizes pornôs ou de uma espinha inflamada)

O fato é que tive que inventar uma história absurda pra disfarçar aquela situação.

E, como nunca mais falamos com a amiga lerda da Tatiane, uma dúvida paira no ar até hoje:

Ela sabia que aquela bunda branca era do Oscar e disfarçou ou...

...teria acreditado mesmo na versão de que a bunda branca era da “Loira do banheiro"?











quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novela das 9

Não sei se sinto inveja, ódio ou pena dos personagens da nova novela das 9.

99% deles são lindos, cultos, inteligentíssimos e milionários.

Eles tem problemas?

Claro! E quem não os tem?

A personagem da Lilia Cabral esses dias mesmo estava com um problemão daqueles!

Ela não sabia se voltava para casa de iate ou de helicóptero.

Isso me fez pensar sobre os meus próprios problemas de (falta de) condução.

Lembrei do dia em que coloquei aquele tênis furado e peguei um baita temporal. E, pra completar, ainda esqueci o guarda-chuva. Depois, na volta, entrei num ônibus com mais umas 300 pessoas, sendo metade da galera formada por limpadores de fossa voltando do trabalho e a outra metade, por adolescentes rebeldes voltando da escola, todos munidos de MP3 (4, 5, 6 ou 7) tocando músicas horríveis no último volume. Aí, como o vidro do ônibus estava fechado e embaçado, não consegui enxergar onde estava e acabei descendo 6 pontos depois da minha casa. E tendo que voltar a pé na chuva.

Também teve aquela vez em que fui de carona numa festa muito longe e muito chata e tive que ficar esperando a boa vontade do dono do carro pra vir embora.

Depois de profunda reflexão, percebi como eu reclamo à toa. Como os meus problemas comparados aos da Lilia Cabral (personagem) são insignificantes!

E o Zé Maier?

Putz! O cara vai passar a lua de mel em Paris e não quer sair do quarto.

Tá certo que uma Elena maravilhosa daquela levanta a libido até de defunto. Mas, o cara é insaciável.

Meu sonho era ver um duelo de “quem é mais macho” entre José Maier e Chuck Norris.



O Chuck Norris, como todo mundo sabe, é tão macho, mas tão macho que não come mel. Mastiga abelhas!

Já o Zé Maier “come” até abelha. Mas, sem mastigar!

Os personagens do Zé Maier só pegaram mulheres bonitas até hoje, como: Vera Fischer, Maitê Proença, Taís Araújo... Queria ver ele encarar a Bela a Feia.



Se bem que ele encararia sim. Mas, só no último capítulo. Quando ela ficasse bonita.




Falando nisso: quantas versões essa novela já teve aqui no Brasil?

Só eu contei 3: Bete a Feia, A Feia mais Bela e agora, Bela a Feia. Sem contar o seriado Ugly Betty.

Sabe o que é o pior disso tudo? É que mesmo a novela já tendo passado várias vezes, eu nunca consegui assistir o último capítulo, que é quando a Bete aparece bonita.

Falta de tempo?

Que nada!

Falta de saco, mesmo. Eita novelinha chata!

Aliás, nem sei por que assisto novela. É tudo igual!

O mocinho e a mocinha vão lutar a novela toda contra os seus inimigos e só vão ficar juntos no último capítulo, que é quando rolam os casamentos e o nascimento de um bando de crianças.

Como se isso fosse padrão fixo de felicidade.

Queria assistir uma novela que surpreendesse. Não precisava acontecer muita coisa diferente. Bastava que fosse uma coisa forte o suficiente para abalar a estrutura da família brasileira.

Imagina, por exemplo:

No último capítulo de Bela a Feia, Bela manda uma carta para o programa “10 anos mais jovem” e é chamada. Depois de analisar a situação da moça, a equipe de beleza chega a seguinte conclusão:

“- É, não tem outro jeito. Vamos ter que transplantar o seu cérebro em outro corpo!”

E no último capítulo da novela das 9, aconteceria o seguinte:

Zé Maier (personagem) vai ao consultório do doutor Salvatore e após uma bateria de exames, recebe a terrível notícia do doutor:

“- Você tem impotência sexual crônica e é irreversível!”

Aí o personagem do Zé faz mudança de sexo e se inscreve no concurso “Garota da Lage 2010”.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pequeno Pônei


Por sugestão do próprio Oscar Filho, resolvi contar algumas das nossas aventuras da infância e adolescência.

Certa vez, Oscar, Vivian (sua irmã) e eu fomos até o supermercado Barateiro pra comprar leite porque estava na promoção.

Quando vi Oscar pegando o maior carrinho de supermercado que havia, logo deduzi: “do jeito que é exagerado, vai lotar esse carrinho até a boca!”Ao invés disso, ele colocou apenas 1 caixinha de leite dentro.

Pegamos uma fila enorme no caixa. Aí, pra passar o tempo, Oscar resolveu aprontar uma das “suas”: começou a empurrar o carrinho de supermercado pra frente e pra trás, pra frente e pra trás... Como se embalasse um carrinho de bebê!

Não satisfeito, pegou a caixinha de leite “no colo” e disse carinhosamente:

- Não chora, filho! Não chora!

Todas as pessoas de todas as filas olharam em nossa direção. Duas garotas atrás da gente riram muito.

Nesse momento, roxo de vergonha fui até o carro, onde a Vivian estava esperando.

Muito, mas, muito tempo depois, o Oscar apareceu.

Vivian: - Pô! Você demorou!

Oscar: - Paulo, sabe aquelas meninas que estavam rindo atrás da gente?

Eu: - Sei.

Oscar: - Marquei um encontro com elas amanhã, as 3 (da tarde), aqui na frente do supermercado.


Quer dizer, as palhaçadas do Oscar, funcionaram como “isca” pras garotas.

No dia seguinte, chegamos de fusca azul as 14:45h.

3 horas... 3 e meia... 3:45h...

Nessa época, não tínhamos celular. Oscar passou o número do seu telefone fixo pras garotas, mas, esqueceu de pegar o número delas.

Quando o relógio apontou 4 horas, nossa esperança bateu as botas.

Isso aconteceu em MARÇO de 1999 (se não me engano).

Numa tarde de MAIO do mesmo ano, estávamos nós 3 novamente reunidos. Começamos a comentar sobre o dia em que tomamos “um bolo das minas do Barateiro” Daí, Vivian virou pra gente e disse:

- Puta que o pariu! Lembrei de uma coisa! Nesse dia do encontro, vocês acabaram de sair e umas meninas ligaram. Disseram que não poderiam estar lá as 3 e se não dava pra marcar pra mais tarde, tipo 4 horas.

Ou seja, nós não levamos bolo, nós demos o bolo nas minas.

Bem que naquele dia, eu tive a impressão de ouvir uns gritos de meninas, na hora que o Oscar acelerou o fusca azul pra gente ir embora.


Falando no fusca azul...

Oscar contou no seu blog que certa vez colocou 13 pessoas dentro desse fusca. E, graças a essa sua mania de querer bater recordes, quase que eu me ferro!

Há mais ou menos 10 anos, fiz dança de salão. Lá conheci uma garota, digamos assim... “oficialmente comprometida”. Certa vez, marcamos um encontro pra depois da aula de dança. Como a nossa turminha sempre saía depois da aula, ela e eu saímos de lá escondidos da galera.

Quando estávamos subindo uma rua rumo ao local do encontro, já bem longe do salão de aula, ouvimos uma buzina inconfundível. Era o Oscar passando de fusca, com pelo menos mais uns 7 dentro do carro!

Ainda nem era repórter, mas já era inconveniente!

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Aqui em Atibaia, havia uma danceteria chamada Atlanta. Numa certa noite, um amigo chamado Alex Moreno foi fazer uma apresentação de dança lá.

Oscar, Vivian, Ana Paula, eu e vários outros amigos estávamos na fila esperando para entrar.

Oscar virou pra mim e disse:

- Paulo, você conhece a Teoria da Invisibilidade?

“Lá vem merda!”

- Não.

- Você se concentra, acredita verdadeiramente que está invisível e ninguém te vê.


- Ah, Oscar, vai tomá no c...


- É sério. Quer ver?


O lazarento do Oscar fez uma cara séria e simplesmente entrou no Atlanta, sem ser notado pelos gigantescos seguranças.

Virei pra Ana Paula e disse:

- Dá certo porque ele é louco! Vai a gente tentar isso pra ver!

Pouco depois ele saiu, entrou novamente e ficou lá dentro. Livrando-se de pagar o ingresso, é claro!

Demorei muitos anos pra entender como ele fez esse truque.

Sabe por quê?

Porque muitas vezes, as coisas estão bem diante do nosso nariz e a gente não vê.

Principalmente se essa “coisa” tiver uma baixíssima estatura.

Tivesse um dos seguranças do Atlanta olhado pra baixo, pra apagar um cigarro, por exemplo, e o Pequeno Pônei teria sido descoberto!


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Gordão

Nesses 5 anos trabalhando como leiturista passei por diversas experiências bizarras.

Mas, nada que se compare as histórias do Gordão.

Gordão é um colega que trabalha numa cidade vizinha a Atibaia e é também o cara mais azarado que eu conheço.

Certa vez, ele foi fazer leitura num sítio onde o relógio de energia elétrica ficava no alto de um enorme barranco.

Graças ao seu porte físico estilo Faustão (extremamente gordo da cintura pra cima e com pernas finas) chegou exausto ao final da escalada. Heroicamente, ele ainda anotou a leitura antes de cair de joelhos no chão. Nesse momento, nuvens negras começaram a pairar sobre sua cabeça.

Não, não era chuva. Eram pensamentos não auspiciosos:

“Ai, não aguento dar nem mais um passo. Se aparecesse um cachorro agora eu taria perdido!”

O cachorro não apareceu.

Apareceu um porco enorme e raivoso. E com uma violenta cabeçada jogou o Gordão do outro lado do barranco.

Incrivelmente ele não sofreu nem um arranhão. Também pudera, caiu no meio do chiqueiro!

Como aquela era a última leitura do dia, Gordão, coberto de cocô de porco dos pés a cabeça, subiu em sua moto e foi direto pra casa.

Devido ao sol forte e ao vento do trajeto, aquela lama fétida que cobria seu corpo começou a secar e a rachar, de modo que até mesmo os seus familiares chegaram a confundi-lo com outra pessoa.

Filho: - Mãe, mãe, olha: o Abominável Homem das Neves!

Esposa: - Não diz besteira, menino. Aqui em Piracaia não neva.

Filho: - Então, quem é ele?

Esposa: - Pelo jeito... é um Mutante.

Filho: - Qual?

Esposa: - Ai, como é mesmo o nome? Ah, o Coisa.

Filho: - Não, mãe. O Coisa é do Quarteto Fantástico.

Esposa: - Ah é!

Gordão: - Oh, Benhê! Sou eu!


Outro dia, ouvi ele contando a um colega que um morcego fez cocô na sua cabeça. Fiquei imaginando onde ele estaria fazendo leitura: numa caverna? Num castelo da Transilvânia?

Ver morcegos de dia já não é muito comum, imagina ser atingido pela cagada de um.

Seria uma brincadeirinha de mau gosto do Batman?

Ou o Drácula tentando aparecer a qualquer custo? Afinal, ele anda bem em baixa, principalmente agora que a mulherada só quer saber do vampiro do filme Crepúsculo.




Claro que não poderia faltar aqui uma boa história sobre cachorro. Outro dia ele disse que estava numa casa fazendo leitura e quando se deu conta havia um Pit Bull vindo em sua direção. Sem pensar muito ele pulou um alambrado “sem colocar as mãos”.


- Qual a altura do alambrado?
– alguém perguntou.

- Uns 2 metros! – ele respondeu.

- Dois metros? Impossível! – duvidou um terceiro.

- Que nada! Na hora do medo a gente faz coisas que até Deus duvida! – retrucou o primeiro.

E eu concordo! É bem provável que ele tenha “voado” mesmo sobre o alambrado. Principalmente se tivesse tomado Red Bull.
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Gordão conseguiu escapar de um Pit Bull. Mas, não de um aluno da escola pública.

Quando Gordão caminhava dentro da escola em direção ao relógio de luz, um moleque apareceu do nada e lascou-lhe uma mordida no braço.

Tá certo que Gordão é enorme e branco como aquele boneco de machimelo do filme dos Caça Fantasmas. Mas, não a ponto de ser confundido.



Acho que o que rolou de verdade foi falta de merenda naquela escola.

E a mordida foi um sinal de protesto do aluno. Ou um sinal de fome mesmo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Velório – Lado B

A morte é a única certeza da vida. E é também aquilo que há de mais inaceitável nela.

Por isso, encerro aqui as filosofias e tristezas que permeiam o assunto pra observar o Lado B (ou o lado cômico) dos velórios.

Uma colega do Teatro contou que até os 7 anos de idade nunca tinha ido a um velório, até que o avô de uma amiga faleceu. Quando ela entrou no recinto, ficou tão impressionada, tão nervosa com a visão do caixão, que disparou a rir.

Os parentes do defunto começaram a olhar pra ela com ódio e suas amiguinhas tiveram que retirá-la da sala antes que o próximo velório que ela entrasse fosse o dela mesma.

Depois disso, nunca mais entrou num velório. Disse que tem medo de começar a rir novamente.

Caso isso acontecesse, ela seria a primeira anti-carpideira da história.

Mas, pior do que rir na cara do defunto seria o defunto rir na nossa cara. E isso só aconteceria em dois casos.

Primeiro: o morto teria que ser o Coringa.

Segundo: ele teria que ser um personagem de Caminho das Índias, daqueles que sempre morrem e voltam (tipo Raul, Raj e afins).

Tenho a impressão de que algumas pessoas nunca vão morrer. O Michael Jackson, por exemplo. Será que ele morreu mesmo? Ou o seu espetacular velório faz parte da refilmagem do clip da música Thriller?

Outro é o Silvio Santos. Tenho certeza de que quando eu tiver 90 anos, vou ligar a TV no domingo e ele vai estar lá, com a mesma cara, a mesma peruca caju, jogando aviãozinho de dinheiro pra platéia.

Já o Chico Buarque, com toda a sua genialidade e simplicidade, só vai deixar esse mundo quando enjoar. Imagino algo assim: ele vai pegar uma trouxinha de roupa, amarrar na ponta de um galho e colocar nas costas. Aí, num lugar cheio de fumaça branca ele vai sumir atrás de uma pedra como faz o Mestre dos Magos.

Dias atrás, minhas tias e minha mãe estavam discutindo qual era o melhor plano funerário da cidade. Um oferece coisas como desconto em farmácias e cadeira de rodas se o pagante necessitar (ainda vivo, é claro). (Não, isso não foi uma propaganda de operadoras de celular).

O outro serve salgadinhos, bolacha, chá, café e capuccino no velório.

Mas, nenhum deles supera a criatividade do meu tio Ricardo e seus amigos. Quando um da turma morreu, meu tio e outro amigo foram pra porta do cemitério e bem na hora do enterro executaram o último desejo do morto: soltaram uma caixa de rojões!

Contudo, as coisas que mais chamam a atenção nos velórios não são as novidades e sim as coisas que se repetem em todos eles. (Pelo menos aqui no interior).

Repare que sempre aparece um bêbado. Ele chora até ficar desidratado e ninguém sabe quem é ele. Alguém fala: - Parece que ele trabalhava com o Fulano (o morto).

Um “marvado” comenta: - Dizem que Fulano ficou devendo uma grana pra ele. Grana preta!

Outro ainda mais “marvado” diz: - Não comenta nada, mas ouvi dizer que esse bêbado aí é filho do Fulano.

Sempre tem também alguém brigando por uma coisa que não vai fazer a menor diferença na vida dele nem na do morto.

Briguento: - Que número é o túmulo?

Coveiro:
- Número 93, fileira F.

Briguento:
- Cê tá louco! Pela ordem é 91.

Coveiro:
- Mas, senhor, o número que me mandaram colocar foi esse.

Briguento:
- Tá errado! Vou processar essa merda de cemitério!

Sem falar que sempre aparece um cachorro. Ele rola na terra do cemitério e depois vem meter as patas na calça da gente, buscando um cafuné.

Ah, e tem também aquela tia gorda chamada Isnira (ou algo parecido), que senta num cantinho, lá fora, e começa a contar piadas. No início, os parentes do defunto estranham, ficam indignados. Mas, depois de ouvi-la contar o primeiro causo, já começam a se aproximar e a sorrir. Mais um pouco, o velório está vazio e a roda em volta da humorista é enorme.

Você então se levanta com o abdome dolorido de tanto rir e vai pra cozinha pegar um café. Na volta, ouve os risos das pessoas lá fora e ao passar pelo morto que está sozinho sente remorso. Contudo, tem a impressão nítida de que ele está sorrindo. Não um sorriso de dentes, mas, aquele disfarçado, tipo Monalisa.

Você pisca pra ele e volta pra fora.

Na noite seguinte, você acorda num pulo. Sua mulher assustada pergunta:

- O que foi isso?!

- Lembrei de uma coisa que aconteceu no velório!

- Do quê?

- A piscada que dei pro Fulano... foi correspondida!

(Deixe seu comentário na caixinha. Obrigado!)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cague ou receba seu dinheiro de volta!


Existe uma famosa marca de iogurte que lançou um desafio aos seus consumidores:

A pessoa compra 15 unidades do tal iogurte e vai tomando 1 por dia. Se após consumir as 15 unidades ela não ficar com o seu trânsito intestinal regulado, recebe de volta o valor gasto com a compra do produto.

Quer dizer, pra uma pessoa conseguir vencer esse desafio, ela praticamente precisa ficar 15 dias sem cagar!!!

E pior: tem que provar que não cagou!

E pior ainda: depois desse tempo todo, com certeza, a merda vai empedrar.

Aí, só escolhendo uma das opções abaixo pra desempedrar.

– Embicar uma Vap na porta do fiantã e ligar na velocidade turbo.

– Fazer um pequeno corte na barriga e meter uma britadeira dentro do intestino.

(Só em último caso!) – Fazer uma cesariana.

Já ouvi dizer que o iogurte é tão bom, mas tão bom, que faz até carrapato ir ao banheiro.

Ou seja: quem aceita o desafio, faz merda duas vezes! Uma, porque vai ao banheiro todos os dias e outra, porque não vai vencer o desafio nem a pau!

Em contrapartida, quem fica satisfeito com o produto recebe um brinde que corresponde a um refratário de vidro.

Aí, eu não gostei!

Penso que seria bem mais útil premiar os satisfeitos cagões com alguns pacotes de fralda geriátrica ou até mesmo um penico.

A promoção que ia tão bem, não poderia terminar com uma cagada dessa!

(SEU COMENTÁRIO É MUITO IMPORTANTE!)