domingo, 4 de setembro de 2011

Moleque folgado


Jeferson, um garoto de 14 anos, caminha pela rua quando é abordado por dois policiais:

- Mão na cabeça, moleque! Encosta na parede e abre bem as pernas.

Enquanto um policial faz a revista, o outro começa o interrogatório:

- Tá indo pra onde?

Sem demonstrar medo, o garoto responde com a voz firme:

- Pra casa da minha avó.

- E tá vindo de onde?

- Fui buscar uns bagulhos.

- BAGULHOS?o policial anda em direção a Jeferson e quase o espreme na parede. Com o rosto a alguns centímetros de distância do garoto, ele pergunta: - Que bagulhos?

E o garoto, que apesar de magricela não tem medo de encarar ninguém, responde:

- Farinha e erva.

O policial fica irado com a petulância daquele menino:

- Você tá de brincadeira comigo?

- Não.

- CALA A BOCA!!! Cadê os “bagulhos” que você foi buscar?

- ...

- RESPONDE!!!

- O senhor não me mandou calar a boca?

O policial dá um tapa na cara de Jeferson que derruba a sacola com a farinha e a erva dentro da boca de lobo. O garoto só não apanha mais porque o outro policial, que até então estava quieto, impede o seu companheiro nervoso de prosseguir:

- Calma, Lopes.

- Que calma?! Você não tá vendo que este moleque é folgado? Vem falar na minha cara que foi buscar “farinha” e “erva”? Tá pensando o que? Que eu tô aqui de brincadeira? Ah, mas, ele vai ter o que merece.

Os policiais colocam o garoto na viatura e o levam pra delegacia. Só Deus sabe o que se passa por lá...

Enquanto isso, dona Benedita, a avó de Jeferson, espia a rua da janela:

- Mas, onde será que esse menino se meteu? Já faz mais de uma hora que mandei ele buscar farinha e erva-doce pra eu fazer um bolo de fubá e ele não voltou até agora. O moleque folgado viu!?










sábado, 27 de agosto de 2011

A Arca de Noé



Noé, o único homem justo da Terra em sua geração, tinha planos de descer pra Praia Grande no feriadão. Contudo, após assistir a Rosana Jatobá anunciar a previsão do tempo no Jornal Nacional, teve que mudar de ideia: era previsto um dilúvio no final de semana.

- Pobre é uma merda mesmo! A gente vive só trabalhando. Aí, quando consegue juntar um dinheirinho pra levar a mulher e a criançada até a praia, chove. Ah, pelo amor de Deus viu! - Reclamava Noé, quando o telefone tocou.

- Não vai atender? – perguntou sua esposa.

- Atende você. E se for o cobrador das Casas Bahia de novo, diz que ele ligou pro número errado.

- Alô! Ah, sim. Só um minuto. É pra você.

- Quem é?

- Deus.

Deus disse a Noé que iria destruir o mundo por causa da perversidade humana e, como tinha um xodó por ele,  mandou que construísse um grande navio para salvar a sua família e um casal de cada espécie de animal.

- Mas, Senhor, o que eu faço com a baleia?

- Meu filho, as baleias não precisam ser transportadas na Arca, pois elas sabem nadar, seu cabeção. – respondeu Deus.

- Não, senhor. Eu falo da baleia da minha mulher. Vou ter que levar esse bucho comigo? Será que não tem como o senhor quebrar o meu galho e eu partir sozinho. Tipo assim: depois que as águas baixarem, eu vou parar numa ilha e encontro uma índia de corpo escultural, saca Pocahontas? Então, e aí a gente povoa a Terra de novo... Que tal?

Deus, caso não fosse Deus e não tivesse a paciência suprema, diria nessa hora: “Ai, meu Deus do céu! Aja paciência!” Mas, apenas respondeu: - Não rola!

Com o telefone da madeireira em mãos, Noé fez a encomenda do material.

Não se sabe ao certo, como ele conseguiu construir uma Arca tão grande em apenas uma semana. Mais estranho que isso, foi à loja de material de construção ter entregado sua encomenda com tanta rapidez, apenas 15 minutos após ter sido feito o pedido.

Coisa de Deus mesmo.

Na sexta-feira à noite, Noé colocou sua família e todos os casais de animais em sua Arca, inclusive a baleia.

No sábado, por volta do meio-dia, o céu começou a escurecer. Com apenas 5 minutos de chuva, todas as casas da redondeza ficaram submersas, o que leva muitos estudiosos bíblicos a acreditarem que Noé e sua família moravam na grande São Paulo. (Ou quem sabe no Parque das Nações, um bairro aqui de Atibaia).

O problema maior de Noé durante a viagem foi, primeiro: dar ração para aquela bicharada toda.

Segundo: livrar-se de tanta bosta acumulada!

Dizem inclusive que quando Noé despejou todas aquelas fezes animais no mar de uma vez, a merda era tanta, que deu origem a uma ilha.

Bem, a certa altura, Deus, que sempre andou muito ocupado, lembrou-se de Noé e interrompeu o dilúvio.

Noé e sua esposa, assim como Adão e Eva, tiveram a missão de povoar novamente a Terra. Não era uma missão fácil. Afinal, Noé já estava mais do que enjoado daquela baranga de mulher que era a única no mundo que lhe restara. De onde tiraria inspiração?

Até que num belo dia, um viajante do futuro vestido com um macacão branco e que era a cara do Wagner Moura chegou ao vilarejo onde Noé morava. O tal homem trazia diversas muambas futuristas e os dois logo começaram a negociar.

- Eu tenho um celular com entrada pra quatro chips pro senhor, seu Noé.

- Xi, meu filho, o sinal aqui é péssimo. E, além disso, vou ligar pra quem?

- Pra Deus.

- Deus tá usando Nextel.

- Ah...

Conversa vai, conversa vem, o homem do futuro tirou da mochila algo que seria a solução para o problema de falta de inspiração de Noé: uma coleção de Playboys: Juliana Paes, Cléo Pires etc.

Em troca das revistas, o viajante do tempo levou para o futuro pedaços de madeira da Arca de Noé que são vendidos em certas religiões hoje em dia e ninguém bota fé.

Noé, graças às revistas, encarou a esposa e repovoou o mundo. Quando já estava velho de barba branca, começou a ver e conversar com duendes. Sua esposa, pensando que ele estava caduco, tentou interná-lo numa casa de repouso, mas, o velho Noé fugiu para outro continente.

No Polo Norte, mudou de nome: Noel. Comprou um barracão e junto com os duendes passou a fabricar brinquedos que são distribuídos às crianças boazinhas todos os anos até hoje, na véspera de Natal.
  

sábado, 30 de julho de 2011

A Carona


A sede da empresa onde estou trabalhando fica no final de uma longa avenida. Como a maioria dos funcionários usa uniforme e também quase todos têm que passar por essa avenida, é muito comum que pessoas que se deslocam até lá à pé, como eu, acabem pegando carona no meio desse trajeto.

Dias atrás, estava indo para a empresa quando um senhor de bigodes parou o carro do outro lado da avenida e gritou:

- Tá indo pra lá?

- Sim. – respondi.

Atravessei a avenida, entrei no carro, botei o cinto e o homem iniciou a conversa dizendo que tinha uma reunião importante lá.

- Escuta, que horas você entra no trabalho?

- Bato ponto as 7:30h.

- E dá tempo?

- Ah, sim. Já estou acostumado a andar rápido todos os dias. Em quinze minutos dá tempo de sobra de chegar lá.

Passamos em frente a empresa que trabalho. Mais adiante, ficava o retorno obrigatório.

Mas, o homem passou também pelo retorno...

Comecei a achar aquilo muito estranho. Seria ele um sequestrador mandado pela minha ex-mulher?

- Olha, o senhor tá indo pra onde?

- Tô indo pra lá.

Meu Deus! Onde era o “pra lá” dele? Comecei a olhá-lo disfarçadamente. Não tinha cara de sequestrador. Nem de maníaco sexual com fetiche por uniformes. O que estava acontecendo então?

Já estávamos entrando na pista.

- Mas, o senhor vai “pra lá” por aqui?

- Sim. Mais adiante tem um retorno.

- Mas, nós acabamos de passar por ele.

O homem torceu o bigode. “Pronto!” – pensei – “Agora ele vai sacar a arma e dizer que é um assalto.”

Mas, peraí! Quem tava de carro era ele. Se fosse pra rolar um assalto quem teria que assaltar era eu, que estava a pé. Tinha alguma coisa errada ali. De repente ele perguntou:

- Mas, você tá indo pra onde?

- Eu tô indo pra Elektro (que ficava bem lá atrás, na grande avenida). E o senhor?

- Eu tô indo pra Mercotubos (que ficava bem lá na frente, na Rodovia Dom Pedro).

Depois de dar uma boa gargalhada, o homem disse:

- Puxa vida! Confundi o seu uniforme com o do pessoal que trabalha na Mercotubos.

Provavelmente, o uniforme deles deve ser amarelo gema ou vermelho sangue.

E o meu é azul marinho.

Não é a primeira nem a última vez que alguém me confunde com um profissional de outra área. Já me chamaram de leiturista da água, carteiro, policial, vendedor de zona azul e até juiz de futebol.

Ser leiturista tem dessas coisas. Ainda bem. Pois rende boas histórias!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CMTA - Corpo Municipal de Teatro de Atibaia no Festival de Inverno de Atibaia 2011

Matéria e fotos da apresentação do último dia 22 de julho do CMTA - Corpo Municipal de Teatro de Atibaia no Festival de Inverno de Atibaia no auditório do Centro de Convenções Victor Brecheret da peça "A Farsa do Juiz ou As Peripécias de João Brás".

Clica AQUI!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Nem Morto!"



Dias atrás, um colega de trabalho chamado Vitor foi fazer leitura de luz numa cidade vizinha à Atibaia.

Chegando ao cemitério da cidade, descobriu que havia um relógio de energia elétrica dentro da sala de velórios, que estava fechada. O jeito seria entrar pelo portão do cemitério que ficava do outro lado do quarteirão.

Mas, quando Vitor já caminhava em direção ao seu destino, alguém com uma voz muito estanha o chamou:

- Ei, moço!

- Ai! (primeiro susto)

- Você vai marcar a leitura da luz aqui na sala de velórios?

- Vou sim. (virando-se e encarando a mulher) – Ai! (segundo susto)

- Eu abro pra você.

A sinistra mulher sacou do bolso um molho de chaves e abriu a porta. Em seguida, perguntou:

- Você vai tirar a leitura da minha casa também?

Se ele nunca havia visto aquela mulher na vida, como ele poderia saber onde ela morava? As pessoas andam assistindo muito “O Astro”... Além disso, com aquela aparência, era bem provável que ela morasse nas profundezas do inferno.

- Mas... Onde a senhora mora?

- Na Rua Belo Horizonte.

- Eu marquei luz lá ontem.

- Ué? Mas, você não entrou na minha casa. Eu tava lá. Tenho certeza! Eu tô de férias.

- Bom, provavelmente o relógio de energia da sua casa fica do lado de fora.

- Ah, mas na minha casa tem muitos outros relógios. Tem na sala, na cozinha, no QUARTO...

Foi nesse momento que Vitor pensou: “Mas, antes tivesse dado a volta, atravessado todo o cemitério e cruzado com uma alma penada...” Terminou a leitura e agradeceu:

- Obrigado, senhora!

- Moço, você é quem vai tirar leitura aqui sempre?

- Acho que sim.

- Ai, que bom! Aqui nessa cidade só tem homem feio. Como é o seu nome?

- Vitor.

- O meu é Adélia. Prazer! Sou coveira.

E quando ele já estava a certa distância do local, ela completou:

- Volte sempre aqui, viu!

E Vitor respondeu mentalmente: “Nem morto!”


sábado, 16 de julho de 2011

Teatro : A Farsa do Juiz ou As Peripécias de João Brás



Dia: 22 de julho (próxima sexta-feira)

Horário: 23 horas.

Local: Centro de Convenções Victor Brecheret

Os ingressos deverão ser retirados a partir do dia 18 de julho (segunda-feira) no Centro de Convenções Victor Brecheret, na Alameda Lucas Nogueira Garcez, 511 ou na Livraria Nobel Atibaia, na Alameda Lucas Nogueira Garcez, 2642, em troca de uma lata ou saquinho de leite em pó.  


sábado, 9 de julho de 2011

Virgem

Lembro-me como se fosse hoje.

Era início do mês de setembro. Eu era um adolescente muito tímido que estudava no primeiro colegial. Minha sala estava em aula vaga e todo mundo conversava animadamente. Eu disfarçadamente desenhava a caricatura de um colega quando, de repente, uma garota japonesa que nunca havia conversado comigo virou pra mim e perguntou:

- Paulo, você é virgem?

Um silêncio assustador se abateu sobre aquela sala. Ninguém respirava. Até os carros pararam de passar na rua. O único som que se ouvia era do meu coração batendo forte feito um tambor.

Durante 10 segundos fiquei paralisado. Olhava fixamente para a folha de papel a minha frente e pensava: Tenho cara de virgem?

Não era nerd. Não que os nerds não transem. Mas, pelo menos os nerds dos filmes americanos são tão fanáticos por estudo que não tem tempo pra pensar em outra coisa.

Estaria a japa querendo alguma coisa comigo? Não. Ela não iria ser tão direta e ousada assim. Ainda mais na frente dos outros.

Só me restou responder:

- Não.

- Não?

- Não.

- Ué? Mas, a Mariana disse que você era.

Meu Deus! A Mariana? Logo a Mariana que havia sido a minha primeira...

De repente, a Mariana, minha colega de classe e não a Mariana que eu havia ficado, interrompeu a japonesa:

- Ai, cala a boca Tesuko.

- Mas, por quê?

- Quem é do signo de virgem não é o Paulo Sergio e sim o Paulo Ricardo que, aliás, está fazendo aniversário hoje. VAMOS CANTAR PARABÉNS PRA ELE, GALERA: “PARABÉNS PRA VOCÊ...”