domingo, 3 de abril de 2011

A Verdadeira História de Rapunzel


Imagem retirada do blog do ilustrador Mauro Souza. Conheça o trabalho dele: CLIQUE AQUI.


Era uma vez um jovem casal que queria muito ter o seu primeiro filho.

Durante um ano, tentaram de tudo: tratamentos médicos, simpatias, corrente de oração dos 318 pastores, macumba, chás de ervas... E nada.

Até que um dia, o marido chegou pra esposa com uma ideia radical:

- Querida esposa, já tentamos de tudo e você não engravidou. Agora só resta uma solução...

- Qual, querido esposo?

- Nós vamos ter que fazer sexo!

Deu certo!

Durante a gravidez, a mulher teve desejo de comer uma fruta do pomar da vizinha que, literalmente, era uma bruxa. Acreditando que a esposa estivesse esperando um menino e com medo deste nascer com cara de Clodovil, digo, com cara de fruta, o marido resolveu assaltar o pomar.

O problema é que na terceira noite em que o marido escalava o muro pra roubar as frutas, a bruxa o pegou no pulo. Ele implorou por misericórdia, dizendo que faria qualquer coisa pelo seu perdão. E então ela disse:

- Você terá que passar uma noite comigo.

- Oloooooooooooooooooooooco!!! Aí também não, né, Dona Bruxa. A senhora não pode fazer uma coisinha mais tradicional, tipo: transformar-me em sapo?

- CALE-SE, seu imbecil! Agora você só tem uma opção: quando a criança nascer, ela deve ser entregue a mim!

Alguns meses depois, nascia Rapunzel que, conforme o combinado, foi entregue a bruxa.

Quando completou 12 anos, Rapunzel foi trancada no alto de uma torre sem portas nem escadas, com apenas um quarto no topo. Quando a bruxa queria subir, Rapunzel jogava suas tranças de cabelos que eram presas num gancho. E a bruxa subia por eles.

Certo dia, uma assistente social indagou a bruxa sobre o que ela costumava fazer com a menina Rapunzel no alto da torre.

- Dona assistente social, eu nada mais sou do que uma velha e pobre bruxa amante de esportes radicais como o Rapel. Por isso, quando desço da torre, uso os cabelos da menina como cordas. Apenas isso. A senhora aceita mais uma maçã?

E a assistente social:

- Si... Si... Sim. Ai... Que sooooono...

Mas, infelizmente, não era só a bruxa que queria se aproveitar da menina...

Um dia, um príncipe que cavalgava no bosque, ouviu Rapunzel cantando na torre. Ficou encantado com aquela voz que era muito parecida com a da Maria do Big Brother 11 cantando no video-kê. Seguindo o som, encontrou a torre. Não achou nenhuma porta, mas não desistiu. Retornando ao local com frequência, um dia observou uma visita da bruxa e aprendeu como subir na torre.

Quando a bruxa foi embora, ele pediu que Rapunzel soltasse seus cabelos e, ao subir, a pediu em casamento. Rapunzel aceitou e depois de algumas visitas, eles bolaram um plano.

- Rapunzel, o esquema é o seguinte: como a bruxa te visita de dia, então, eu, virei à noite e te trarei seda...

- Seda?! Beleza! Faz tempo que não fumo um baseadinho...

- Não, Rapunzel. Não é isso...

- Ahhh, você tá falando de shampoo. Ah, mas tem que trazer muitos porque olha o tamanho que tá o meu cabelo. Depois que eu me converti, nunca mais cortei nem as pontas e...


- NÃO!!! Escuta, sua anta: eu trarei tecido de seda e você o tecerá numa escada. Quando estiver pronto, nós fugiremos durante a noite deixando a escada coberta pelas tranças de seda no lugar dos seus cabelos. Quando a bruxa chegar aqui no alto da torre e descobrir tudo, já estaremos longe.

- OK! Será que nós podemos brincar de alguma coisa agora?

- O que vai ser hoje? Pega-pega ou esconde-esconde?

- Não, hoje vamos brincar de médico.

Embora não parecesse, Rapunzel era uma mocinha inocente...

Depois de alguns meses, chegou para a bruxa e comentou:

- Nossa! Meu vestido anda tão apertado na barriga.

- Você anda indo ao banheiro?

- Claro! Eu vou ao banheiro regularmente porque tomo Activia todos os dias.

- Estranho... E o que mais você notou de diferente?

- Enjoo. Muito enjoo e sono.

A bruxa, que era raposa velha, sacou tudo. Ficou tão irada que cortou os cabelos de Rapunzel e lançou um feitiço para que a garota vivesse em um deserto.

Naquela mesma noite, quando o príncipe veio visitar sua amada, a bruxa jogou as tranças pela janela da torre. Ele subiu e ao chegar ao topo deu de cara com a bruxa que disse:

- Você nunca mais verá Rapunzel!

Ela empurrou o príncipe que caiu da torre em cima de um monte de espinhos, ficando cego.

Durante meses ele vagou sem rumo pelas terras do reino enquanto Rapunzel dava à luz duas crianças gêmeas.

Um dia, Rapunzel lavava roupa num rio quando começou a cantar. O príncipe, que passava ali perto, reconheceu sua voz e seguiu o som até encontrá-la. As lágrimas de Rapunzel curaram a cegueira dele. E então, ele disse:

- Rapunzel, agora nossos filhos, você e eu podemos viver felizes para sempre no meu reino.

- Engano seu, meu querido. Você cuida das crianças porque eu tô indo pro Rio de Janeiro tentar a vida como cantora. Adeus!

terça-feira, 29 de março de 2011

Bancos




Há exatamente um ano, adquiri um Título de Capitalização.

O Plano:

Pagar uma parcela por mês, durante 72 meses, no valor de R$15,00 e concorrer a prêmios semanais de 10 mil vezes o valor da parcela.

O boleto, que chega em casa pelo correio, vence todo dia 15. Quando meu salário atrasa (o que ultimamente não é muito difícil) eu empresto a grana de alguém, mas, nunca deixo de pagar a parcela em dia.

Pois bem. Neste mês, o boleto não chegou a minha casa.

Fui até o Correio da minha cidade, no departamento de distribuição de correspondências. A única coisa no meu endereço era uma carta de cobrança no nome de um cara chamado Samuel que morou na casa onde moro a pelo menos 200 anos atrás.

Então, o problema era com o banco.

Fui ao banco. Expliquei a situação pra mocinha que ajuda nos caixas eletrônicos e perguntei com quem eu poderia falar.

- Fala com a moça das mesas.

- Qual delas?

- Com a Sueli.

- Mas, qual daquelas três moças que estão nas mesas é a Sueli?

- A Sueli é japonesa.

- Obrigado.

Cheguei às mesas e havia duas japonesas e uma mestiça. Pegadinha?

Ainda não.

De repente, chega outra atendente, também japonesa. Agora sim era pegadinha.

- Sueli?

- Sim.

- Olha, eu adquiri um Título de Capitalização e neste mês o boleto não chegou a minha casa. Quero saber como faço pra retirar a segunda via.

- Você tem que ligar para um desses telefones. (Rabiscando rapidamente os números num pedaço de papel).

- Mas, eu não posso fazer isso aqui no banco?

- Não. Porque quando isso acontece não é problema do banco. Quem envia os boletos é uma financeira.

Tipo assim: quando fui adquirir o Título de Capitalização (as leitoras que me perdoem agora) a atendente só faltou me oferecer a “periquita” dela em cima da mesa. Agora, que eu estava com um problema, o banco simplesmente me dizia: o problema é seu! Mané!

- E pela internet? É possível tirar a segunda via?

- Ah... Acho que é sim. É sim...

Fui embora pra casa e entrei na internet. Quando fiz o plano, o banco tinha outro nome. Recentemente ele foi vendido a outro banco e a página referente ao Título de Capitalização que adquiri, deixou de existir.

Coloquei na busca: “Segunda via para boletos”.

Não havia essa opção para Títulos de Capitalização.

Tive vontade de colocar na busca: “Como explodir um banco”.

Mas, achei melhor tentar primeiro o telefone.

Liguei pro 0800:

“Este telefone só recebe chamadas de localidades fora do estado de São Paulo”.

Liguei pro outro número:

Primeiro uma propagandinha básica do banco. Depois, aquele lance das opções: aperte 1 para explodir o banco, aperte 2 se estiver com a intenção de cometer suicídio, aperte 3 para..., aperte 9 para falar com um de nossos atendentes.

Apertei 9...

Durante 5 minutos fiquei aguardando alguém me atender. Até que finalmente... A ligação caiu.

Tentei novamente.

Por 15 minutos fiquei ouvindo aquela musiquinha maldita:

“Parará... papá... papá... Juntooooooos...”

E a ligação caiu de novo.

“- Vou tentar pela última vez!” – pensei.

“Seu crédito é insuficiente para realizar chamadas, recarregue seu celular na bancas de jornal...”

Como estava prestes a explodir o banco, decidi voltar lá no dia seguinte, mais calmo.

No dia seguinte, cheguei ao banco faltando menos de 5 minutos para fechar.

Estava de uniforme de trabalho e com a minha mochila cheia de objetos metálicos. É claro que a porta giratória apitou feito uma louca.

- Seu guarda, não dá pra tirar tudo da mochila. Não tem como eu deixar ela aqui fora? Eu preciso entrar urgentemente!

O guarda me aparece com uma chave e diz:

- Você pode guardar a sua mochila ali naquele armário.

Corri até o armário. Coloquei a chave e ela não girava. Tentei umas 6 vezes e nada.

- O senhor tem certeza de que essa é a chave certa?

- Ah, desculpa. Não é essa chave não.

Ele entrou e pegou outra chave.

- Tenta essa.

Na primeira tentativa:

- Consegui!

Quando fui entrar pela porta giratória apareceu um funcionário.

- Desculpe, mas, o horário de atendimento já acabou.

Fiquei tão NERVOSO, tão PUTO, que por muito pouco eu não me tornei o primeiro homem-bomba da história a explodir sem explosivos.

Peguei minha mochila, devolvi a chave pro guarda e passei no trailer do mercado municipal onde pedi um suco de maracujá bem reforçado pra acalmar.

Peguei meu suco de maracujá e caminhei até a praça. Respirei profundamente três vezes seguidas e me senti bem mais calmo.

Sentei num banco e quando fui dar o primeiro gole no suco, uma pomba cagou dentro dele.

Definitivamente, não tenho sorte com bancos!


sábado, 19 de março de 2011

Desodorante

Acabei de ver um comercial de TV sobre um determinado desodorante em que uma bela e talentosa atriz diz algo mais ou menos assim:

- Antes, eu usava outro desodorante rollon, mas, como eu transpirava em frente às câmeras, só conseguia papéis curtos, então experimentei (desodorante) que me protege por mais tempo. E aí...

O mais engraçado é que eu uso uma versão masculina do tal desodorante.

Deve ser por isso que quando o grupo de teatro aqui da minha cidade apresentou “A Balada do Flautista”, eu consegui o papel do Prefeito Schmid que estava em 9 das 10 cenas.

Tudo por causa do desodorante!

E pensar que eu cheguei a creditar que tinha um pouquinho de talento...

Falando sério: um desodorante não pode mudar a sua vida. Mas, a falta dele, sim.

Há muito tempo atrás, trabalhei numa fábrica na linha de produção. Havia um colega que chegava as 7h da manhã e o sovaco dele já parecia uma cachoeira. Não sei como não morria de desidratação.

Mas, o pior mesmo era o cheiro. Houve uma época em que a gente tava até pensando no melhor modo de chegar no cara e conversar sobre o assunto, mas, o Nelsinho, um cara maluco e muito esquentado, resolveu isso pra gente em dois minutos. Ele chegou pro fedorento e disse com jeitinho:

- Ô seu retardado! Você não usa desodorante não? Se a partir de amanhã você não começar a passar desodorante antes de trabalhar, você vai levar umas porradas!

No dia seguinte, quando o rapaz pisou na fábrica, o recinto ficou mais cheiroso que as perfumarias do O Boticário.

Nada como o desodorante certo na hora certa.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Absorventes



Tava vendo na TV que lançaram um absorvente com extrato de Camomila.

Segundo alguns sites, a Camomila tem propriedades antiinflamatórias, digestivas e calmantes.

Vamos às utilidades:

- Antiinflamatórias: Aquela sua prima de 1,50 de altura, a Betinha, depois de anos de abstinência sexual (não desejada) finalmente arruma um namorado pela internet. Num final de semana, ele vem ao Brasil e eles finalmente têm o primeiro contato físico íntimo.

Primeiro e último!

O cara tem 1,98 m de altura, é de Angola e negro. E é aí que mora o problema.

Não, Betinha não é preconceituosa. A questão é que a “extremidade” do rapaz faz jus à fama que os homens negros têm.

E é aí que entra a ação antiinflamatória da camomila do absorvente.

- Digestivas: De repente, a pessoa estava mais na seca que a tal Betinha e num ato de desespero usou um nabo, por exemplo. Aí, vai que o vegetal ainda tava verde e deu azia.

É pra isso que serve a qualidade digestiva da Camomila.

- Calmantes: Essa serve para os maridos sonolentos casados com mulheres fogosas.

Mas não são eles que vão usar. São elas.

Elas usam o absorvente com Camomila e ficam calminhas, calminhas...

Será?

Na minha postagem intitulada “Propaganda Enganosa - 2, me referi ao absorvente íntimo feminino como “mini fraldinha”.

Hoje, passando em frente ao supermercado, comecei a reparar naqueles cartazes com anúncio das promoções e na seção de carnes, um deles me chamou a atenção:

“FRALDINHA BOVINA CONGELADA – apenas R$ 9,80 o quilo”.

Imaginei a propaganda:

“Sua esposa é uma vaca que vive com fogo na periquita? Seus problemas acabaram! Chegou a FRALDINHA BOVINA CONGELADA. Com esse absorvente, sua mulher vai apagar o fogo no rabo e parar de pastar no quintal do vizinho. Peça agora mesmo pelo telefone 0800-555888000999555666777333 e tenha uma noite de sono tranquila, sem dor na testa.”

sábado, 5 de março de 2011

Carnaval 2011

Sábado de Carnaval. 8 horas da manhã. Juliano está de ressaca. Alguém toca a campainha.

- (Bocejo) Pois não, senhoras?

- Podemos falar um minutinho com o senhor?

- (Bocejo) Sobre o que seria?

- O senhor anda com tempo para o Senhor?

- Olha, ultimamente tenho trabalhado tanto que não anda sobrando tempo pra mim não.

- Não, não. Eu digo se o senhor anda com tempo para o Senhor – diz apontando o dedo para cima.

- Ahhhh!!! Entendi.


Juliano veste uma bermuda e uma camiseta e vai atendê-las no portão.

- Nós gostaríamos de convidá-lo a assistir um culto na nossa igreja. O senhor aceitaria?

- Eu respondo. Mas, antes, posso fazer uma perguntinha?

- Claro, claro.

- Por que vocês vêm fazer um convite desses num sábado de Carnaval e ainda por cima tão cedo?

- O senhor acha que existe hora pra Deus?

- Não, mas...

- Carnaval é idolatria. O senhor acha que Carnaval é uma coisa boa?

- As senhoras não acham que dormir é uma necessidade?

- Você não acha que Deus é a sua maior necessidade?

- As senhoras acham que se eu deitar bêbado às 6 da manhã e levantar às 8h, eu vou conseguir assistir ao culto da sua igreja sem dormir? E as senhoras acham que adianta ir à igreja e não prestar atenção em nada?

- Desculpa, mas, o senhor está se alterando...

- Não, não. Eu tô calmíssimo. Sabe, essa igreja deveria pagar um curso de vendedor pra que vocês aprendessem abordar as pessoas do jeito e na hora certa. Quem sabe uma faculdade de Propaganda e Marketing?

- Podemos fazer o seguinte? O senhor vai até o nosso culto, não precisa necessariamente ser hoje, e depois nós voltamos a conversar. Pode ser?

- Só pra conhecer?

- Só pra conhecer.

- Eu aceito. Mas, com uma condição...

- Qual?

- As senhoras têm que conhecer primeiro a minha religião: o Candomblé.

- Desculpa, mas, nós não frequentamos nenhuma reunião social com teor religioso não-bíblico. Com licença. Passar bem – saem correndo.

- Ei, senhoras, voltem aqui. Eu tava brincando... 


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

" O Engatador"

Numa longínqua noite de sábado, quando eu tinha 12 anos e ainda acompanhava minha mãe à missa, estávamos voltando para casa a pé, quando percebi que havia um sujeito nos seguindo.

- Mãe!

- O quê?

- Tem um cara seguindo a gente.

- Onde?

Quando ela se virou, ele havia sumido.

Continuamos andando e algum tempo depois, ele reapareceu.

- Mãe! Olha!

Tarde demais, o cara possuía a habilidade do Mestre dos Magos pra desaparecer.

- Pára de graça!

- Mãe, é sério!

- Você anda bebendo?

- Claro que não! Isso só vai acontecer daqui a 20 anos, quando eu tiver um blog.

- Um o quê?

- Esquece, mãe, ainda não inventaram. Eu acho...

Com 12 anos é óbvio que eu não bebia. E também não era médium. De modo que aquele cara não era um fantasma. Era real.

Ele era alto e forte e seu rosto era idêntico aquele personagem Wally, do livro “Onde está Wally?”

Nesse livro havia vários desenhos de pessoas e o desafio era você encontrar o Wally no meio deles. 


Este é o Wally:






Encontre o Wally:






Seguimos em frente. Eu temia por mim e por minha mãe. O que aquele ser bizarro queria com a gente?

De repente, o perseguidor fez um gesto que me deu certeza absoluta que o negócio dele não era com a minha mãe: olhando fixamente pra mim, o cara deu uma segurada na sua parte íntima e uma forte mexida, como se mudasse a marcha de um carro com a embreagem ruim.

Encontramos um policial e eu, apavorado, contei que havia um cara nos seguindo. E então o “Wally” sumiu de vez.

Dias depois, estava eu voltando de um aniversário na casa do meu amigo Danianderson, quando, na mesma Praça da Igreja, ouço um “psiu”. Quando olho, lá estava ele com a mão nos “países baixos”.

Eu cheguei em casa tão rápido que até hoje tenho dúvidas se corri muito ou me teletransportei.

Fiquei com vergonha de contar pra minha família e acabei falando pra alguns amigos, entre eles, o Oscar.

E é claro que quando contei da “troca de marchas” o Oscar quase morreu de tanto rir. Mas, logo percebeu que o negócio era sério. Então, começamos a espalhar pra galera e a andar em bandos, para minha proteção.

Mas, não adiantou nada. O cara, todas as vezes que me via, fazia aqueles gestos obscenos olhando pra mim.

E foi por causa da sua “troca de marchas” que o apelidamos de “O Engatador”.

Pra piorar a situação, o cara trabalhava numa loja cujos fundos davam para a quadra de esportes do clube que eu e meus amigos jogávamos basquete. Da janela, o cara ficava fazendo “psius”, me chamando, perguntando meu nome, dizendo que queria “só” conversar comigo etc. Eu ficava mudo de medo e os meus amigos, todos da mesma idade, também.

Por que não jogávamos basquete na outra cesta? Porque desgraça pouca é bobagem. A outra cesta estava quebrada na época.

Você conhece alguém que aparentemente é calmo, mas, na verdade, dentro dele possui um vulcão que de vez em quando entra em erupção?

Prazer! Eu sou desse tipo.

Pois bem, certo dia, Oscar e eu estávamos jogando basquete quando O Engatador apareceu na janela. Ele começou com suas gracinhas e eu fiquei com a cara muito fechada, muito sério.

O Oscar conta essa história pros outros até hoje e, segundo o relato dele, nesse dia, eu estava acertando todas as cestas, numa espécie de concentração que beirava o transe e que talvez só Michael Jordan conseguisse alcançar nos momentos decisivos das partidas.

E o Engatador falando...

Meu desempenho na quadra de basquete estava cada vez mais impressionante. Tivesse um olheiro da NBA ali, eu tava feito. Houve um momento em que o Oscar achou que eu, com 12 anos e 1, 56m de altura, poderia enterrar.

E o Engatador falando...

De repente, peguei a bola de basquete e joguei com toda a minha força em direção a janela em que o Engatador estava. A bola explodiu na grade de proteção e eu explodi em palavrões e insultos de todos os tipos em direção aquele pedófilo que me xavecava.

- Eu vou te pegar, moleque!

- Vem aqui se você for homem, seu filho da p*#@!!! Eu vou macetar você com as minhas mãos!!!

Nunca vi o Oscar com os olhos tão arregalados, parecia a Marge Simpson.

Como eu não parava de xingar e gritar, o Engatador sumiu dali.

E eu nunca mais o vi... Até que...

Dias atrás estava conversando com um amigo na rua, quando o Engatador passou e o cumprimentou.

- Você o conhece? – perguntei.

- Conheço, trabalhou comigo.

Fiquei sabendo do seguinte: o Engatador havia se convertido a uma rigorosa religião e havia se casado. Inclusive, a mulher de saia e buço assustador que o acompanhava era sua esposa.

Fosse eu vingativo e ele iria ver: colocaria uma berinjela de Itu dentro da calça e quando ele estivesse saindo de terninho da sua igreja eu diria o seguinte:

“- Ei! Psiu! Vem aqui! Eu só quero conversar com você!”

E daria uma sacudida na berinjela.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tudo é uma questão de contexto

Quando você era um bebê, após cada mamada, sua mãe ficava batendo nas suas costinhas até você arrotar.

Hoje, se você arrota à mesa após o almoço, corre o risco de levar uma panela de pressão fervendo na cabeça, acompanhada de frases como:


“Porco!”
“Nojento!”
“Sem educação!”
Etc.

Já na cultura árabe, quando você arrota após uma refeição, significa que você gostou tanto da comida, que acabou comendo mais do que podia, sentindo a necessidade de arrotar.

Em outras palavras, indica satisfação.

Tinha um amigo que era capaz de dizer qualquer palavra arrotando. Uma vez, apostamos se ele era capaz de soletrar arrotando a palavra “inconstitucionalidade”. Ele disse arrotando letra por letra. Era um verdadeiro gênio do arroto. Mas, era péssimo em Língua Portuguesa e no lugar da segunda letra “c” da palavra, ele me colocou um “ç”.

Perdeu a aposta e nunca mais arrotou de tanta insatisfação.

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Graças a internet, a gente consegue se comunicar com uma pessoa do outro lado do mundo. Por isso, ouvimos tanto aquela frase: “A Internet aproxima as pessoas”.

Mas, há controvérsias...

Você viaja e fica um tempo sem ligar o computador. Na volta, descobre que há três semanas NINGUÉM entra no seu Orkut.

(Aliás, que frase é essa, não? “Ninguém entra no seu Orkut.” Não sei por que me veio à cabeça a imagem de um supositório.)

Aí, você vai pro Facebook, que tá mais na moda. Você vê ali que tem uma publicação no seu mural. Na verdade, um amigo respondeu uma pergunta sobre você: “Defina Paulo Sergio em uma palavra”. A pessoa responde: “Saudade!”

Puxa, que bacana! As pessoas ainda se lembram de mim. Mas, cadê o olho no olho, o toque na pele, o cheiro, o calor, o abraço, o beijo no rosto? Não tem!

As pessoas estão todas na correria (inclusive eu). Trabalham feito máquinas, correm o tempo todo atrás de dinheiro e mesmo quando mexem no computador, o fazem no meio do trabalho.

Eu quero encontrar os meus amigos, conversar besteiras, conversar sério, rir muito, chorar no ombro, enfim, ter contato humano.

Minha amiga disse que seu namorado vivia adicionando meninas diferentes no seu Orkut a cada dia.

- Quem é?

- Conheci na academia. – ele respondia.

Ela não gostava, mas ficava na dela. Certo dia, viu uma loira bonitona toda insinuante pra cima do seu namorado. Dessa vez não aguentou e reclamou:

- Na boa, essas garotas que você está adicionando no seu Orkut estão me incomodando.

- Que garotas?

- Aquelas da academia. E principalmente essa loira chamada Desirré.

- Ah, não! A Desirré não é da academia.

- É de onde, então?

- Não sei, nem conheço. Ela pediu pra adicionar, eu adicionei.

Depois do Orkut, é claro que eles conversaram no MSN. E não ficou só nessa “paquerinha virtual”. Descobriram que moravam perto e a curiosidade de se conhecerem pessoalmente cresceu tanto, que resolveram marcar um encontro “ao vivo”.

Minha amiga e o seu namorado se amavam. Ele se arrependeu do encontro, mas, já era tarde. Minha amiga descobriu tudo e por ter perdido a confiança nele, terminou o namoro.

Nesse caso, a internet aproximou duas pessoas... que não se conheciam.

Mas, também, afastou duas pessoas... que se amavam.